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Roberto Nasser            Roberto Nasser, residente em Brasília, é advogado, especializado em indústria automobilística. Dentre suas ações de utilidade social se destacam a defesa para a obrigatoriedade do uso do cinto de segurança. Participa do meio antigomobilístico há 40 anos, sendo um dos criadores e presidente do Veteran Car Club, DF; da Federação Brasileira de Veículos Antigos, e teve a oportunidade de propor, defender e ver aprovada toda a legislação do antigomobilismo, incluindo tornar esta expressão verbete no Novo Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. Além da criação do Museu do Automóvel, na Capital Federal, do qual é curador. Escreve sobre automóveis semanal e ininterruptamente desde primeiro de novembro de 1967.
 

SEU VEÍCULO | DE CARRO POR AÍ | ROBERTO NASSER |   SETA  Quarta-feira, 16 de maio de 2012 - Coluna 20 / 2012

De BMW Grand Coupé na Itália

             A Sicília, ilha distante em 3 km à Itália, tem capital em Palermo, virada para a Europa, imprensada entre o Mar Tirreno e cadeia de montanhas. A Sudoeste, na costa para o mundo, a pequena Agrigento, próxima à famosa Corleone, pode ser atingida por auto estrada, duas pistas, 94 km em asfalto liso, sem emendas, buracos, depressões, bem sinalizada, defensas e guard-rails, clara em informações e sinalização. Não é pedagiada, como se crê no Brasil única condição para estradas boas, porém isto existe, em respeito ao contribuinte devolvendo o produto de seus impostos, e Justiça punindo a empreiteira que superfatura, entrega de menos, e o funcionário público venal, recebendo produto inferior ao contratado, parcelas na conta de nosso subdesenvolvimento.

Há outra estrada, sem as retas longas, as curvas de amplo raio. 50 km mais comprida, entrega emoções como encontro de muitos caminhos abertos desde 600 A.C. pelos cascos das montarias de africanos, cartagineses, godos, alemães, romanos, franceses,... agora unidos com alguma engenharia.

Mão dupla, sem acostamento, apenas recuos, idêntica pavimentação, curvas de variados ângulos, algumas reversas, retas de diferentes extensões, 148 km ilustrados por plantações dos típicos tomates doces, azeitonas em nodosas oliveiras floridas, flores, moirões em vergalhão de ferro cercam as pequenas propriedades arranhando pedregosas bases das montanhas, amanhando a terra para torná-la produtiva. Colorem a alma e lembra, vida e economia não são feitas de juros e aplicações financeiras, mas pelos trabalhos de produzir o tomate, o azeite, as flores, e transportá-los até sua mesa.

Velocidade de 130 km/h – no Brasil, apenas em dupla via concede-se nunca explicada e limitada 110 km/h. No cruzar múltiplas pequenas cidades, 60 km/h, sem quebra-molas, lombadas, intervenções causadoras de desgastes, aumento de consumo e emissões – e, na prática declaração pública da incompetência da autoridade sobre a via. Casas em arquitetura original, algumas com mais idade que o Brasil e, surpresa, ver em oficinas ou trabalhando, alguns Lamborghinis – não dos que você imagina, mas o pequeno trator diesel Carioca, origem da valentia de Ferruccio no fazer carros para peitar outro cabeça dura da Emilia Romana, o Enzo Ferrari.

Rica e variada estrada sugerida pela BMW a jornalistas de todo o mundo no testar as virtudes do novo BMW 640i Grand Coupé. Do Brasil, quatro. Troquei o fim de semana e a oportunidade de divagar montando Haua – Vento em árabe -, minha mula-de-patrão. Explico: alta, quase 7 palmos até a cernelha, inteligente, vivaz, o mais sabido, rápido e confortável na turma dos cavalos, éguas, burros, jumentos. Destes, da raça Pega, cruza com égua Manga Larga Marchador, soma inteligência, bons modos, disposição, andar confortável – rápido, como anuncia seu nome. O sufixo -de-Patrão, dá o tom: superior, distinto, não entra na lida no campo, montaria exclusiva do pagador das contas.

Assim, botei sentido para o trato com os 320 neo-equinos do novo BMW 640i.
Quer saber ? Uma tremenda barata.

Carro-do-patrão - Primeira, segunda, terceira ..., ..., oitava. O seis cilindros em linha não reclama, fornecendo torque e potência que há poucos anos seriam referência mentirosa, de 2.979 cm3 de cilindrada, saem 320 hp hígidos, longevos, e 450 Nm de torque, a respectivas 5.800/6.000 e 1300/4500  rpm. A mágica dos números e a larga faixa de produção está no pacote completo em tecnologia para atender leis de consumo, emissões, colocar o comprador como amigo do meio ambiente.

O abundante torque em baixa rotação, responsável pela viril aceleração, vem da soma de gestão eletrônica, duplo comando, 24 válvulas no sistemaValve Tronic – regulando a admissão de ar, substituindo a borboleta no corpo de injeção – comandos variáveis, turbo com dois rotores, um para baixas-médias, outro daí até as altas rotações, e injeção de combustível direta na cabeça dos pistões. É hoje o pico do pacote de tecnologia economicamente disponível, em crescente adoção, iniciando maciçamente pelos alemães. Permite troca marchas em baixas rotações pela transmissão automática – ou à vontade do motorista, até 6.000 rpm. Se arrancar assim ficará surpreso com 1750 kg, distribuídos por 5,007 m de automóvel, acelerar de 0 a 100 km/h em 5,4 s.! Velocidade final cortada a 250 km/h.

Impôs vontades, as coisas acontecem, o vigoroso e uno vrumm do motor se manifesta auditivamente. Frequente e sequente, reta permitindo estamina, sinalização de curva à frente traçada por algum burro enjoado há muitos séculos. A alavanquinha sob o lado esquerdo do volante com 38 cm de diâmetro, é acionada junto com o freio. A redução, digamos de 8ª. para 4ª., a cada puxada faz o motor acelerar sozinho, como casando hipotéticas engrenagens. Quatro discos de freio, ABS e gestão eletrônica, seguram o automóvel, e o ruído do motor chamado às rotações pelas marchas reduzindo a transmissão, avisam haver alguém muito hábil ao volante do Grand Coupé. Direção precisa, elétrica, suspensão independente nas 4 rodas, com peças em alumínio, fazem-no acatar o condutor. É bom para acelerar, para fazer curvas, reduzir, e tem utilidades como o volante passando leve tremor se você sair da faixa sem dar sinal – interpretado como distração, sono, e chama sua atenção.

O meio ambiente para a condução é agradável, elegante, painel envolvente unido ao console. Embora choque as atuais preferências nacionais pelo preto, é couro havana, costuras duplas em largos pontos brancos, bancos em creme claro e faixas em havana – os de boa memória lembrar-se-ão do refinamento atrevido dos Simca Présidence e Rallye. Eles embutem almofadas de ar nas laterais, e regulagens elétricas nos frontais. Alcantara – novo nome para camurça fina - reveste o teto. Para abstração, som Bang e Olufsen, cortina elétrica para o vidro traseiro, opção aos laterais, central de informação e GPS, ar condicionado eletrônico, duas zonas para todos.

Então - Estilo marcante, de bom senso amenizando planos e cortes das propostas de Chris Bangle, o designer norte- americano que sacudiu a BMW há alguns anos. A frente é desnecessariamente avançada por razões estéticas, para parecer maior e mais agressivo, combinando com as linhas fluídas. Atrás, porta-malas profundo, tampa curta planta a desejada dúvida entre sedã e cupê. Grand Coupé é pretensão de estilo e mercado, sugerir esportivo com quatro portas.

Dos 5,007m de comprimento, 2,968 m deles entre-eixos, 1,894 m de largura e 1,392 m de altura dão conforto de rolagem e interno. No console, abaixo da alavanca das marchas, botão altera a condução entre Conforto e Esporte ao endurecer amortecedores e ampliar a faixa de rotações do motor para a mudança das marchas. Conforto atende às demandas. Esporte é jogo duro.

Tal conteúdo instigante, extremamente bem acertado, é definidor: não se destina a usuário de motorista, mas aos que gostam de dirigir e apreciam boa engenharia e suas reações para condução. É Carro-de-Patrão.

Em venda mundial, entre versões A6 e A8 Audi; E e S Mercedes. Em casa, entre as Série 5 e 7. O pacote de opções de cada versão, pode fazer o 640i custar menos que um Série 5 equipado, ou superar um Série 7 mais simples.

No último trimestre, o 650i, V8, 4.395 cm3, dois turbos presos no V a 90 graus, fazendo 450 hp e 650 Nm em torque. 0 a 100 km/h em 4,4s. Aí, arranhará outro sedã, o Porsche Panamera. Belicosos, os alemães começam as brigas em casa.

Aqui - Vendas ao final do ano. Preços indefinidos por falta de clareza ou estabilidade do Governo quanto à aplicação do recente adicional de 30 pontos percentuais sobre veículos importados. Valerá o conceito: entre os Audi A6 e A8 e Mercedes Classes E e S. BMs 5 e 7.

Audi A4. Muda muito, mas não parece - É o cavalo-de-batalha da Audi, de maiores lucros da marca e avaliza devaneios nos modelos maiores e riscos nos menores – como o mal sucedido A2, sem matar a coragem para fazer o A1.

Em 40 anos, desde o A80, superou vender 10 milhões de unidades, e comunizar peças com equivalentes Volkswagen traçou o caminho de marketing e engenharia – ser a referência tecnológica superior à VW.

Mudou pouco externamente, faróis, grupo óptico posterior, aprimoramento mecânico, confortos, segurança, e resultados em condução esportiva.

Configuração mecânica com motor transversal, quatro cilindros, turbo compressor e injeção direta. Na versão Ambiente 180 cv de 4.000 a 6.000 rpm e 320 Nm de torque das 1.500 às 3.900 rpm, transmissão com polias variáveis, dita Multitronic, com oito velocidades referenciadas. Versão Ambition, mais 31 cv, caixa mecânica com duas embreagens, sete velocidades, chamada S-Tronic.

S indica tração total. Suspensão independente, Multilink com cinco braços na dianteira, trapezoidal na traseira.

A atualização deu ao interior volante mesclando couro e alumínio, e na área de eletrônica, centro de divertimento, GPS e comando por voz. A direção tem assistência elétrica, solução nestes dias em que os automóveis são desenhados pelos burocratas redatores das normas de emissões e consumo de combustível. Pacote comuns a estrangeiros deste porte: bancos frontais com ajuste e memória, piloto automático, sensores de luz e chuva, teto solar, freio de estacionamento por botão eletro-mecânico, pacote de som e interfaces com o exterior. R$ 149.700.

Quando se vê carro que ao mundo é para classe média mas no Brasil para quase ricos ou milionários, é de se pensar sobre a eficiência da legislação de impostos em nosso país. E, em que pese a omissão e a trapalhada dos importadores no trato com o assunto, há dúvida sem explicação: pagar mais que o dobro em relação aos outros mercados não é poupar os nacionais da concorrência, tornando-os apenas caras neo-carroças ?

Shelby. Foi-se o homem, fica o mito - Quase 90, foi-se Carrol Shelby, o vitorioso norte-americano há décadas proibido de continuar correndo de automóveis por sua saúde delicada. Orgulhosamente texano por seu chapéu de vaqueiro, ganhou muitas corridas, ficou doente, enfartou, sofreu transplantes de coração e rim, mas no que se meteu deu certo. Era o vitorioso que ante as dificuldades se re-inventava.

