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COLUNA ALTA RODA | 29 DE DEZEMBRO DE 2009 | SEU VEÍCULO | CONHEÇA A REVISTA MULTIMÍDIA MECÂNICA ONLINE

Distração ao volante
Por Fernando Calmon*

             Entre as mudanças no Código de Trânsito Brasileiro, atualmente em discussão na Câmara dos Deputados, está a escalada na punição a quem dirige falando ao celular. Das comissões emergiu a proposta de enquadrar a falta como gravíssima (hoje, média), igualando-a a transgressões severas, a exemplo de ultrapassagem perigosa e disputar corridas clandestinas.

O potencial de distração de segurar um telefone e dirigir certamente existe. Por outro lado, graças os sistemas de viva-voz a lei torna-se letra-morta, quanto à fiscalização, embora permaneçam teses de que a conversação telefônica implica os mesmos riscos de dirigir alcoolizado. De fato, alguns estudos tentam demonstrar esse exagero, porém na prática a maioria dos países trata o tema com cautela.

Nos EUA, onde a frota registrada está em torno de 250 milhões de unidades (oito vezes maior que a brasileira), motoristas falam milhões de minutos ao celular todos os dias. Alguns pesquisadores alegam que o órgão encarregado da segurança de tráfego esconde relatórios sobre o problema, o que parece sem sentido. Entretanto, somente no início de 2009 uma lei nacional proibiu escrever textos ao celular, enquanto se está ao volante. Esse hábito, de fato, traz um risco bem maior, mas ninguém teve pressa em criar a restrição. Alguns estados americanos só permitem que se fale ao telefone por meio de viva-voz (mãos livres). A maioria permanece indiferente.

Contudo, distração ao volante tem merecido estudos aprofundados da indústria automobilística. Há várias situações de risco de acidente ou de seu agravamento. Mudar a estação do rádio, acender um cigarro (inclusive fumar), conversar ou discutir com outras pessoas, comer ou beber, desviar o olhar da estrada para orientação, discar um número telefônico ou selecionar música de tocadores digitais são algumas situações.

No Laboratório de Distrações montado pela Ford, nos EUA, simuladores de última geração monitoram e analisam comportamentos ao volante. Óculos com pequenos mostradores de LCD são capazes de registrar perfeitamente o tempo de oclusão, ou seja, o intervalo em que os olhos se mantêm desviados de uma estrada virtual para consultar uma tela de navegador, celular ou tocador de música.

Se 85% ou mais das pessoas submetidas ao teste conseguem completar a consulta ou tarefa, dentro do limite de tempo considerado seguro, o dispositivo é aprovado. Caso contrário, programa-se para que a tela se apague, enquanto o carro está em movimento. O teste com óculos de oclusão mostrou-se mais rápido e eficiente do que outros métodos de avaliação.

Dessa forma foi possível desenvolver softwares de reconhecimento de voz muito eficientes – independentemente do modo de falar e do sotaque regional. Eles permitem comandos vocais para mudar a estação de rádio ou faixa de CD, controlar o ar-condicionado, selecionar rota no navegador de bordo ou discar número. Tudo isso sem tirar os olhos do caminho ou afastar as mãos do volante.

Pesquisas também apontaram que jovens – entre 16 e 18 anos, principalmente – são os que menos percebem os riscos de ler ou digitar mensagens ou números, enquanto dirigem, e mais resistem a mudanças.

RODA VIVA

AINDA é embrionária a ideia de substituir a cilindrada por índice de consumo ou emissões no cálculo do IPI. A coluna indagou Jaime Ardila, presidente da GMB: "Cilindrada não deveria ser critério para as alíquotas. Um único percentual (menor) sobre todos os carros e taxação seletiva sobre combustíveis levaria os fabricantes a melhorar os motores de forma rápida."

PRESIDENTE
da Renault, Jean-Michel Jalinier, disse que se o critério para o IPI fosse consumo de combustível ou mesmo emissões de CO2 não haveria problemas. "Na Europa a legislação caminha para tornar o CO2 fator decisivo para taxação dos automóveis. Lá os fabricantes estão se adaptando e poderíamos trabalhar aqui com esse ou qualquer outro parâmetro."

