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Acidente pode provocar o fim
da águia de aço

O terrível acidente de julho em Paris poderá
representar para a Air France e a British Aerospace o fim
da era dos aviões supersônicos civis, pelo
menos por um período de dez anos.
As fissuras descobertas dias atrás nas asas de alguns
Concordes é um acontecimento que se soma dramaticamente
à morte de mais de cem pessoas no acidente de ontem
perto de Paris. A grande águia de prata que, graças
ao jogo dos fusos horários, chegava a Nova York vindo
de Paris três horas antes da hora de partida é
um avião fascinante porque dá aos mortais
comuns a sensação de voar a uma velocidade
que é 2,2 vezes a do som.
Uma sensação que se paga muito caro, já
que o preço da passagem ida e volta Nova York-Paris
é de cerca de US$ 10 mil.
Mesmo não sendo o mais confortável dos aviões
só se pode ficar de pé no centro do
aparelho, o ruído é fortíssimo, e não
se desfruta de vista panorâmica os vôos
estão quase sempre lotados, e certamente não
pelo caviar e champanhe servidos a bordo.
Lançado em 1975 após uma gestação
técnica de dez anos, o Concorde é, até
certo ponto, o caso do avião que morreu antes de
ter nascido.
As empresas Aerospatiale e British Aerospace pretendiam
construir cerca de cem exemplares para atender a demanda
por parte das maiores companhias mundiais de aviação.
Mas as empresas americanas do setor, concorrentes do consórcio
europeu, fizeram de tudo para boicotar o nascimento do Concorde,
e todos os aeroportos dos EUA proibiram a aterrissagem do
aparelho por causa de seu ruído excessivo e dos altos
níveis de poluição produzido por seus
motores.
Se não fosse a firme decisão do governo francês,
o projeto teria provavelmente caído no vazio. Os
governos francês e inglês impuseram às
companhias nacionais a compra de pelo dez aparelhos cada
uma. Finalmente, decidiu-se pela construção
de 18 exemplares para as linhas Paris-Dakar-Rio de Janeiro
e Londres-Bahrein. São precisamente estas as naves
que hoje sobrevoam as águas do Oceano Atlântico
, e que no total já transportaram cerca de 18 milhões
de pessoas.
Ultimamente, as frotas haviam sido reduzidas a seis aparelhos
para a Air France e sete para a British Airways.
Ex-pilotos britânicos e peritos em aviação
asseguraram ontem que não compreendem o quê
aconteceu com o Concorde da Air France, visto que se trata
do avião mais seguro do mundo.
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