O nome Cobra logo o associa. É fato. Para ganhar corridas tomou um inexpressivo AC, esportivo inglês, e enfiou-lhe um motor Ford V8 de 289 si. Deu certo e o automóvel evoluiu, ganhou muitas corridas, virou ícone dos mais copiados em todo o mundo. Não perdeu o fio, iniciou re-fabricá-lo. Hoje os originais são clássicos pós-guerra e quanto os novos tem elevados preços.

Quando a Ford resolveu derrotar a Ferrari, chamou-o para ajudar no como fazer. Fosse por reconhecida competência, ou por antiga abrasão com Enzo Ferrari – quis contratá-lo como piloto, porém sem salário – Shelby foi e auxiliou a criar o GT 40, derrotando a Ferrari três vezes seguidas nas 24 Horas de Le Mans. Para refaze-lo em 2002, chamou-o como consultor.

Criou o mítico Mustang GT 350; o Mustang Shelby, - desprezou o logo do cavalinho correndo, substituiu-o por ofídio pronto a dar o bote, dando-lhe nome latino; fez consultoria à Chrysler na construção do Viper – víbora, outra cobra; voltou à Ford.

Bem sucedido, amigo dos amigos, sem deslumbramento, mantinha uma fundação para auxiliar crianças sem saúde a tentar o que fez: vencer a morte por décadas, indo-se em idade superior aos saudáveis que não precisaram lutar.

Roda-a-Roda

Fim – A De Tomaso, pequena fabricante criada pelo polêmico e criativo argentino Alejandro De Tomaso, em nova crise. Hoje de Gian Mario Rossingnolo, ex-presidente da Lancia, assumiu a marca; uma fábrica Pininfarina; 1.500 funcionários da Delphi italiana; criou o medíocre Deauville, e saiu buscando grupos de investidores, incluindo os sempre lembrados chineses.

Próximo – Nada aconteceu, o equivalente do BNDES italiano não compareceu, a empresa tem passivos a liquidar, empregados a demitir.

Alemão – Após início argentino, balão de ensaio para entrada na seara dos picapes, a Volkswagen dividiu produção do Amarok com a fábrica de Hannover – onde faz linha comercial e pinta o Porsche Panamera. De lá, 40 mil unidades/ano para Europa e África, cortando o barato da Argentina, restrita ao mercado latino americano.

Bravo – À venda, a modelia 2013 marca evolução, mais equipamentos e inteligência no câmbio Dualogic. Manobras sem acelerar; decisão de não mudar para marcha maior se perceber hesitação do motorista; mudanças cada vez mais suaves. Sem repasse da evolução: Essence 1.8 16V a R$ 57.150; com Dualogic 1.8 16V + R$ 2.640; Absolute Dualogic a R$ 66.830 e T-Jet, turbo e câmbio mecânico 6 velocidades R$ 71.950.

Quebra-cabeças – Não é quebra-molas, lombada, mas ondulação transversal o calombo que a administração municipal, estadual ou federal planta nas ruas e estradas. Pretendem controlar a velocidade, mas apenas causam redução de média horária, aumentam consumo e poluição, danificam veículos.

Solução - Anti engenharia, são legalmente o último meio para resolver problemas de trânsito e devem ter acompanhamento de, no mínimo, um ano para saber dos resultados. Você conhece algum estudo de engenharia para implantá-las ou mante-las ? Se ilegais, que tal denunciar o Diretor do Detran ao Ministério Público ?   

Solução – Queda de vendas pelo maior rigor bancário no fazer financiamentos levou a indústria automobilística pedir solução ao Governo. Sairá quando a redução no recolhimento do IPI minguar a entrada de recursos, e ameaçarem demitir metalúrgicos em São Bernardo do Campo, SP. Nas medidas, o usual é reduzir impostos. Ou, no caso, Banco do Brasil e Caixa Econômica assumir financiamentos, tipo Meu carro, Meu sonho ...

Mercado – Queda de vendas fez a Peugeot reagir: os 207 com entrada de 50% e prestações de R$ 499; com 55% de sinal e R$ 499 para o 207 três portas; Sedan e SW a R$ 36.990. No 408, câmbio automático de 4 velocidades sem aumento de preço, com a versão intermediária Feline a R$ 59.990.

Medida - Valem para maio e, medida de importância, a campanha de publicidade foi aprovada pessoalmente pelo presidente Fréderic Drouin.

Resposta – Se a Peugeot perdeu vendas e reduziu juros, a Renault vendeu mais e, para não baixar o embalo, zerou-os para Duster, Fluence, Logan, Sandero, Megane Grand Tour e Symbol. Clio, Kangoo e Master, de fora.

SEU VEÍCULO | DE CARRO POR AÍ | ROBERTO NASSER |   SETA  Quarta-feira, 09 de maio de 2012 - Coluna 19 / 2012

Urban, breve, o EcoSport da Peugeot

            Desde que a Ford criou o conceito há quase uma década, gerentes gerais e diretores nas sedes das montadoras instaladas no Brasil, metade do mercado da América do Sul, querem saber porque, diabos, afinal, não há concorrentes para o solitário e lucrativo líder. A Renault demorou, mas foi a primeira a reagir com o Duster, disputa liderança, navega em mar de Almirante no patamar de preços inventado pelo Eco.

Curiosamente as outras antigas no mercado não se mexem. VW, GM, Fiat não atendem as exigências que agradam aos compradores.

Como não há bem que sempre dure nem mal que não se acabe, o segmento começará a ser frequentado por outras marcas. Próxima, a Peugeot terá concorrente baseado no conceito Urban, criação para mercados em expansão por designers da marca sediados em Paris, Xangai e S Paulo.

É atrevido, elegante em linhas, sem pretensões de vender imagem de grandes capacidades extra asfalto. Não será para arrancar toco, mas ser charmoso como o foi o Peugeot 206, então sucesso da marca no país.

Há similaridades, o Urban será montado sobre plataforma do 208, próximo lançamento da marca, sucessor do 206/7.

No périplo de sondagens, após Xangai estará no Salão de Paris e no de S Paulo em outubro, pavoneando-se, plotando lançamento próximo. Não se espere um veículo grande, portentoso, como o Duster comprido em 4,34m, O Urban será 20 cm menor, assumidamente um urbano simpático, sobre a plataforma da família de base da Peugeot, feito em Porto Real, RJ, e com a proposta de dimensões urbanas, aparentando robustez, com imagem de elegância, e habilidades de compacto para as exigências das cidades. A Peugeot quer o mesmo visual atrativo que conseguiu ao apresentar o 206.

Mercedes refaz Juiz de Fora, expande importância – e planta dúvidas - A moderna fábrica da Mercedes em Juiz de Fora, MG, antes dedicada aos automóveis, foi inteiramente reformulada para produzir caminhões. Nova em processos, mais atualizada dentre as plantas da marca, dispensa correntes transportadoras, substituídas por faixas pintadas no solo, transmissoras de energia aos 40 carrinhos – AGVs – portadores dos chassis em montagem.

Produtiva em dois dígitos superior (de 10 a 99%, quem arrisca ?) à unidade de São Bernardo do Campo, graças ao cruzamento de vantagens e problemas de processos, pelo implantar fornecedores que entregam conjuntos prontos na linha de montagem, permite flexibilidade e produtividade, informa orgulhoso o, apesar do nome, brasileiro Ronald Linsmayer, vice presidente e chefe de operações. Tal sistema permite fazer o Actros, o grande e equipado Caminhão-do-Patrão, com peças alemãs, e o Acello, substituto do antigo Mercedinho, com partes feitas em SBC, e deste exporta cabines para equipar o indescritível Unimog, mistura de Jeep com cabrito montês. Inova em ter produtos tão diferentes na mesma linha de montagem. Dois extremos.

A nova unidade amplia a presença da Mercedes na América do Sul, respeito consequente ao fato de o Brasil ser o maior mercado mundial para caminhões e ônibus da marca, formando a maior operação do segmento no Continente. Daí, assume formalmente o controle dos negócios continentais – a produção da linha Sprinter na Argentina, linha de montagem de ônibus na Colômbia, importação das muitas marcas sob a frondosa árvore alemã.

Marco interessante no processo é que a Mercedes aproveitou as boas experiências diretas com fornecedores como o Consórcio Modular na VW Caminhões, e os processos Fiat e Ford, mas difere no final, montando diretamente as peças e conjuntos no veículo. Não abre mão de aplicar seu DNA de engenharia na produção, com Maxion, Randon e Seeber, instaladas na planta, fornecendo os componentes na linha de montagem.

Dúvida - Fábricas de veículos tem ponto comum com aeroportos. Quando se instalam há um nada em volta. Logo em seguida começa a venda de áreas lindeiras e, sem controle a vizinhança sufoca o empreendimento pioneiro. Quando a Mercedes se instalou em São Bernardo do Campo, o nome dizia tudo. Uma pequena fazenda, 1.000 m2 abrigou a fábrica. Método antigo, a Mercedes faz quase tudo em casa, incluindo estampar latas, fazer motores, transmissões, montar tudo.

Na imprensada SBC não pode mais se expandir, tanto por não dispor de mais área própria, quanto por não ser permitido pelo zoneamento em proteção aos neo-ocupantes.

A operação em Juiz de Fora faz-se na BR que liga Brasília ao Rio. Quase três vezes maior; metalúrgicos com menor custo; cada um faz mais caminhões que na matriz maior produtividade, dado chave no negócio. A Mercedes não fala, não comenta, poupa-se, mas parece claro, a tendência da balança é pender para o lado mineiro, esvaziando o paulista.

Os números em atividade industrial são como as cartas para os crentes em tarôs e afins: não mentem jamais.

Porque saiu o presidente da Ford ? Marcos de Oliveira, engenheiro, 52, monoemprego na Ford, larga experiência, ex presidente de operações no México, África do Sul e Brasil, deixou a empresa.

Especulações várias da imprensa – queda de participação no mercado; redução da remessa de lucros à matriz; desentendimento com Elena Ford, herdeira que esteve no país há 15 dias – não se mostraram sedimentadas. Afinal, carreiras de executivos reconhecidos não acabam por motivos fúteis. E razões assim são as citadas. A Ford Brasil foi extremamente rentável nos 33 trimestres, incluindo os presididos por Oliveira, com percentual de lucros muito superior à representação do investimento no Brasil relativamente ao valor da companhia. A redução é conjuntural e geral, mas a Ford dá e remete lucros. E foi sob sua gestão o rentável processo de comprar a Troller, mudar a base legal para o Ceará, prolongar os incentivos tributários, desfrutar de invejável diferencial.

O Fico - Segundo fontes acreditadas da empresa no Brasil e EUA Oliveira, discreto, modesto sem utilizar a autoridade do cargo, manso como um mineiro, saiu por decisão pessoal. Funcionário da matriz, ante ser transferido, na regra de rotação dos executivos - ser trocados a cada três anos, decidiu parar de mudar-se e ficar.

Está no posto há cinco – e há um milhão de unidades produzidas na fábrica de Camaçari, Ba –; fez todo o plano de desenvolvimento da empresa; da construção de nova fábrica de motores; mudança total na linha de produtos; no bom projeto de elevar a Ford a bom concorrente no mercado de caminhões.

Muito trabalho, muito lucro, bons resultados pessoais, mas a proposta de transferência não o seduziu após a temporada brasileira, e o convívio. A Ford fez pacote de aposentadoria precoce, valor ignorado. Oliveira não diz o que fará.

A saída tem reflexos internos, iniciando pela redução no espectro geográfico, político e econômico do cargo. Marcos de Oliveira, com ampla vivência intercontinental, presidia a Ford no Brasil e Mercosul. O sucessor, Steven Armstrong, sacado às pressas de uma fábrica de caixas de marchas na Alemanha, se-lo-á apenas para o Brasil, e a gestão Mercosul será exercida a partir de Miami.