SISTEMA
Dualogic de automatização da caixa de câmbio manual, na linha Palio, mostrou bom avanço. Ao avaliar o Palio ELX 1,8 l, nota-se nível de hesitação ou demora na troca de marchas bem menor do que no Linea ou no Stilo. É equivalente ao I-Motion, da VW, que usa o mesmo sistema da Marelli. Em manobras lentas, porém, controlar o acelerador continua ruim.

VOLVO
caiu nas mãos dos chineses da Geely. Ford vendeu o controle por um terço do que pagou aos suecos há 10 anos. Os americanos receberão apenas US$ 2 bilhões pelas ações, mas estanca o prejuízo e se livra dos investimentos que a marca exigiria. Quanto à Saab, outra sueca, a GM deve encerrar as operações – sempre deficitária – definitivamente.

DURANTE
apresentação prévia da picape média argentina VW Amarok surgiu uma brincadeira. Pronúncia em inglês do nome assemelha-se a "I am a rock", traduzindo, "Sou uma rocha". Amarok significa lobo para uma tribo de esquimós. A fábrica não ficou aflita. Desde o início, o projeto se chamava "Robust", em alusão a uma picape parruda.

COLUNA ALTA RODA | 22 DE DEZEMBRO DE 2009 | SEU VEÍCULO | CONHEÇA A REVISTA MULTIMÍDIA MECÂNICA ONLINE

O que der e vier
Por Fernando Calmon*

                 O fracasso da COP 15 (15ª Conference of the Parts, ou Conferência das Partes), realizada na capital da Dinamarca, era mais do que prevista. Além de quase 200 países representados, conflitos de interesses, sérias restrições financeiras afetando as economias ricas, organizações não governamentais e políticos que gostam de discursar disputando para ver qual apareceria melhor na foto, ambientalistas antevendo o fim do mundo formaram um caldeirão sem fundo.

Ao ecoalarmistas restou uma estranha coincidência, sem explicação. Logo após a conferência, uma onda de tempo muito frio e nevascas severas no hemisfério norte, que, em alguns casos, não ocorriam há um século, congelou em parte o discurso de emissões descontroladas de CO2, efeito estufa e aquecimento do planeta. Claro que sob o chapéu de “mudanças climáticas” tudo se encaixa.

Essa coluna tem mostrado uma posição cautelosa nesse assunto, apesar de reações iradas de alguns ecoleitores. Relembra que apenas 12% das emissões mundiais de CO2 são originadas dos automóveis. Esta semana um pesquisador de clima e meio ambiente, o neozelandês Roland Serda-Esteve, calculou que um veículo 4x4, rodando 10.000 quilômetros por ano, emite metade do gás carbônico em relação ao necessário para produzir rações e alimentar, também por um ano, um animal de estimação.

Também não dá, obviamente, para ignorar que outros cientistas pensam de forma diferente e se preocupam com o aquecimento global. Administrar diversas fontes de emissões de CO2 – um gás ao mesmo tempo essencial à vida no planeta – precisa ser algo racional e bem focado porque custa muito, muito dinheiro. Significa mudanças austeras de hábitos e procura por alternativas ao petróleo, que um dia vai se esgotar ou encarecer a um nível inviável em veículos. Estudiosos já disseram: “A idade da pedra acabou, mas as pedras, não.”

Na área automobilística, carros híbridos (motor a combustão e elétrico) têm sido considerados a solução de curto prazo. Mas o Conselho Nacional de Pesquisas, nos EUA, apontou os custos bastante elevados, quando os primeiros híbridos com baterias recarregáveis em tomadas (plug-in) chegarem em breve ao mercado. Comparado a um automóvel comum, o preço de venda subiria 50%, exigindo forte subsídio, para uma autonomia puramente elétrica de 70 km. O período de amortização superaria os 10 anos, salvo se o preço do petróleo subir bem acima dos atuais US$ 75/barril. Por isso, lá alguns defendem impostos sobre combustíveis fósseis, como os europeus já fazem.

