OITO ANOS SEM SENNA
Carro de Senna voltou para a Williams
Oito anos após o acidente que matou o piloto brasileiro, a Justiça italiana devolveu o carro à equipe, cujos diretores foram absolvidos em 1997

A Williams do acidente que matou Ayrton Senna na temporada de 1994 da Fórmula 1, no GP de San Marino, em Ímola, foi devolvida pela Justiça italiana à escuderia inglesa, segundo informou uma publicação alemã Motorsportaktuell.

Parte do carro envolvido na batida da curva Tamburello encontrava-se em uma oficina na cidade italiana de Bolonha, onde estava sendo submetido a investigações das autoridades locais.

A grande polêmica gerada na ocasião em torno do carro foi porque a Williams retirou dele, ainda no autódromo, alguns chips contendo informações que poderiam esclarecer o que causou o acidente, dificultando o trabalho da Justiça. Para evitar que isso se repetisse, os carros passaram a ter, a partir do ano seguinte, uma "caixa preta".

Pouco mais de dois anos após a morte de Senna, a Procuradoria de Bolonha abriu processo penal por homicídio culposo contra Frank Williams, dono da equipe, e Patrick Head, seu diretor-técnico, além dos diretores do circuito de Ímola e da Sagis, empresa responsável por sua administração.

No ano seguinte, a Justiça italiana concluiu que não houve culpados, declarando inocentes todos os acusados. Terminava ali, em 16 de dezembro de 1997, depois de três anos e sete meses, o mais longo julgamento da história da F-1, qualificado por Giovanni Carcaterra, advogado da família Senna, como "muito sério".

Nem mesmo o projetista da Williams FW16 de Senna, Adrian Newey, e Patrick Head foram considerados culpados. O procurador Maurizio Passarini, que na ocasião ameaçou recorrer da decisão, tinha proposto a pena de reclusão de um ano para os dois, com liberdade condicional, e a absolvição dos outros quatro indicados.

Negligência na coluna de direção

A perícia técnica conduzida pelo procurador apontou "negligência" de Newey e Head na modificação realizada na coluna de direção do carro, para oferecer a Senna mais espaço para pilotar.

Na ocasião, o advogado dos Senna recordou que a família "não desejava condenações, apenas uma explicação sobre as circunstâncias do acidente".

Mas também deixou claro que lamentava a falta dos dados da Williams, que poderiam esclarecer as dúvidas da família.

A Williams distribuiu um comunicado expondo seu alívio com o fim da história. O advogado de Frank Williams, Peter Goodman, disse que se tratava de um "veredito correto".

Mas a decisão não agradou só à Williams. Outros proprietários de equipes ameaçavam boicotar corridas na Itália se não tivessem a garantia de que não iriam parar na prisão caso seus pilotos se envolvessem em acidentes graves.

Eddie Jordan classificou a absolvição como "única decisão razoável". E Ken Tyrrell, como "excelente notícia". "A Itália corria o risco de não assistir mais às corridas de F-1", explicou.

Um dia antes do acidente de Senna, durante o treino de classificação, o piloto austríaco Roland Ratzenberger, da Simtek, também tinha sido vítima fatal de um acidente na mesma pista de Ímola.

Do carro tiraram chips com informações

A Williams de onde Ayrton Senna foi retirado, na curva Tamburello, com os equipamentos médicos, em reprodução de foto de arquivo de 1.º de maio de 1994, dia do acidente fatal com o carro a cerca de 300 km/h na sétima volta do GP de San Marino.

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