Roda-a-Roda

Negócio – Joint-venture com a estatal Russian Technologies, a Aliança Renault-Nissan terá maioria acionária na AutoVaz, a grande montadora russa. Ou, mandará só. Saem Ladas, chegam Nissans.

Visão - Se a Aliança tiver humildade, mandará aplicar sua tecnologia aos jipes Niva para re-editar o sucesso dos Jeeps Willys no pós Guerra, conquistando inúmeros mercados pobres e com estradas ruins. Se fizer xiitismo perderá oportunidade. O Niva é um projeto brilhante, criador dos pequenos SUV.

Solução – Dúvida no Brasil: se a Fiat exumar a marca Alfa, como fica o convívio no mercado ? Talvez a Austrália sirva de inspiração. Lá, a filial Chrysler distribui Fiats, Ivecos pequenos e Alfa Romeo. Aqui, como os do meio tem operação própria, as pontas podem se encontrar.

Crescimento – Primeiro trimestre a Mercedes-Benz bateu recorde mundial de vendas em automóveis: 338.300 unidades, vendas de E 14,B, insufladas nos mercados europeu e norte-americano. Neste, sinal dos tempos: as maiores vendas foram de Classe C.

Fim de ciclo – Aprovado pelo Detran de Nevada, EUA, o primeiro carro auto dirigido do Google, após testes em cidades e estradas. Câmaras de vídeo, sensores de radar, lasers, banco de dados montados em Toyota Prius; tecnologia pelo VP da Google e professor da Universidade de Stanford Sebastian Thrun. O caminho de reconhecimento está aberto e a razão maior para os carros sem motorista são os desastres por falha humana. Mais ? http://www.autonews.com/article/20120508/OEM04/120509887#ixzz1vnMe7Uls

Mais, menos – No projeto de retomar liderança pelo incremento de venda de todos os seus produtos, a Volkswagen aumentou conteúdo e reduziu preços na linha 2013, em lugar de alterá-los visualmente. A redução, na prática: Polo Hatch, $ 1.300; sedan R$ 1.900; Golf R$ 1.400. Há que se lembrar que a estação está para a caça.

Atacadão – Implantando fábrica na Bahia a JAC Motors faz encontro para fornecedores de auto-peças conhecer necessidades, critérios empresariais, apresentar 3P: produtos, palpites, preços.

Oportunidade – A fim de representar veículo charmoso, performático, e que fala por si só ?

A Mc Laren procura distribuidor no Brasil. Faz parte do Projeto Great, de expansão de negócios da Inglaterra, surpreendida ao ver que bancos, financeiras e seguros respondem por 77% da economia. Indústria 22,1%, agricultura pífios 0,9%. Negócio calmo, fila de espera de 2 anos.

Pra cima – Festeja a Renault seu melhor quadrimestre comercial em crescimento de 29,5% frente ao período em 2011. Na prática chegou a 6,8% entre todas as vendas de veículos leves no mercado doméstico. Os números convergem. As três líderes tem perdido participação para todas as outras.

Hora – Desequilibrou a relação entre produção e vendas de veículos. Assim, estoques grandes, em fábricas e revendedores. Se pretendes, pesquise, pechinche pois pequeno preço pinta. Agora é hora de vender.

Mercado – Ocorre o previsto pela Coluna. Soma de prestação, manutenção, IPVA, despesas escolares, há proprietários de veículos financiados que os passam a custo zero, para se livrar dos compromissos.

Cautela – Alguns, práticos, anunciam: passam e pagam a transferência no Detran para não responder pela inadimplência alheia.

Razão – O estudo "Reintegração de Posse e Democratização do Crédito" examinou 17 mil contratos de financiamento feitos por bancos no Brasil, em 2003 e 2005 concluindo, a mudança legal permitindo rápida venda dos carros apreendidos pelas instituições financeiras e seu refinanciamento, foi a alavanca de crescimento do mercado a partir de 2004. Autores, Juliano Assunção e Fernando Silva, da PUC-Rio e Efraim Benmelech, da Universidade de Harvard.

Meio ambiente - O Senado aprovou projeto exigindo que fabricantes e revendedores divulguem informações sobre emissões e consumo. Rito terminativo, vai a Plenário. A exigência valerá também para veículos usados.

Luz – Lâmpadas com tecnologia LED para faróis e cabine lançadas pela Osram, multi do setor. Gastam 80% menos de energia, e nos faróis tem efeito branco brilhante. Boa notícia, desvia os irresponsáveis que adaptavam lâmpadas de xênon em faróis comuns e conseguiam luz azul na moda porém ofuscando motoristas, procedimento proibido pelo Denatran.

Lei – Vão em faróis comuns, desenvolvidas para trabalhar em base de lâmpadas halógenas – os faróis de iodo. Apenas em 12v e a médios R$ 80.

Oportunidade – Agosto, 13 a 17, curso de aperfeiçoamento em motores na Faculdade de Negócios Adolfo Ibañez, em Miami, EUA. Promove a Miig, com tradução simultânea e acompanhamento de coordenador fluente em português. Objetivo, banho cultural, atualização, entendimento. Mais ? www.miig.org

A Jato – Tens muitos US$ 22M e quer aplicar esta UPC? A Hawker oferece seu jato super-midsize por este valor. Refinamentos tecnológicos como fuselagem em fibra de carbono e capacidade de voar de S Paulo direto a qualquer cidade da América do Sul, ou Europa e EUA com apenas uma escala.

Ecologia – Doze capitais avaliadas pela situação de suas calçadas, nenhuma chegou ao mínimo de conforto, inclinação, nivelamento, aptidão pare receber cadeirantes. Quer ajudar a consertar isto com mais respeito da administração pública pelo contribuinte ? Fotografe e mande www.mobilize.org.br/campanhas/calcadas-do-brasil/mapa

Gente – Cledorvino Belini, 62, administrador, presidente da Fiat e da Anfavea, premiado. OOOO Executivo de Valor pelo jornal Valor Econômico. OOOO Jürgen Ziegler, 56, presidente da Mercedes-Benz do Brasil, promovido. OOOO CEO para a América Latina em nova divisão de negócios – Daimler América Latina. OOOO Resolve tudo nas marcas da Mercedes – Fuso, Freightliner, Thomas Built Buses, Western Star e Detroit Diesel em 43 países da região, exceto Brasil, Argentina e México.

SEU VEÍCULO | DE CARRO POR AÍ | ROBERTO NASSER |   SETA  Quarta-feira, 02 de maio de 2012 - Coluna 18 / 2012

Blue Motion, o esforço ecológico da Volkswagen

            Tomar iniciativas de preservação ecológica é no mínimo, postura racional. Cuidar do meio ambiente é se preservar. A opção ultrapassa a barreira de ser simpático ou formar boa imagem. É básico para desenvolver tecnologia, abrir caminho, traçar opção a clientes cada vez mais preocupados com o meio ambiente. As vendas destes veículos não são expressivas e talvez falte treinamento aos vendedores ou fomento de divulgação pelas montadoras mais direcionadas neste segmento. No Brasil apenas VW e Fiat tem versões que se podem chamar verdes, para diferenciá-las das demais, comuns.

No caso da VW o poderoso Dr Joseph-Fidelis Senn, Vice Presidente de Recursos Humanos quer fazer da empresa a montadora mais ecológica do país, baseando sua ação em três pontos: produtos mais econômicos, recicláveis; processos, com redução nos consumo industrial, especialmente água. Inovação no setor, a VW participa de duas PHC – Pequenas Centrais Elétricas – visando produzir a própria energia. E pessoas, esclarecidas quanto à necessidade, comprometidas com o objetivo.

Fox e Crossfox sequenciam Polo e Gol G4, mantendo a postura de equilíbrio. As modificações elevam preços em 3%, porém permitem amortizar este custo em 2 a 2 1/2 anos, rodando 30.000 km anuais. Na prática o usuário de um destes fica bem na foto sem custos adicionais. A metodologia de aferição é a Norma BR 7024 e por ela a média de redução é entre 10 e 12%. Testes em estradas paulistas, a uns 600m de altitude, dentro da velocidade máxima permitida, e na maioria do percurso em nível, a economia chegou a 20%.

Mudanças - BlueMotion tenta passar a imagem da VW, identificada com a cor azul, e o sufixo tradutor no movimento. É projeto mundial, inclui novos motores e por ele e pela legislação forçarão mudança geral.

Aqui, por enquanto, focam em cuidados aerodinâmicos, incluindo adição de complementos, mudança no formato da grade com aberturas mais estreitas. O motor EA 111 mantém as mesmas características, 1.600 cm3, 104 cv a álcool ou 101 cv com gasolina, e a VW mudou as relações da caixa de 5 velocidades e do diferencial, alongando em torno de 20%. Na prática, menos rotações – e menos consumo e emissões. O conjunto inclui os ditos pneus verdes, nada com a cor, mas com o conceito. Mais sílica na composição, medida de 175/70/14, pressão aumentada de 29/28 para 36/34 PSI - que os postos de combustível simplificam para “libras” - amortecedores com mais pressão, reduziu a resistência ao rolamento em 23%.

Um instrumento no painel orienta o motorista, sinalizando o consumo imediato e indicando se, pelas condições de uso – demanda, inclinação da via – pode ser engatada marcha superior, reduzindo o consumo.

Comercialmente e para aumentar a clientela, o Fox BlueMotion é oferecido em sólidas Branco e Preto, com metálicas Prata, Cinza e Azul. Dentro tecido azul. Ao lado da etiqueta verde indicadora de consumo, presente nos carros, é mais um indicativo para o comprador consciente com a ecologia.

Willys, Brasil, 60 - Algumas comemorações marcaram o passar de 26 de abril, assinalador de seis décadas da instalação da Willys-Overland do Brasil. Merecidas. Se o caro leitor tem menos de 30, pouco sabe da referência. Porém, se mais erado, com certeza identifica-la-á com valentia, resistência. Na essência nenhuma das marcas brasileiras reuniu tantas referências de pioneirismo e criatividade.

Na prática estava aqui desde o pós-Guerra, representada por Euclydes Aranha, filho do chanceler Oswaldo Aranha, montando no Rio de Janeiro, RJ, cerca de 200 unidades mensais. Em 1951 a Willys instalou escritório e percebeu que as perspectivas de negócio eram muito mais amplas, assumindo a gestão da marca no citado 26 de abril, ainda no escritório da av Churchill, no Rio de Janeiro, capital federal.

A decisão de mudar o passaporte ocorreu em 1953, e após pesquisa deu-se em 1954, quando participou ao então Presidente Vargas que iria reduzir a produção norte-americana, dividindo-a em duas operações grandes na América Latina, na Argentina e no Brasil. Não veio para montar carros importados em partes ou ser filial, também não era mono produto baseado em apenas uma plataforma, mas uma operação de fábrica, aberta a negócios.

Daí, sobrevoou o entorno de S Paulo, então menor que o Rio de Janeiro, atraída pela facilidade de contar com nascente e maior parque de auto-peças. O piloto do bi motor de Edgar Kaiser, controlador da empresa nos EUA, sugeriu um pequeno planalto em São Bernardo do Campo, cidadezinha agrícola, com produção de tijolos e telhas, Kaiser aceitou a indicação, e por ela nomeou o piloto seu representante pessoal no negócio. Ficava no km 13, 10 antes de duas outras pequenas operações de montagem de veículos Chrysler e Nash, e a fábrica, pequena, nasceu efetivamente em 1954. Volkswagen, Mercedes, Scania, Toyota, e outras grandes viriam depois, Assim, trouxe enorme ferramental. Chamou os distribuidores, então sete associados ao grupo de Aranha, e que recebiam os Jeeps em caixotes Brasil afora e os montavam, transformando-os em sócios. Logo colocou ações na praça, e em pouco tempo era uma empresa brasileira, com mais de 50% dos títulos em pulverizadas mãos nacionais.