No que toca ao Brasil, mesmo híbridos comuns seriam proibitivos. A Toyota está vendendo na Argentina o Prius, sem plug-in, 80% mais caro que o Corolla, topo de linha, equivalente em porte. Nesse preço estão incluídos 35% de taxa de importação Mercosul e outras despesas, entre elas treinamento de socorristas em todo o país, segundo a empresa, para evitar descargas elétricas em veículos acidentados ou em pane.

Ainda bem, temos o etanol que, no ciclo de vida do combustível, emite apenas 35 g/km de CO2, ou cerca de um quarto do que um bom híbrido de porte médio, a gasolina, consegue. E o nosso carro permanece com o mesmo preço. Para o que der e vier.

RODA VIVA

APENAS no último trimestre de 2010, Peugeot importará da Argentina o novo sedã que compartilha a mesma espaçosa arquitetura do Citroën C4 Pallas. Ainda não decidiu se o batizará de 308, que pouco tem a ver com o seu homólogo europeu. Houve críticas aqui quando a marca modificou o 206, chamando-o de 207, como o modelo todo novo à venda na Europa.

PLANOS de Sérgio Habib ao importar três modelos (quatro versões) JAC chineses são de alcançar 1% do mercado brasileiro, no primeiro ano cheio, 2011. Confia no estilo atualizado e marketing eficiente para 36.000 unidades/ano. Não será tarefa fácil. Nissan ainda luta para superar a barreira de 1%, mesmo produzindo aqui nas instalações da Renault.

FOCUS
recebeu motor flex, 1,6 litro/115 cv, inteiramente novo e em alumínio. É o mesmo Sigma de última geração, disponível na Europa, multiválvulas e duplo comando. Montado na versão hatch mostra agilidade, suavidade e nível de ruído compatível para o segmento. Na carroceria sedã (20% estimados pela Ford) perde fôlego por ter dimensões maiores.

FÔLEGO
de sobra apresenta o surpreendente Audi S3 Sportback. Motor 2-litros, de injeção direta e turbocompressor, entrega 256 cv de pura adrenalina. Auxiliado pela tração total pode acelerar de 0 a 100 km/h em 6 segundos. O que o deixa numa posição singular frente aos (poucos) concorrentes diretos. Completo, inclusive teto solar panorâmico, custa R$ 208 mil.

CORREÇÃO
: Programa Brasileiro de Etiquetagem aponta o consumo de combustível e energético de 67 modelos, que representam 50% do volume de vendas do mercado. Para aproximar os números obtidos no dia a dia por 80% dos motoristas, o Inmetro corrigiu em 30%, no ciclo estrada e em 20%, no ciclo urbano, as indicações obtidas em testes de laboratório.

COLUNA ALTA RODA | 15 DE DEZEMBRO DE 2009 | SEU VEÍCULO | CONHEÇA A REVISTA MULTIMÍDIA MECÂNICA ONLINE

Busca do consenso
Por Fernando Calmon*

            Debates sem fim, em Copenhague, sobre mudanças do clima e emissão de gases de efeito estufa (CO2), demonstraram como o tema está mais politizado do que nunca. Poucas antes do início da 15ª Conferência das Partes, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) quis marcar posição com a revisão da desastrosa nota verde para os automóveis.

As críticas foram tantas que em 75 dias surgiram novos critérios e a substituição da pontuação de zero a dez pelo sistema de uma a cinco estrelas. Até três estrelas classificam os poluentes controlados (média entre monóxido de carbono, hidrocarbonetos e óxidos de nitrogênio), uma estrela fica reservada a todos os motores flex e outra para a menor emissão de CO2. Várias distorções permanecem e ficam claras no estranho ranking, mas houve avanços. Pelo menos o MMA, dessa vez, chamou a participar os fabricantes de veículos e produtores de gasolina e etanol.

Será que o comprador, sabendo que todos os carros obedecem à lei, vai escolher algum 20% ou 40% melhor que o limite legal? Difícil de acreditar, em um mercado tão orientado pelo preço. O ranking apontou entre os 10 menos poluidores quatro modelos da Fiat (Idea, Palio, Siena e Stilo) com motores de 1.800 cm³ injustamente estigmatizados da Família 1 da GM, seguidos pelo Ka, Prisma e Celta (1.000 cm³), C3 (1.400 cm³), Fox e SpaceFox (1.600 cm³). Palio e Siena, por exemplo, com motor de maior cilindrada tem preferência de menos de 10% porque são versões caras.

Existe uma ideia, ainda embrionária, de adotar a chamada nota verde em substituição à cilindrada nas alíquotas do IPI. No entanto, mais racional seria utilizar o consumo de combustível. Isso fala diretamente ao bolso do motorista e de forma indireta reflete-se na diminuição da poluição tóxica e na emissão de CO2, em motores a etanol ou gasolina.

Era hora de reviver o antigo Programa de Economia de Combustível, de meados dos anos 1980, adaptado aos novos tempos. O caminho pode ser pelo recém-criado grupo de trabalho de governo e empresas do setor voltado a estimular tecnologia e inovação, aproveitando os grandes centros de desenvolvimento já existentes.

Simultaneamente à nota verde, em 1º de dezembro, saiu o ranking 2010 de consumo do Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE). Em base voluntária – deveria ser obrigatória – estrearam Renault e Toyota, juntando-se à Fiat, Honda, Kia e Volkswagen. Má conduta teve a GM que abandonou o PBE, juntando-se à Ford, que nunca participou. A lista agora inclui cerca de 100 modelos, dos mais de 400 à venda. O Inmetro acertou ao ajustar em torno de 20% os dados de consumo, a fim de aproximá-los aos números obtidos no dia a dia, como se fez nos EUA.

Receberam a melhor nota Fit 1,4; Gol 1,0; Mille 1,0 e Picanto 1,0. Examinando bem os números, há diferenças mínimas entre baixa e média cilindrada, que não justificam a diferença de IPI. Picapes Strada Trekking, de 1,4 e 1,8 litro, alcançam igual marca em estrada, com etanol, comprovação da falsa rotulagem de “beberrão” do motor de maior potência. Em cidade, consome 13% mais, aceitável para quase 30 cv de diferença.

Consenso sobre o melhor caminho a seguir parece difícil, na luta surda de bastidores.

RODA VIVA

RENAULT confirmou a chegada em 2011 do Duster, utilitário esporte compacto sobre a arquitetura do Logan/Sandero, fabricado no Paraná. Jean-Michel Jalinier, presidente da empresa, ressalvou que o SUV receberá modificações específicas para o mercado brasileiro. Estepe pendurado na traseira não está nos planos, garantiu ele à coluna.

C. BELINI, presidente da Fiat, apoia um futuro acordo de redução de imposto de importação entre o Brasil/Mercosul e a União Europeia, desde que exista desoneração gradual da atual – e pesada – alíquota de 35%. “O país tem que negociar bem. Imposto zerado só depois de 10 ou 15 anos, imagino.” Europeus acham 10 anos prazo longo demais e a proteção demasiada.

AUDI TTS pode-se definir como pocket rocket (foguete de bolso): motor de 2 litros com turbocompressor, 272 cv e aceleração de 0 a 100 km/h em dissuasivos 5,2 s, com ajuda do gerenciador de arrancada e, claro, tração 4x4. Apesar do desempenho de empolgar, é dócil para dirigir, mesmo no limite de aderência, sem sustos, fora o preço de exatos R$ 283.750,00.

DEPOIS do carro-conceito, o pneu-conceito, anuncia a Goodyear. Previsto para 2013, a principal diferença está na substituição do derivado do petróleo isopreno na fabricação da borracha sintética. Produto de biomassa, como o etanol, o novo material tem o nome comercial de Biolsoprene. A companhia não deu pormenores sobre peso e durabilidade do pneumático.