Processo expansionista, a matriz enviou para cá Hickman Price, não-engenheiro especializado em operações internacionais. Veio, moldou, logo comprou a fundição das Máquinas Piratininga, em Taubaté, SP, fazendo o que engenheiros norte-americanos diziam impossível – vazar motores no Brasil, pois o clima tropical não daria bom comportamento mecânico aos metais. Foi o primeiro motor a gasolina feito localmente. Price, bom de serviço, foi para a Mercedes-Benz ser presidente e, logo após, levado aos EUA, ministro do governo Kennedy.

O piloto de Kaiser era do time. Engenheiro, ex combatente na Guerra da Coréia, tinha visão, capacidade de decisão e rapidez para acertar o alvo. Deu certo como diretor e depois como presidente da Willys. Chamava-se William Max Pearce, e foi das ferramentas mais importantes na implantação da indústria automobilística nacional. Inquieto, criativo, dinamizou o negócio.

A Willys e seus produtos se adaptaram maciamente às agruras das exigências nacionais com seus Jeeps, Rural, picape Jeep. O Jeep foi, durante alguns anos, o carro mais vendido do país. Em 1959, associada à Renault, iniciou produzir o pequeno sedã Dauphine – e também a aproximar veículos frágeis da inimaginável realidade brasileira da ausência de asfalto, estradas, gasolina falsificada, mecânicos sem compromisso acadêmico ... Logo em seguida, exumou o Aero Willys, descontinuado nos EUA porque relativamente aos concorrentes Ford, Chrysler, Chevrolet, era menor, tinha motor pequeno – o seis cilindros 2.600 cm3, 90 hp – rolar áspero. Tudo que o Brasil precisava. Renascido, o Aero foi sucesso por suas dimensões, equilíbrio entre consumo e rendimento, resistência.

Novidades outras, Pearce adquiriu ‘a francesa Alpine os direitos de aqui produzir o A 108, chamou-o Interlagos incorporando-o à primeira equipe profissional de corridas. Ela fomentou desenvolvimento de tecnologia aplicando-a aos veículos, e foi berço rico dos jovens pilotos nacionais – Luizinho Pereira Bueno, Emerson e Wilson Fittipaldi, José Carlos Pace, Bird Clemente, enorme e qualificada leva, a maioria formando base para futura experiência internacional. E com o pequeno Interlagos ganhou corridas de velocidade, fato inexistente na França, onde era carros para rallyes.

Fazia movimento personalizando produtos. O Jeep teve angulado o corte dos para lamas traseiros. A Rural deixou a cara mundial e ganhou novo desenho, e o velho Aero, em 1963, de roupa nova apresentada no Salão de Paris. Não havia piração de vende-lo na Europa, mas representou tremendo cartão de visitas para a nascente e desconhecida indústria automobilística brasileira. As latas eram desenho de Brook Stevens, festejado designeramigo da família Kaiser. Mas o desenvolvimento mecânico, de aumentar a potencia modificando cabeçote e coletores foi local e exclusivo. Nesta praia também o foram o desenvolvimento do Interlagos, a transmissão com quatro marchas sincronizadas, a suspensão dianteira independente para Rural e picapes, o motor de 3.000 cm3, e atrevimentos automobilísticos como o esportivo Capeta, projeto abortado pelas condições econômicas pós Revolução, e a primeira – e única – limousine feita por uma fábrica de automóveis, o Itamaraty Executivo. Fez mais. Não tinha gerente de estilo, mas um diretor, Roberto Araújo, com assento na mesa diretora. E foi a primeira a adquirir antigos veículos da marca para preservar sua história – os automóveis, Overland 1906, Willys Knght 1928, Willys Whippet 19290 e o Capeta estão no Museu Nacional do Automóvel, em Brasília. Dentre as ações pioneiras inclui se a descentralização industrial, iniciada com a produção de motores e transmissões em Taubaté, SP, e visão superior, instalar linha de montagem em Jaboatão dos Guararapes, próxima a Recife, PE. Interessantemente foi a instalação adquirida pela Fiat como tíquete de entrada para o novo regime automobilístico do nordeste para implantar sua nova usina.

Dentre as montadoras sem matriz para desenvolver tecnologia, era a única com previsível renovação de produtos, preparando um carro médio, e um pequeno econômico, os Projetos M e E. Entretanto, o governo da Revolução desdisse os compromissos de instalação, baniu o desenvolvimento tecnológico por empresa nacional, fomentou fusões com fábricas maiores. Ante a mudança das regras o comando do maior grupo de ações recolheu o flap dos investimentos para uma completa mudança na geração de produtos, e Edgar Kaiser, maior acionista, estava em outra, olhando o mar do Havaí, quando ouviu proposta da Ford. Uma curiosidade, gigante nos EUA porém pequena no mercado brasileiro, adquiriu as ações de Kaiser na Willys, a segunda fábrica de veículos no Brasil. Assumiu, tornou-se a maior detentora percentual, passou a mandar. Em linguagem prática, o ovo comprou a galinha.

Junto recebeu uma fundição atualizada e, melhor, a rede de distribuição mais ágil do Brasil, única onde os revendedores eram sócios da montadora.

A Ford descartou o Projeto E entretanto manteve o Projeto M, batizando-o Corcel. Acabou com Gordini e Interlagos. Preservou os automóveis Aero e Itamaraty, fazendo simbiose de peças agregando as comuns com o Gãlaxie. E manteve os comerciais Jeep, picape, Rural, sempre de boas vendas. Encerrou o Jeep em 1981, após 33 anos de produção no país.

Foi a fábrica de veículos com a história mais rica e criativa no Brasil. A única que deixou registros sólidos, como nome de batismo em muitos cidadãos no interior, uma identificação com a insólita valentia dos produtos da marca. Max Pearce faleceu há poucos anos, com mais de 80, em forma para dirigir Lamborghinis e pilotar seu pequeno avião particular. ( Roberto Nasser, admirador de história, proprietário de alguns Willys)

Roda-a-Roda

Pimenta – Seu negócio é T grande automobilístico, estamina, competência e meios ? Seu carro vem aí: Audi A1 com mecânica de veículos maiores, disponível na linha de montagem: motor 2.0 TSI com 256 cv, câmbio mecânico 6 velocidades, tração total por percepção de demanda. Rápido – 0 a 100 Km/h em 5,7s; veloz, final de 245 km/h reais. Seguro. Exclusivo, em 333 unidades mundiais. É o Premium Premium. Preço ? Se perguntou não é o cliente ideal ...

Negócio – Para equilibrar sua balança de pagamentos, a Pirelli Argentina compensará importações exportando mel. Em nova fábrica produzirá pneus para caminhonetes – VW Amarok, Toyota Hi-Lux, Ford Ranger – segmento que a Argentina é forte.

Jogo duro – Para saber exatamente o quanto gasto com auto peças importadas, o governo argentino pediu planilha de custos às montadoras. Aperta o parafuso, quer saber se pode haver substituição por partes nacionais.

Regulagem – Um certo Gabinete de Ética do governo chinês determinou aos organizadores do Salão do Automóvel de Xangai, que compusesse algumas modelos. Haviam exageros, com algumas moças siliconadas, semi nuas, outras expondo mais que o limite de exposição. Um pouco de puxa, estica, costura deu jeito. Lá, acima de tudo, manda quem pode, obedece quem tem juízo.

Foi-se – O Citroën Xsara Picasso caiu do telhado nesta semana, interrompendo produção após 11 anos e mais de 100 mil unidades do monovolume inovador, líder de mercado, fundador industrial da marca no Brasil. Há que abrir espaço para o novo C4 Picasso à venda em junho.

Idem – Em matéria de telhado Meriva e Zafira estão no limite, com o início da produção da substituta Spin, mini van de sete e cinco lugares. Plataforma do Cobalt e o velho motor 1.8, 8 válvulas antes dividido com a Fiat. Linhas meio afurgonadas, concorrerá com Nissan Livina.

Negócio – A fim de um bom automóvel ? Últimas unidades do Xsara Picasso vendidas a preço atrativo.

Final – A Hyundai roda ostensivamente nas ruas paulistanas com o projeto HB, a ser feito brevemente em Piracicaba. É o Picanto da controlada Kia com mudança dos componentes decorativos – para choques, grupos ópticos – motores flex 1.0 e 1.6.

Onda – Quem manda no mercado é o Governo. Para fomentar a economia criou o carro 1.0 com impostos baixos. Vendas há 10 anos representavam 70% do mercado. Agora, com distância tributária menor para os acima de 1.0, incrementa a razão, menos de 40%. Vamos combinar. 1.0 foi ótimo para alavancar o país, mas é grande para uso urbano e sub potenciado – e perigoso para as estradas.

Promoção – Para instigar interesses sobre o novo EcoSport, que surgirá apenas em julho, a Ford usa as redes sociais. Em sua página no FaceBook criou aplicativo pelo qual é possível fazer um passeio com amigos. Afim ? https://www.facebook.com/?ref=logo#!/FordEcoSport/app_258761117544373.

Mais duas – Montagem cosmética em Manaus, a BMW colhe bons resultados, vendendo mais de quatro mil unidades da G 650 em pouco mais de dois anos de operação. Ampliar o leque com versão off road dita GS Sertão. Suspensões com maior curso – 21 cm; mais 7 cm na distância entre-eixos, melhor comportamento. A R$ 32.800.

Lei – A Euro 5, aqui Proconve 7, regulamentação de emissões dos motores diesel em vigor industrial dia primeiro de abril exigiu mudanças e evoluções. A FPT, empresa Fiat, apresenta o F1C, com sistema de recirculação dos gases de escape, tratamento em catalisador, gerenciamento eletrônico e turbo de duplo estágio. Resultado, 10% mais de potência, 9% menos em consumo. 3.000 cm3, 4 cilindros, 16 válvulas, 170 cv a 3.500 rpm, 400 Nm de torque.

Carinho – Sujou as mãos fazendo mecânica? A Gienex lançou toalhas umedecidas, à base de babosa para limpar e hidratar a pele. Novidade no país, pacotes com 20 unidades descartáveis. Quer? http://gienex.webstorelw.com.br/

Atestado – O Inmetro, Instituto Nacional de Metrologia, aprovou os fluidos de freio Bosch, e a companhia se antecipa no cumprimento das regras de envase a vigorar em próximo 1º. de janeiro.

Ecologia – Fabricante de adesivos e plásticos de engenharia, a Artecola teve um dos cinco projetos inovadores reconhecidos pela General Motors. Usou bagaço de cana para fazer porta-pacotes a menor preço e mais ecologia, virou fornecedora mundial da marca.