PELA 11ª vez o prêmio Talento VW Design levou à seleção de quatro universitários para estagiar na fábrica de São Bernardo do Campo. Thiago Pinho, da IED-SP, venceu este ano, seguido por Fábio Garcia, da Unesp – SP e Cleber Gonçalvez, da UEM – PR. Carolina Pizarro, da Unesp - SP, completou o time. A cada ano os trabalhos ficam mais criativos.

COLUNA ALTA RODA | 08 DE DEZEMBRO DE 2009 | SEU VEÍCULO | CONHEÇA A REVISTA MULTIMÍDIA MECÂNICA ONLINE

Pés no chão
Por Fernando Calmon*

             A capacidade de reação do mercado brasileiro continua impressionando. Exatamente há um ano o presidente da Anfavea, Jackson Schneider, declinou de fazer qualquer previsão de vendas para 2009, como é tradição na entidade que representa 24 fabricantes de veículos e máquinas agrícolas instalados no País. Justificou-se com as incertezas sobre a crise financeira mundial e por não poder avaliar o comportamento dos compradores frente ao programa de redução provisória do IPI sobre os carros. Na realidade, ele tinha sim as previsões e davam conta de quedas superiores a 30% para este ano. “Se anunciasse esses números, a resposta dos entes econômicos poderia ser muito ruim”, recorda agora.

Só em maio a Anfavea fez as primeiras estimativas. Depois as corrigiu – para cima – e neste dezembro, de novo. Se não havia dúvidas sobre o ano recorde em vendas, é possível que até o dia 31 a produção supere o também recordista 2008. Talvez a produção (mesmo afetada pela queda intensa nas exportações) ultrapasse em 100 mil unidades o nível de vendas, a fim de recuperar estoques. Registros de produção abaixo do de vendas não acontecem desde 1995, mas se repetiram em alguns meses de 2009. Aquele foi um ano atípico, quando ocorreu forte procura por modelos do exterior em razão da redução brusca e intempestiva do imposto de importação, barbeiragem do então ministro da Fazenda Ciro Gomes, no governo Itamar Franco.

Este ano, pela segunda vez o Brasil importará mais veículos do que exportará. No entanto, a parcela de carros estrangeiros (na maioria argentinos, com muitas peças brasileiras) ficará em torno de 15%. Há 14 anos chegou a 23%, com pico de 36%. Uma das razões para o governo ter prorrogado o IPI menor até março de 2010, além da conhecida política eleitoreira, apenas para veículos com motores flexíveis, foi uma tentativa de desestimular a entrada de modelos importados, quase todos a gasolina.

De fato o novo estímulo animou o mercado neste final de 2009. Já se antevê crescimento anual de 10% e 3,1 milhões de unidades. Como a indústria automobilística representa 5% do Produto Interno Bruto (PIB), refletirá em meio ponto percentual de expansão da economia como um todo. É a conta justa para que o país não registre um número anual negativo no PIB. Bingo!

No entanto, se deve reconhecer: o Brasil foi atingido por algo além de uma “marolinha” da crise mundial. A onda chegou forte, ao contrário do que afirma o governo, embora menos intensa do que se esperava. Basta analisar alguns números da manufatura de veículos acumulados até o mês passado: caminhões, menos 31%; ônibus, menos 24%; exportações, menos 39%; máquinas agrícolas, menos 25%; empregos, menos 5,5% (sobre novembro de 2008). Setor de motocicletas, mesmo estimulado, cairá mais de 25% em 2009 comparado a 2008, tanto em vendas quanto em produção. Faltou humildade para analisar também os números negativos. Eles estão aí, para quem quiser ver.

Para 2010, o otimismo prevalece. Anfavea espera vendas e produção quase alinhadas em 3,4 milhões de unidades (mais 9,3% e mais 5,4%, respectivamente) e aceleração de cerca de 13% nas exportações.

Que tudo dê certo. Com pés no chão e olhos no futuro.

RODA VIVA

ACORDO entre PSA Peugeot Citroën e Mitsubishi parece inevitável, semelhante a Renault-Nissan. Presidente do grupo francês, Philippe Varin, especialista em fusões, tem sinal verde da família Peugeot, que quer manter controle administrativo. Há pouca superposição de modelos. Ambas financeiramente fracas estudam às pressas a fusão, passo além da aliança.

DEPOIS de longo planejamento, Tecnologia Automotiva Catarinense (TAC) anuncia o início da produção seriada do utilitário Stark, a partir deste mês. A empresa reúne grupo de investidores brasileiros, tornando-se única com capital 100% nacional, depois da venda da Troller à Ford, em 2007. Stark tem estilo próprio e bem moderno, tração 4x4 e motor diesel FPT.

NOVA Saveiro é referência em termos de dirigibilidade entre picapes compactas. Alcança ótimo compromisso conforto-estabilidade com caçamba cheia, vazia ou meia-carga. VW concentrou oferta inicial apenas na cabine estendida – avaliada pela coluna –, no momento de mercado em que a cabine simples, mais barata, deveria ser a prioridade. Ainda não deslanchou.

SALÃO Internacional do Automóvel de São Paulo completa meio século em 2010 e a organizadora Reed Alcântara quer comemorar em grande estilo. Campanha de marketing inclui carros camuflados espalhados por centros de compra e de alta concentração de público na cidade, livro histórico e parcerias. Empresa esperar superar 600 mil espectadores, a partir de 28 de outubro.

IDEIA útil, especialmente para mulheres, em caso de furo de pneu. Macaco elétrico com capacidade de 1 t (maioria dos compactos) pluga-se em tomada de força do carro, pesa 4 kg e vem com alavanca para uso emergencial. Car Jack custa R$ 400,00 em lojas virtuais, como a Timevision, via Google.

COLUNA ALTA RODA | 01 DE DEZEMBRO DE 2009 | SEU VEÍCULO | CONHEÇA A REVISTA MULTIMÍDIA MECÂNICA ONLINE

Navegação e meio ambiente
Por Fernando Calmon*

             Como tema da moda, não surpreendem o debate e as proposições acerca de um dos mais elementares direitos: a mobilidade. Semana passada, no Rio de Janeiro, a Convenção Mobilidade Sustentável na Renovação Urbana focou as experiências e soluções das grandes cidades latino-americanas. Uma iniciativa de mérito da Michelin e da ONG Centro de Transporte Sustentável (CTS Brasil).

Esse é um campo fértil para discussões recorrentes sobre os meios de transporte e sua influência, via emissões de gás carbônico (CO2), sobre aumento da temperatura média do planeta e mudanças climáticas. Veículos leves sobre pneus só respondem por cerca de 12% do emitido no mundo, mas continua sendo um dos vilões favoritos. No contexto mereceu reverência a palestra de Suzana Ribeiro, secretária de Mudanças Climáticas do Ministério do Meio Ambiente.

Suzana reconheceu que grande parcela da população de países emergentes deseja ascensão social e adquirir um carro. Para ela, é aspiração legítima. Ouvidos atentos pinçaram outra afirmação de passagem: “Ainda há certa incerteza sobre aquecimento global e mudanças no clima”. Trata-se de posição corajosa frente à histeria atual. Ninguém pode negar o problema, mas a abordagem precisaria eliminar o viés político, menos apaixonada e mais técnica. O Brasil aparece bem na foto graças à matriz energética privilegiada, da hidroeletricidade ao etanol.

Dentro da racionalidade nessa discussão, destacou-se a apresentação de Virgilio Cerutti, presidente da Magneti Marelli. Citou dois caminhos para reduzir emissões de CO2: tecnologias tradicionais, atuando sobre os automóveis com ganhos importantes, mas a custo alto; e tecnologias emergentes, menos eficientes, porém a custo mais baixo, que trazem ao mesmo tempo economia de tempo e de combustível.

“Intervenções coordenadas são necessárias na tecnologia dos veículos, infraestrutura urbano-rodoviária e comportamento do motorista, a fim de maximizar resultados a um custo acessível para a sociedade”, ponderou.