Gente – Marcos de Oliveira, engenheiro, 50, desistiu. OOOO Deixou a presidência da Ford após carreira mono emprego marcada por êxitos nunca assinalados por brasileiro na empresa, dirigindo filiais na Espanha, África do Sul e México. OOOO Steven Armstrong, diretor da Getrag, fábrica de caixa de marcha na Alemanha, será o sucessor. OOOO François Alain Dossa, economista, francês, sintonia. OOOO Novo vice-presidente de Administração e Finanças da Nissan do Brasil. OOOO Era diretor geral do banco Societé Generale para a América Latina. OOOO Sidnei Alvares, formado em Tecnologia Mecânica e Negócios, novo diretor de RH da Nissan, mudança de clima e escala. OOOO Veio da GM, em Detroit, MI, EUA, morará em Resende, RJ. OOOO Carlos Alberto Oliveira Santa Cruz, apesar do nome, peruano, engenheiro com especialidade em Marketing, novo presidente da PPG, multi de tintas no Brasil, desafio. OOOO Em curto prazo fazer a empresa dar um salto no setor. OOOO

SEU VEÍCULO | DE CARRO POR AÍ | ROBERTO NASSER |   SETA  Quarta-feira, 25 de abril de 2012 - Coluna 17 / 2012

Mais uma gotinha do Novo EcoSport – agora o interior

            A Ford administra desafio interessante: seu produto outrora mais rentável e líder do segmento envelheceu, arranjou concorrentes, perdeu a liderança, obrigou-a baixar preço final, oferecer incentivos e bônus aos distribuidores. E o sucessor não está pronto, apesar de todas as projeções de sucesso, do orgulho de ser o primeiro produto global desenvolvido no Brasil. Mas não existe, e a Ford vive a dicotomia de apresentar o novo – e vender o antigo, com fim anunciado.

Gestão homeopática, em janeiro ofereceu a primeira pílula á imprensa: linhas externas. Quatro meses após, uma gota, o interior. Dose final prevista para julho ao colocá-lo em produção. A administração lenta é para acertar o passo com a imprensa sul americana relativamente às apresentações em Nova Déli, India, e Beijing, China, onde também serão produzidos e vendidos.

Na oportunidade a empresa mostrou os investimentos em equipamentos e formulações de montagem para acelerar processos, conter custos, aumentar a produção.

Global - Registro histórico, Eco I chamou atenção da Ford mundial para o que se poderia fazer abaixo do Equador, nesta área folclórica, colorida e animada chamada Brasil. Desenvolvido com outro pequeno utilitário esportivo europeu, chamado Fusion, este nunca disse a que veio, se estiolou, mirrou, foi-se. Ficou apenas o nome, transferido para automóvel. O Eco, projeto brasileiro, assumiu espaço, liderança, tornou-se extremamente rentável, viabilizou o Projeto Amazon, última tentativa da Ford com o mercado brasileiro. Fez mais sucesso que o marco cravado por Pedro Álvares Cabral 400 km abaixo de Camaçari, onde está a maior usina da Ford.

Panorama mudou, o Eco agora tem concorrentes como o Hyundai Tucson, superado, descontinuado na origem coreana, de onde vem suas peças, e o Renault Duster, falando a língua da resistência ás difíceis condições nacionais.

Aparentemente a Ford desafiou a equipe nacional a produzir algo interpretando os atuais cinco mandamentos da companhia para fazer veículos: perfil inovador; percepção de eficiência; linguagem refinada de superfícies, precisão técnica e identidade da marca.

Deu num produto bem composto em estética, conteúdo, oferecendo sensações agradáveis de espaço, toque, convívio, alegria aos olhos pela qualidade dos materiais e sua harmonia. Um conjunto para ser replicado nos BRICS, outros mercados em expansão. Parece ter conseguido a missão. O Eco II exibe-se maior do que é; oferece ótima posição de uso aos passageiros e ergonomia ao condutor; referencial aproveitamento interno apesar do porta-malas contido; cuidado no isolamento térmico e acústico, versões de decoração e conteúdo com GPS, sistema SYNC, aditivos de segurança. Duas motorizações iniciais, 1.6 e 2.0 Duratec. Neste, opção de transmissão automática e tração nas quatro rodas. E charme referenciado pela maçaneta de abrir a tampa traseira, embutida na lanterna.

Num resumo, oferece mais que o usual na categoria - Médio ? Superior ? Bom de preço ? Respostas pós lançamento. Mas os Eco trazem em si a marca, a medalha, o diploma irrevogáveis: o Eco 1 viabilizou a fábrica pelos ótimos lucros e chamou atenção para a qualidade do design e da engenharia brasileiras; o Eco 2 é consequência com impagável láurea: o primeiro produto desenvolvido no Brasil a ser produzido em outros mercados.

Como ficam as coisas na França - Se você acompanha a situação econômica, desemprego, a tentativa de articular a sobrevivência da União Européia e a eleição presidencial francesa, feita em campanha educada, sem horário obrigatório de TV, rádio, e com programas de propósitos e idéias, deve torcer pela continuidade de Nicholas Sarkozy, no duro desafio de ajudar a segurar a unidade do Euro, ou pelas propostas de François Hollande à base do muito pelo contrário.

Sem noção do que ocorrerá ao segundo turno em maio, com pequena diferença percentual, o atual, mesmo descompromissado verticalmente, detém insuspeita competência ao conquistar La Bruni, e isto é um atributo.

Porém as especulações da Coluna não focam na eleição presidencial, mas no tema automobilístico, e prediz coisas mais fáceis, como, por exemplo, os próximos Citroën.

Serão longos, largos, baixos, aerodinâmicos, ampla distância entre eixos, grande bitola no cultivar do DNA da marca, à base do atrevimento nodesign, no uso das luzes como elemento estético. E, como não poderia deixar de ser, surfar no acordo comercial com a BMW para motorização e buscar fórmulas de tração híbrida, com motor diesel ou gasolina para as rodas dianteiras e tração elétrica na traseira, jeito de fazer menores emissões gramas/quilômetros, lei, desafio e argumento de vendas na Europa.

Fique de olho no Numéro 9 – numérô nêf, como pronunciam. É conceito apresentado no Salão de Beijing, China, o maior mercado do mundo, um juntar de propostas instigativas e soluções acabadas. Tamanho, proporção, linguagem estética, arranjos de luzes, tudo está sinalizado e aparecerá brevemente em produtos da dinastia DS: sedã do segmento C Premium; um SUV; e um sedã topo de linha do segmento D. A inspiração básica é nas shooting brake, intraduzível embora reconhecível carroceria inglesa sobre sedãs, encomendas de nobres ingleses para caça – com comprimento interno útil para transportar armas de cano longo, e infelizes derrotados – pombos, perdizes, coelhos, lebres, raposas.

Somos membros do International Engine of the YearBrasileiro em júri internacional referencia o país - Apesar da vergonha institucional de ser o único país no rol dos grandes fabricantes de automóveis sem ter marca, projeto próprio, ou veículo adequado às suas características, o Brasil como base de produção e mercado de consumo tem várias medidas de importância. Mais recente, e fora do portão das fábricas, a presença dos jornalistas brasileiros no integrar júris internacionais, como o da FIPA, de profissionais latino-americanos; o COTY – Car of the Year – norte-americano; e o WCOTY,- World Car of the Year – com jornalistas de todo o mundo. Mais recentemente, no Motor of the Year, reunião européia de jornalistas com lastro técnico para indicar os melhores motores do mundo em 11 categorias. Do Brasil, único representante é Tarcisio Dias, engenheiro, editor do pernambucano sítio Mecânica Online®.

Jornalistas com base técnica, de 35 países escolherão, durante a EngineExpo 2012, em junho, Frankfurt, os melhores representantes das atuais exigências construtivas, de peso, eficiência energética, consumo, emissões, performance, significação tecnológica e para o futuro.

Disputa grande, independentemente da cilindrada, a láurea agrega enorme valor institucional à marca escolhida, como ocorreu ano passado, quando a melhor novidade, dentre motores performáticos e de nomeada – Ferrari, BMW, Audi, - foi o pequeno Fiat dois cilindros, 875 cm3, com cabeçote multi air, tecnologia revolucionária que migrará a todos.

Roda-a-Roda

De novo – Sétima edição do Porsche 911, a Carrera S começa ser vendida simultaneamente com USA e Europa, nas versões Coupé e Cabriolet, a respectivos R$ 639.000 e R$ 699.000. Marcel Visconte, da Stuttgart Sportcar, crê 65 unidades neste ano, e nestas, 15 conversíveis. Construtivamente, 3.800 cm3, 400 cv de potência, câmbio automatizado de 7 marchas, 0 a 100 em 4,1s.

Proteção – E 500 Guard é o blindado da Mercedes-Benz: carroceria média, motor V8, 4.600 cm3, 406 cv e 600 Nm de torque, estruturamente preparado para a blindagem, resistir a ataques de armas urbanas até Magnum 44, tem bloqueio à intrusão, aviso luminoso e sonoro de ataque, acelera muito rápido e mesmo com pneus furados anda 80 km.

Poder – Precisar, não precisava, mas Ferdinand Piech, mandão da Volkswagen entendeu de comprar a italiana fábrica de motocicletas Ducatti, exatamente às portas de sua aposentadoria, e o fez, como a Coluna projetou mês passado.

Caminho – Fez negócio via Audi, por facilidades operacionais ao estar no país controlando a Lamborghini. Aplicará o foco Audi em negócios, tratando as motos como Premium, etéreo rótulo justificador de preços elevados.

E ? - Há procedimentos a aprender, tecnologia a absorver, sobretudo no motor, nas relações peso, cilindrada e potência, válvulas desmodrômicas, fundição de metais leves.

2 T – Se bem sei, a Audi deveria ter comprado fábrica de motores de moto, popa ou ultra leve no ciclo 2 Tempos.

Mais J – Novo produto da chinesa JAC mostrado no Salão de Pequim: o S2, mescla de linhas de coreanos e Ford.

Pesado – No segmento a Lamborghini apresentou o Urus, utilitário esportivo de linhas e rendimento atrevido. Fácil fazer com plataforma disponível nas prateleiras da VW, onde serve seu Touareg, ao Audi Q7, e Porsche Cayenne.

De volta – Sem sucesso na operação da Zona Franca de Manaus a indiana Mahindra quer voltar ao mercado nacional. Trocará de estado, no Sul, e produto atualizado. Os antigos eram, no mínimo, digamos, esteticamente prejudicados. Deles a franqueza goiana diria: “mais feios qui bater ni mãe“.

No bolso – O governo federal, pelo Ipea, pesquisou para descobrir o conhecido dos contribuintes, seus patrocinadores: os pedágios brasileiros são inexplicavelmente caros e muito acima da inflação. No país da curiosidade, o Brasil tem 9% da malha privatizada, quase o dobro da média mundial de 5%. Cobra mais caro, oferece menos e, principalmente, omite a opção ao não uso das vias pedagiadas. Coisas do Ministério dos Transportes.

Enfim – Acabou o processo de conta gotas e o novo picape Ranger estará, finalmente, à venda. Apresentação fim de maio, vendas em junho. Entrará no pega do mercado, hoje à base do tamanho numérico: a VW tem o Amarok com o maior número de marchas, 8, e a Ford a maior cavalagem, potência de 200 cv.

Vidro – Fabricante de vidros, a japonesa AGC lançou pedra fundamental de fábrica em Guaratinguetá, SP. Foca em imóveis e automóveis e quer, até 2016, fazer vidros para 500 mil carros – pela projeção, mais de 10% da frota nova.

Brincadeira – Advogada conhecida em Brasília, arranhou carro no trânsito e desceu para compor o prejuízo. O outro motorista encerrou o papo:¨não faço trato com louras!¨. Não fez, mas ela foi à Justiça e representou contra tratamento discriminatório. Resultado, o intransigente ficou com o arranhão e menos R$ 6 mil pela condenação pela gracinha.

Ordem - A Ford dá dicas à base da chinesa e milenar técnica Feng Shui, arte de organizar e harmonizar ambientes especialmente em automóvel.

Passos - Acabe com a bagunça; personalize seu carro, dê-lhe nome; aplique potencializadores de energia - pequenos sinos; óleo essencial calmante; ou estimulante; antibacteriano para limpeza rápida. Escolha a cor para equilibrar sua personalidade; use um pequeno objeto como lembrança para dirigir com mais cuidado com você e gentileza com os outros.