A estratégia chamada Eco Navegação, combinação de duas vertentes, pode alcançar até 20% de redução de CO2 graças aos modernos sistemas de GPS. A Eco Rota calcula o melhor caminho a ser percorrido do ponto de vista ambiental. A Eco Direção aponta as condições ideais de dirigibilidade. Trata-se de um programa que compara as condições das vias e desempenho do veículo, fornecendo em tempo real um relatório para ajudar o motorista a corrigir falhas que causam desperdício de combustível e, assim, evitar a emissão de gases no meio ambiente.

O casamento de GPS, telemática e infraestrutura adequada, com informações em tempo real sobre condições das vias e congestionamentos, por exemplo, pode ampliar para 25% os ganhos em termos de CO2. No Japão, 52% da meta inicial de redução do gás carbônico que colabora para o efeito estufa, na parte proveniente do transporte terrestre, foi atribuído à melhoria da infraestrutura viária e de gestão do tráfego. O restante veio da tecnologia empregada no carro e educação do usuário, incluindo campanhas para fomentar o hábito de dar carona.

Por enquanto, no Brasil, ainda estamos longe desses avanços, em especial da Eco Direção.

RODA VIVA

FINALMENTE, tendência minimalista chegou ao contingente de oito modelos nacionais com decoração ao estilo aventureiro. CrossFox dispensou a profusão de apêndices inúteis e inaugurou um visual mais limpo no modelo 2010. Destaques para fixação inteligente do estepe na porta traseira e faróis auxiliares com inédita dupla função neblina/longo alcance.

ALTURA total elevada em 5,5 cm se manteve – nada é perfeito –, mas a dirigibilidade continua boa para a proposta de uso urbano e leves incursões fora de estrada. CrossFox, com equipamentos típicos de conforto nesse segmento, começa em R$ 49.000. Pneus de uso misto são opcionais. Pelo menos no momento, não oferece câmbio manual automatizado. Inexplicável.

APESAR de certos detalhes de estilo do Agile desagradar a alguns, tem no espaço interno um de seus destaques. Acabamento mescla materiais e capricho aceitáveis com outros nem tanto. Acerto de suspensões e boas respostas ao volante estão entre os pontos altos. Prepare-se: trocar etanol por gasolina leva à queda acentuada de desempenho, percebida com clareza.

EMPRESÁRIO Sérgio Habib, proprietário de um terço das concessionárias Citroën (50% das vendas totais da marca), anunciará em breve a representação de uma marca chinesa em 2010. Após negociar muito com a BYD, acabou acertando com a JAC. Estratégia é diversificar. Além de concessionárias Ford e VW, importa Jaguar e, logo, também Aston Martin.

OUTRA dor de cabeça para a GM. Comprador para a marca sueca do grupo, a Saab, desistiu do negócio. Outra sueca, Volvo, está sendo vendida pela Ford. Destino final da Saab deve ser o mesmo da Saturn, divisão da GM que está fechando as portas, depois do Grupo Penske perceber a inviabilidade de receber suporte de outro fabricante.

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(*) Fernando Calmon - Um dos mais conhecidos, respeitados e bem informados jornalistas automotivos do país estreia no Portal Mecânica Online e também na Revista multimídia Mecânica Online, a primeira e única revista em mídia CD-ROM sobre mecânica no Brasil. Titular da coluna "Alta Roda", Fernando Calmon é engenheiro e especializado na área desde 1967, quando produziu e apresentou o programa "Grand Prix", na TV Tupi (RJ e SP) até 1980. Também foi titular do programa "Primeira Fila" (1985 a 1994) em cinco redes.

Hoje sua coluna, que completa dez anos nesse ano de 2009, está presente em uma rede de 52 jornais, sites e revistas. Fernando Calmon foi também diretor de Redação da revista "Auto Esporte" (1976 a 1982 e 1990 a 1996), editor de automóveis de "O Cruzeiro" (1970 a 1975) e "Manchete" (1984 a 1990). É ainda correspondente para o Mercosul do site "Just-Auto" (Inglaterra), além de prestar serviços de consultoria em assuntos técnicos e de mercado na área automobilística e também em comunicação.

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