Ecologia – Encomenda recorde dos ônibus Iveco híbridos diesel-elétricos: 102 unidades pela cidade francesa de Dijon. Operacionalmente 35% mais eficientes e menos poluentes. Arrancam tracionados pelos motores elétricos, de baterias recarregadas nas freadas. O motor diesel, 25% menor, opera pós arrancada.

Gente - Paula Batalha Flórido, mudança. OOOO Diretora de Marketing da Gilbarco-Veeder-Root, fornecedora de equipamentos para postos de combustível. OOOO Veio da ExxonMobil e BP/CastrolOOOO Murilo Fonseca e Roberto de Jesus, promoção. OOOO Diretores de Vendas Automotivas OEM e varejo de reposição da SKF Rolamentos. OOOO Trabalho duro, empresa sueca enfrentar o tsunami dos preços chineses. OOOO

SEU VEÍCULO | DE CARRO POR AÍ | ROBERTO NASSER |   SETA  Quarta-feira, 18 de abril de 2012 - Coluna 16 / 2012

Evoque Range Rover, envelhecedor da concorrência

             Nada existe capaz de satisfazer a todas pessoas ou gostos. Mas há discursos, personagens ou produtos que parecem surgir na hora certa com a mensagem oportuna, o jeito ideal ou a função desejada e necessária. Tornam-se referencias temporais. O Range Rover Evoque é sólido exemplo disto.

Lançado em 2011, colecionou prêmios mundo a fora, gerou versão duas portas e, mais recente, conversível. Impõe-se, chama atenções por sua atrevida estética, com teto decaindo para a traseira, permite combinações de cores. Estaticamente sugere desconforto aos passageiros do banco traseiro, mas no sentar a impressão se esvai e motiva a de satisfação com o design muito feliz. De marca cujo ícone principal continua em produção, a linha Defender – já feita no Brasil - amplia a linha de produtos da Land Rover, em preço e utilização próxima ao Freelander, na base de preços.

O Evoque não perde a impressão de disposição, capacidade, atitude, mas o projeto está muito mais para automóvel alto e bem disposto que para veículo de arrancar tôco, como há décadas sugere sua imagem. Decisão corajosa pelos indianos da Tata, atuais controladores da inglesa de nascimento, não aplicou conceitos e gostos da Índia aos compradores mundiais, deu autonomia aos ingleses. O resultado é atrevido e as vendas – no Brasil o modelo mais procurado – mostram o acerto da coragem – ser dono sem impor seus gostos.

Emprega motor pequeno, dianteiro, transversal, 2.0, de tecnologia atual em seus quatro cilindros: todo em alumínio, 4 válvulas por cilindros, injeção direta, turbo compressor. Resultado da tecnologia, oferece resultados que há poucos anos exigiria o dobro da cilindrada, 243 cv de potência e 34,6 kgfm de torque a reduzidos 1.750 rpm. Na prática ágil para acelerar, subir, ultrapassar, com colaboração da transmissão automática de seis marchas com opção de comando ao volante. Tem tração permanente nas quatro rodas, para dar maior dirigibilidade em neve e gelo, mas grande auxiliar nas eventuais dificuldades com o piso brasileiro. O despejar tanto torque em baixas rotações muda rapidamente as marchas, mantendo o motor em reduzidos giros e, com isto, o consumo é pequeno relativamente a uma avaliação estática e ao oferecido – você projeta gaste muito, dirige, sente as sensações, acha que pagará muito e se surpreende ao ver que, direção civilizada e estrada, faz entre 7,5 e 8 km/litro de gasolina.

Pacote - Montado para satisfazer ao consumidor brasileiro, tem revestimento intenso em couro – uma bobagem em país tropical onde se transpira compulsoriamente. Bonito, confortável, dois tons – mas se em tecido haveria respiração e maior conforto.

A formatação é à altura do veículo, sua imagem e do esperado pelo usuário, incluindo a surpresa da ausência de alavanca de marchas. Em seu lugar, roda recartilhada – um trabalho escultural em torno – por si só atrativa. Girou para a posição – Estacionamento, Ré, Ponto Morto, Andar – faz o resto. Direção boa para empunhadura, sistema preciso, suspensão dianteira em Mc Pherson e traseira por eixo articulado e multi link. Simploriamente, independente em cada roda, de modo que inconveniências de um lado não são transmitidas ao outro.

Ótimos faróis em xênon, som Meridiam, 11 alto falantes e 380W, de primeira qualidade, e há o conforto do Park Assist, que localiza a vaga de estacionamento, mede o carro e faz a baliza. O motorista apenas controla o freio. Há os cuidados eletrônicos para selecionar como a tração funcionará e o sistema apresentado pelos Mercedes ML, o freio eletrônico para fortíssimas descidas em primeira marcha. Freio de mão elétrico e pacote de segurança completo.

O automóvel testado, cedido pela Caltabiano, maior revendedor da marca, portava outra bobagem: vidros com filmes negros, coisa inimaginável pós 1º. Grau, pois reduz a capacidade visual do condutor nas laterais. Discutivelmente elegante, porém indiscutivelmente perigoso. Na mesma unidade faltava a tela com câmaras para manobra. Inexplicável. Se o Kia Soul, a 1 / 3 do preço dispõe tal facilidade, a ausência não se explica.

Sobre a composição do carro, o responsável pela formatação do produto no Brasil deveria ter escolhido outra medida para rodas e pneus. O conjunto fornecido, rodas em liga leve, aro 19” e pneus 235/55, de lateral baixa para o convívio com os persistentes buracos brasileiros. Punem carro e usuários com maior reatividade às imperfeições do solo, e os presumíveis danos em trinca em rompimento terão reposição de roda e pneu difícil e cara. Aro menor e pneu com lateral mais elevada são mais adequados às agruras do Brasil.

Enfim,sintetizando, se você quiser passar despercebido, este não será o carro. Mas, ao contrário, se gosta de ser centro de atenções, tem paciência para explicar, gosta de posar como atualizado em design, este é o carro, cara. Se você tem outro perfil, compre um sedã, um hatch, uma camioneta, porque em matéria de utilitário esportivo, o tal de Evoque é um divisor em design, tendo envelhecido todos os outros.

Preço ? Pense nuns R$ 200 mil e saia de casa para negociar. Carros neste preço, mercado em queda, instiga barganhas. Você volta com um troco – e feliz.

Roda-a-Roda

Global – Nova geração do Mustang, projetada para marcar os 50 anos do modelo em 2014, tem pretensões de vendas mundiais, adequado aos mercados em vista: suspensão, combustíveis, volante à direita. De 2006 para cá envelheceu e caiu mais de 50% nas vendas.

Fusion – Designers da Ford acham o novo Fusion ficou tão bom e tão adequado, que pode ser a base para o futuro Mustang, com motor de quatro cilindros turbo, V6 aspirado tração nas duas e quatro rodas.

Peugeovski – Os primeiros 408 iniciaram a ser produzidos na Peugeot Kaluga, Russia. Projeto para mercados em desenvolvimento, como Mercosul e russo, tem adequações específicas: suspensão reforçada, maior altura do solo, bateria e alternador mais fortes, bancos frontais aquecidos, dutos de alta potência para levar ar quente aos pés dos passageiros posteriores, peito de aço para o motor. Pela primeira vez, opção diesel, 1.6 HDi.

Na prática – Todo mercado em desenvolvimento é jogo duro – buracos, estradas ruins, combustível sem vergonha. Em matéria de piso, a Rússia é um Brasil com frio.

Explicação – Festiva, a Fiat inaugurou fábrica em Kragujevac, na Sérvia, onde produzirá o 500L para mercados doméstico e externo. Diz ter investido 1B de euros, valor mais que proporcional para ajeitar a fábrica com a pior manufatura do mundo onde, sob licença, o governo da então Iugoslávia cometia carro idem, o Yugo.

Los Hermanos – Só a sociologia e a psiquiatria explicam a opção argentina de resolver problemas criando outros. Mais recente aplicação da fórmula para desviar atenções da situação atual clima, é a expropriação das ações da YPF, a petrolífera estatal vendida à espanhola Repsol.

Na prática - O caso não se limita à Espanha, também sem reservas financeiras para valentias, mas abala a confiança dos investidores internacionais ao exibir insegurança jurídica. Vitória institucional, derrota econômica.

México – A Audi decidirá em 60 dias se produzirá, ou não, o utilitário esportivo Q5 no México. Uma das parcelas da conta é eventual redução de custos para exportação ao Brasil.

Apelido – A legislação restritiva imposta pelo governo tem-se mostrado tão ineficiente que ganhou apelido desmoralizador: Peleja. É um cobertor ralo e curto para cobrir situações diversas. Uma peleja no vai e vem de proteger um lado, expondo o outro.

Caminho – Logan, Sandero, Duster, Fluence e até o errado Kangoo Express – saem da Renault com etiqueta e a importante informação de letra “A” no Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular, do Inmetro. Tem o menor consumo de combustível em suas categorias.

... II – É esforço do governo federal para exibir ao consumidor consciente os veículos que menos gastam e poluem, programa ainda não obrigatório a todos os modelos, fabricantes e importadores. No caso, os índices conseguidos são conquista do Renault Tecnologia Américas, seu centro de engenharia voltado a ajustar produtos á América Latina.

Fator – É mais um item esclarecedor á hora da compra, a exemplo do que ocorre com eletrodomésticos: verificar se o produto foi submetido às regras oficiais para consumo e poluição. Escolha pelos números da etiqueta, e despreze os fujões, ausentes da relação.

Mídia – A CR Zongshen, dona da marca Kasinski, para promover sua linha Comet – 150, GT 250 e GTR 650, pegou-se com apresentadores esportivos Milton Neves e Renata Fan. Financiamento sem juros e o Consórcio Luiza viabilizarão levá-las às mãos dos interessados.

Questão – Os olhos podem ser puxados, mas enxergam bem. 230 dentre os 500 expositores da feira de autopeças Automec, S Paulo semana passada, eram chineses. E outros estrangeiros – turcos, coreanos e indianos – querendo o nosso mercado, falando a linguagem de indústria, distribuição e comércio: preços de 25 a 40% menores! Jogo desequilibrado para a indústria nacional.

Lei – A nova legislação nacional do Euro5 para motores diesel, e do início dos obrigatórios almofadas de ar e ABS nos freios, mostrou expositores nacionais.

Diferença - Presidente da Confederação Nacional do Transporte (CNT), e senador, Clésio Andrade, apresentou o Projeto 88/2012. Cria diferença entre motoristas amadores – carteiras A e B – e profissionais, C, D, e E. Propõe que as CNHs deste grupo só podem ser suspensas com 50 pontos de infração.

Régua – Considerados regime de trabalho, horas de condução, dedicação específica, parece razoável. Mas na prática significa colocar os profissionais tão acima da lei quanto os motoqueiros. E a lei é para todos.

Clientaço - A Cummins, produtora independente de motores diesel, festejou produzir o motor número 1 milhão, entregando-o à Ford Caminhões, maior cliente, de 384 mil motores da marca. O do milhão é um ISL 9 litros, 330 cv, trator do cavalo-mecânico da linha Cargo.

Laboratório – Via de mão dupla em desenvolvimento tecnológico, as corridas de Stock Car permitiram à Goodyear adequar a banda de rodagem de seus pneus Eagle para os competidores. E utilizar os chips de identificação com sistema de rádio frequência desenvolvido para a categoria, como ferramenta para frotistas de caminhões e ônibus.

Trançado – A italiana Magneti Marelli, do grupo Fiat, ampliou investimentos na China, em joint venture com a Changchun: produzir peças para admissão de motores – coletores, corpos de borboletas, galerias de combustível, centralinas flex. Você já considerou aprender mandarim ?

Comércio – Produtores da série James Bond anunciaram acordo de merchandising, a exposição intensa de produto. Pelo investimento Bond deixará de tomar Dry Martini com vodca, mexido, nunca agitado, batizado de Vesper, a mocinha de Cassino Royale, um dos livros de maior sucesso de Ian Fleming. Beberá cerveja Heineken – deve ser direto no gargalo.

Sem fim - Desiludido com a flexibilidade do mito ? Podia ser pior. Deixar BMW, Aston Martin, Jaguar e usar carro chinês, por exemplo.

Antigos - O sítio “webclassicos.com.br”, especializado em veículos antigos festeja um ano de vida, indicando como mais procurados os Ford Maverick e picape F 100. Há 2.000 interessados, esperando surgir seus objetos de desejo.

Gente – Nelson Piquet, 60, tri campeão de Fórmula 1, barata nova. OOOO Rolls-Royce ex-Faustão. OOOO Em Brasília anda diuturnamente e performa tanto quanto outros de seu uso, como Porsche Panamera. OOOO Automóveis do Piquet não são enfeite de garagem: andam. E como. OOOO Na Capital, Luiz Feldman, 27, diplomata, charme. OOOO Em horários e eventos não profissionais conduz rara Alfa Montreal. OOOO

SEU VEÍCULO | DE CARRO POR AÍ | ROBERTO NASSER |   SETA  Quarta-feira, 11 de abril de 2012 - Coluna 15 / 2012

Segurança, atração do Palio 2013

           A linha 2013 entrou em vendas, enriquecida por versões, em especial pela incorporação de itens de segurança. As versões Attractive 1.4, Essence 1.6 16V e Essence Dualogic 1.6 16V portam o dito kit HSD – High Safety Drive: duas almofadas de ar frontais, freios com ABS e gestor eletrônico EBD. Bem acertado, espaçoso, condução agradável, tem seis versões.

Versão                                                 R$

Attractive 1.0                                   31.290

Attractive 1.4                                   35.590

Essence 1.6 16V                               39.350

Essence Dualogic 1.6 16V                  41.880

Sporting 1.6 16V                              41.310

Sporting Dualogic 1.6 16V                 43.830

Mitsubishi muda e fará o ASX - Sempre com a bandeira do utilitário com tração nas 4 rodas, a MMCB, montadora nacional dos produtos Mitsubishi confirmou sua mudança de postura ao nacionalizar o ASX, monovolume com tração dianteira a partir do próximo ano. No mesmo projeto de ampliação física da fábrica em Catalão, Go, está a produção em 2014 do sedã Lancer.

Foi-se Butzi, pai do Porche 911 - Ferdinand Alexander Porsche faleceu aos 76 anos, neto do homônimo, filho mais velho do fundador Ferry Porsche, e autor do estilo de modelos como o 911, o protótipo de competição 904 e o monoposto 804 de Fórmula 1. Doktor para muitos, FA para poucos e Butzi para os da intimidade com reverência, era bom de serviço, além dos automóveis criou empresa de desenho industrial, a Porsche Design, onde deu rédea solta à sua capacidade inventiva, definindo o DNA da cultura Porsche em desenho. Os traços do 911, seu primeiro trabalho como titular da área de design da fábrica familiar, materializaram-se em 1963, substituindo o 356, cujas linhas mostravam intimidade com Volkswagen. O 911, ícone, passados 50 anos sobrevive e inspira veículos atuais, como o sedã Panamera. De sua lavra o 904 Carreta GTS é visto como um dos mais belos carros de corrida já criados.

Na reformulação profissional da empresa familiar, deixou-a para criar o prolífico e extremamente rentável Porsche Design Studio, autor de relógios, óculos, canetas e artigos do universo masculino, além de utilidades domésticas, ferramentas e bem duráveis, sob lema da óbvia clareza: design deve ser funcional; a funcionalidade deve ser traduzida em estética. Ou, o bom design deve ser honesto.

Início dos anos´90, a Porsche maior entrou em crise, quase quebrou, e a família resgatou F.A. entronizando-o no Conselho Superior. Fez o milagre, a reviravolta que deu à companhia a sólida base expansionista extremamente lucrativa, que permite discutir atualmente se compra ou não a Volkswagen.

Há poucos dias, no Salão de Nova Iorque, 64 jornalistas de 25 países, sem a menor suspeita do próximo passamento de Butzi, relacionaram 19 lançamentos e deram ao 911, recém apresentado em 7ª. série, aos 49 anos, o título de “2012 World Performance Car”. Foi a última láurea de uma vida dedicada ao automóvel.

Roda-a-Roda

No meio – A Mercedes agiu rápido para a incidência brutal de impostos sobre os importados. No caso dos esportivos desprezou os extremos da linha e focou no equilíbrio, o SLK 250. Conversível, rapidamente arma o teto rígido, performático – 0 a 100 em 6,6s – 224 km/h, 1.800 cm3, 204 cv, 16 válvulas, injeção direta, turbo, câmbio automático de 7 velocidades, custo contido relativamente aos de maior cilindrada. A R$ 249.900.

Lada – E Renault e Nissan. As três marcas serão produzidas pela agora re inaugurada fábrica da Autovaz, em Togliatti, Russia. Maior usina de automóveis sob o mesmo teto – 250.000 m2, algo como 500 m de frente por 500 de profundidade – produzirá anuais 350 000 mil carros das três marcas.

Futuro – A fábrica foi montada pela Fiat – daí o nome, de líder comunista

Italiano – e a desunião soviética viu-a na mão de um conglomerado. Este fez acordo com a GM, autora de acertada industrial e de produtos.

Renault - Há três anos, em meio à crise apequenadora da GM, a Renault comprou 25% das ações, assumiu a gestão industrial. Duster e Sandero serão feitos lá. O Lodgy também. Todos usam a plataforma do Logan, jogo-duro para as ásperas condições dos países do grupo BRICS.

Nacionalização – Para atingir os 65% de nacionalização que a isentará de pagar impostos de importação, a chinesa Chery aproveitou o III Fórum da Indústria Automobilística, promovido pela revista Automotive Business para apresentar-se e contatar possíveis fornecedores.

Processo – A Citroën acerta o finalmente do novo C3. Carroceria nova, projeto francês, com a evolução do motor 1.6 acertado pela PSA e que gera a boa potência de 122 cv. Antes do Salão do Automóvel, em outubro.

Foco – Dacializar-se, tomar o rumo da Dacia, marca inferior da Renault, deu rumo, acertos e lucros à marca no Brasil: fatia de 6,8% no bolo doméstico no primeiro trimestre, a de maior crescimento – 1,84% relativamente a 2011. É seu melhor primeiro trimestre. Sua base de vendas são os produtos sobre a plataforma antiga – Logan, Sandero, Duster. Fluence, refinado, é argentino.

Negócio – Mitsubishi no Brasil encerrou ligação técnico-comercial com a Castrol e acertou com a Petrobrás. A partir de agora, recomenda lubrificante da estatalmente controlada, integrando interesses da Equipe Mitsubishi-Petrobrás de previstas participações em duras provas Off Road, como rallyes Dakar e Sertões.

Homeopatia – Ford fará 2º. evento para mostrar parte do novo EcoSport. Desta vez o interior. Convida imprensa para ver mudanças na fábrica, Camaçari, Ba.

Fim – Com receio das exigências do Euro 5, que modificou motores e o diesel que consomem ? Ainda dá para comprar caminhão diesel funcionando com o óleo antigo. Cofipe, revenda Iveco do grupo Comolatti anuncia condições especiais para liquidar o estoque.

Antigos – Para sonho superior, o Museu da Marcenaria Automotiva, os Rufino, da Celeiro, mais correta das restauradoras de automóveis com madeira estrutural ou decorativa, vendem referenciais automóveis dos anos ´30 e ´40: Buick, Chevrolet, Ford, Mercury, Nash, Pontiac, Oldsmobile, outros, como raro Franklin Tourer 1926. Mais? http://www.woodiesamerica.com/celeirodocarroantigo/id61.html

Do Ramo – Profissionais do ramo, lazer de advogados aposentados, cultos, os Rufino recomendam: Quanto mais antigo, mais raro e precioso. Parece o óbvio na atividade que deve preservar a história, mas não é o que vigora por aí, com volumosa importação de anônimos Mustangs, Camaros e Cadillacs, num antigomobilismo tratado como brinquedo e que nada acrescenta ao cenário histórico nacional.

Gente – Marinete Veloso, jornalista, descanso. OOOO 16 anos implantando a área de comunicação da Renault, cuidar dos netos, ampliar saisons francesas. OOOO Diretoria de Comunicação assumida por Carlos Henrique Ferreira, o Caíque, 42, engenheiro de relações públicas ex-Fiat e há um ano tomando pé na cultura empresarial francesa. OOOO Ed Gilbertson, presidente do juri do referencial Pebble Beach Concours d´Elegance, aposentadoria. OOOO Sucessão pós concurso, 19 de agosto, por Chris Bock, há 50 anos na organização do evento. OOOO Horst Seehofer, primeiro ministro da alemã Baviera, visita. OOOO À Audi, em S Paulo. Entender a expansão do mercado Premium no Brasil e o crescimento da marca. OOOO

Antes de Minas, Fiat tentou duas vezes

             Pré 1976, quando iniciou fazer automóveis no Brasil associada ao Estado de Minas Gerais, a Fiat fez duas tentativas pouco conhecidas: em 1965 quase assumiu a Vemag, então valente produtora dos Auto Union DKW; três anos após tentou com a IBAP, a Indústria Brasileira de Automóveis Presidente. Sem êxito.

À época a mão dura do governo militar por razões desconhecidas vedava a instalação de novas montadoras no país e assim, para vir sem o desgaste da discussão, caminho mais prático era adquirir montadora já instalada.

A Vemag era pioneira, de capital aberto, controlada por grupo incorporador e banqueiro que, ao início da década de ´60 resolveu passar o controle acionário. Lélio Toledo Piza, vice presidente da Vemag, ex presidente da Anfavea, conta em sua biografia que o engatado negócio com a Fiat, foi perdido em Turim, na suntuosa sala do professor Valetta, condutor da empresa, pós telefonema de um brasileiro. Educado, Piza não o nomina.

O livro “Democrata, o carro certo no tempo errado” conta, outro esforço do mesmo interlocutor, o hábil Élio Peccei, facilitador da vinda da Simca, e diretor da Fiat Tratores, foi com a IBAP, do empreendedor Nelson Fernandes, que montaria os Fiat 600 com motorização 850, encorpados para resistir às agruras nacionais. Mas a IBAP não era palatável ao governo central e ao apresentar a ideia da associação ao general Macedo Soares, ministro da Indústria e Comércio, não tiveram resposta – nunca.

A Fiat entendeu as dificuldades do processo e se preparou com outra fórmula, a da associação com um estado. Foi assim que deu certo.

SEU VEÍCULO | DE CARRO POR AÍ | ROBERTO NASSER |   SETA  Quarta-feira, 04 de abril de 2012 - Coluna 14 / 2012

Amarok, mudanças suaves

           Para ajustar-se à demanda da faixa superior de clientes, o picape Volkswagen agregou mudanças, pré informadas pela Coluna: transmissão automática com 8 velocidades, combinando-a com o motor diesel biturbo, revisto e melhorado para fornecer 180 cv – 17 a mais que no modelo anterior.

O ganho de potência e torque, agora 42,8 kgmf, auxilia o uso da transmissão.

Parece, mas não é pouco. A transmissão compra ingresso para entrar na festa anfitrionada pelo Toyota Hi-Lux, a da cara, aplaudida incoerência de juntar cabine dupla, estofamento em couro, motor diesel, câmbio automático, além de presentes tração total 4 Motion e reduzida, de raro uso, consumindo o produto como automóvel de luxo urbano. Na prática, na disputa entre os donos, felizes em seus brinquedos caros, dizer ter picape maior que o dos outros, as 8 velocidades da transmissão ultrapassam as sensações de suavidade de uso, do conforto, do livrar-se de apertar a embreagem no para-e-anda do trânsito pesado. Insólito no mercado nacional câmbio automático o eleva a patamar sequer arranhado pelos concorrentes Toyota, Mitsubishi e Nissan, com quatro, cinco e seis marchas.

Há consequências operacionais pois, o maior número de marchas, abre o leque de utilização, com a primeira mais reduzida e a oitava mais longa. Há mais força para sair e mais economia para andar em velocidades altas.

Na prática do uso, acelera com vigor automobilístico, cumprindo da imobilidade aos 100 km/h em 10,9s e cravando 179 km/h – em sétima marcha, pois a 8ª. é longa, multiplicada, de mais economia e menos valentia.

O ganho de potência deu-se por acerto eletrônico no programa da centralina e mecânico nos turbo compressores. Curiosamente, nas versões com transmissão mecânica de seis velocidades, a potencia aumentou, mas o torque estaciona em 40,8 kgmf.

Leque - A transmissão automática caracteriza a versão Highline no topo da linha. Nas outras, mecânica de seis velocidades. Com potência de 180 cv; outra, a Amarok S, com apenas uma turbina – “S” parece dizer Sem ou Simples ...; a SE, mantém a maior potência, porém simplificada em confortos – talvez SE signifique “Sem Equipamentos”, ambas em cabine dupla ou simples, tração 4x4 ou 4x2 no eixo traseiro.

Todas portam, de fábrica, seis almofadas de ar frontais e freios ABS para off-road, ELD, bloqueio eletrônico do diferencial. As versões de topo, Highline e Trendline tem opcionais os programas ESP – de estabilidade; HDC – controle de frenagem em descidas; HSA, assistente para partidas em subidas.

Operacionalmente a caçamba do Amarok recebe um pallet em padrão Euro – 1,20m x 0,80m

Foco - Projetado por alemães especialistas em automóveis, para mercado que não conhecem, o Amarok seguiu bom caminho, em especial pela suspensão, projetada para oferecer um rodar mais automobilístico que camional. Seu rolar é de utilitário esportivo, com reações rápidas na direção, e o volante de pequeno diâmetro com comandos eletrônicos é de automóvel.

Sensível, a Volkswagen busca atingir outro ponto sensível ao motorista, além das mãos, do corpo, dos olhos, ouvidos, nariz do comprador. Faz agrado ao bolso com financiamento e seguro diferenciados, em fórmulas flexíveis. No seguro, pavor dos compradores de picapes diesel, um refresco tendo em vista a frota pequena, pouco visada para furtos de reposição: R$ 4 mil.

Mercedes, BMW, Volks, Ford, Hyundai ou Kia Optima, a nova dúvida - Novo sedã na praça diz logo sua pretensão: tomar vendas a algum dos de maior venda e prestígio. É o Kia Optima, cuja aceitação mundial delongou a apresentação no Brasil. 2,80m de distância entre eixos, altura de 1,35m elegância de linhas, CX – o coeficiente de resistência ao ar – de 0,29, projeto feliz e harmônico, ao contrário dos excessos de seus primos Hyundai.

Motorização quatro cilindros em linha, transversal dianteiro, 2.4 litros, 16 válvulas com gerenciamento eletrônico, 184 cv e 23,6 kgfm de torque, ligados a transmissão automática com tração dianteira, 6 velocidades.

Suspensão dianteira Mc Pherson, traseira por multi link, freios a disco nas 4 rodas.

O conjunto é agradável aos olhos, bem composto, seguro – exceto pela ausência de apoio de cabeça e de cinto de segurança de três pontos para o passageiro central do banco traseiro. Internamente, ótima ergonomia para o motorista, elegância com o painel enviesado, surpreendente espaço para as pernas dos passageiros do banco posterior. Bons preços frente à concorrência: R$ 96,9 mil e R$ 105,9 mil com teto solar panorâmico, chave que não é chave ao dispensar encaixe, faróis xênon.

Como usualmente ocorre para a Kia Brasil, dificuldades de fornecimento. A marca é a que mais cresce no mundo e, embora o titular da importação José Luiz Gandini seja o mais premiado dos revendedores, não consegue receber à altura da demanda do mercado. Ainda assim projeta vender 3.000 unidades neste ano, equivalendo a 10% do segmento de sedãs deste porte – Mercedes C; BMW série 3; Ford Fusion; VW Jetta; Hyundai Sonata.

Independentemente do aspecto qualidade, onde os coreanos atualmente dão aula ao mundo, tem qualidades comparativas com todos em estilo, conforto interno, bons resultados dinâmicos, e o argumento preço. Garantia de 5 anos ou 100 mil quilômetros.

Pacote patina, mas é firme para os automóveis - Parto da montanha, o pacote econômico anunciado pela presidente Dilma para fortalecer a indústria e alavancar o crescimento do PIB, tem fórmula simples: o Tesouro coloca recursos no BNDES, que os empresta a juros abaixo da praça, para indústrias e para financiar caminhões. Para os recursos, nada de cortes nos gastos supérfluos ou reforma tributária, mas aumento nos impostos, inicialmente sobre cerveja e refrigerantes.

Poucos os setores foram alcançados e faltaram explicações tanto sobre o silencio sobre determinadas áreas, quanto pela curiosa presença do presidente da Câmara completando o trio com a Presidente e o Ministro Mantega.

Automóveis - O setor é o único com definições de começo, meio e fim. Inicia com prazo para acertar o projeto até o final do ano, vigindo de 2013 a 2017. Prossegue com cinco anos de prazo de duração, prova de sintonia ou de bom senso, pois os planos das indústrias do setor são quinquenais. O prazo para gestá-lo e seu vigor não contém sustos ou surpresas.

Vitória para o setor e particularmente para o eng Rogélio Golfarb, diretor da Ford e, quando presidente da Anfavea, entidade do setor, solitário pregador do prestígio à qualidade dos profissionais brasileiros de engenharia. As novas regras definem percentuais do faturamento líquido das empresas 0,15% para pesquisa e desenvolvimento e 0,5% em engenharia. Em 2017, respectivos 0,5% e 2%. Pouco ou não, inicia um caminho.
Na prática significa implementar soluções nacionais, indica que as montadoras devem caminhar para ter campos de prova, fundamentais à pesquisa e desenvolvimento, mas hoje apenas GM e Ford os têm.

Mercado - O muro tributário representado pelos 30 pontos percentuais aplicados sobre os 35% do Imposto de Importação, podem ser reduzidos em quase 110 %. Número curioso, mas é o seguinte: montadora que conseguir atingir 65% de peças Mercosul em seus produtos, estarão livres do delta adicional e ainda poderá abater 2% do IPI se investir em tecnologia.

As regras não estão prontas, serão objeto de discussões e acertos mas, como disse um dos participantes da formatação, a ideia é fortalecer a indústria de auto peças, pois sem ela não há fábrica de automóveis.

O processo de moldagem e de aferição não é fácil e pode ser poluído por agentes interessados em ser mais sabidos que a sabedoria. Mas o prazo pode permitir bem cercar os métodos de conferência de nacionalização. Hoje há montadora que se intitula nacional, mas suas intervenções industriais são inferiores às praticadas antes da indústria automobilística ser montada.

É uma esperança para o país ter engenharia competente, tecnologia atualizada e produtos competitivos daqui a 5 anos.

Roda-a-Roda

Caixa – Após fazer chamada de capital entre acionistas, a PSA, holding Peugeot Citroën, vendeu sua famosa sede na não menos famosa e parisiense avenida Champs Elisées. Quer fazer caixa para os desdobramentos do acordo operacional com a GM.

União – A reunião dos BRICS – Brasil, Rússia, Índia, China, e África do Sul -, países com projeções de crescimento, não chegou a conclusão sólida. Tal como a união sul americana em torno de um banco de fomento continental. Cautelas e receios.

Mais Uma – Maio a chinesa Foton deve anunciar fábrica de caminhões e larga linha de utilitários no Brasil.

E só – O Tiida Sedan chega ao mercado como 2013 sem mudanças exceto o opcional a preço baixo – ou real: rodas liga leve, aro 15”, a R$ 600 acima dos R$ 45.590 marcados na etiqueta. Continua bem formulado, motor atual, 1.8, quatro cilindros, 16v, gerenciamento eletrônico de abertura, câmbio mecânico seis marchas, duas almofadas de ar – ABS, não.

Questão – As montadoras querem aproveitar a constância do crescimento do mercado brasileiro e aumentar a capacidade de produção em 2 milhões de veículos – quase 50% do número atual –, chegar a 5,5M em três anos.

E ? – Investir para produzir, dar emprego em toda a cadeia econômica é formidável, mas, sob o ponto de vista ecológico e de honestidade procedimental há dúvida incômoda: onde rodarão e estacionarão estes veículos?

Resultado - O governo quer colher impostos do artigo legal mais tributado, o automóvel. Mas não se preocupa em entregar as condições para garantir o direito de circulação. Afinal quem paga impostos por um equipamento automóvel, quer poder circular. E o aumento de vendas entulhará as cidades, incrementando os índices de poluição.

Pega – A Ford cedeu Mustang 2013 para o capítulo final do norte-americano seriado Alcatraz. Repete o mais famoso pega do cinema, quando em 1968 Steve Mc Queen conduziu um Mustang contra um Dodge Charger nas ruas de S Francisco.

Lembrança – Capacete utilizado por Ayrton Senna foi arrematado em leilão inglês da Silverstone. Quase 75 mil libras – perto de R$ 400 mil.

Teste – A Ford prossegue testando motores 1.0 com três cilindros, turbo e aspirado. Prova de resistência, andando 24h/dia na pista de provas de Tatuí, SP. Devem substituir os RoCam.

Razões – Apesar dos RoCam terem sido revolucionários há mais de década, ganho prêmio mundial, as exigências legais em emissões e consumo forçam ao desenvolvimento de unidades mais leves, com menos peças, com menos gasto e poluição. Os três cilindros até 1.0 tem sido a solução.

Moda – Agora que os tetos solares deixaram de ser um retângulo aposto ao teto do veículo, transformando-se em uma lâmina corrediça de vidro tomando toda a largura, há novo acessório na praça: adesivo negro para imitá-lo no visual. Uma gaiatice.

Antigos – Notícia que órgão federal do patrimônio nacional, tombará todo veículo com mais de 50 anos de produção, assusta o meio antigomobilístico. A disposição não separa os Placa Preta dos demais; sugere inspeções anuais para conferir a manutenção da originalidade; outras inconveniências administrativas. Um pandemônio que sócios e clubes não entendem.

Pois é – Preocupado ? Relaxe. Tudo brincadeira de 1º. de abril do jornalista Jorge Meditsch. Veja lá:
http://autoestrada.uol.com.br/interno.cfm?id=3935

Gente – Nelson Piquet, 60, tri campeão de Fórmula 1, empresário, brinquedo novo. OOOO Rolls-Royce, sedã 4 portas, novo. OOOO Piquet quer aproveitar a vida, reduziu o trabalho, diverte-se fazendo mecânica em sua coleção de antigos. OOOO Mauro Bellini, engenheiro, progressão. OOOO Novo presidente do Conselho de Administração da Marcopolo. Era vice após carreira de executivo na companhia, para quem desenvolveu os mercados da África do Sul e Oriente Médio. Do ramo e da família. OOOO

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