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ESPECIAL - ZEPPELIN
O Futuro dos Zeppelins
64 anos após a queda do Hindenburg, duas empresas
européias ensaiam a volta dos grandes dirigíveis

Os 307 metros de comprimento do SkyCat 1000 equivalem a quatro Boeings 747 enfileirados

A era dos grandes dirigíveis encerrou-se abruptamente no anoitecer de 6 de maio de 1937, quando o luxuoso Hindenburg, que havia partido de Frankfurt três dias antes transportando 72 passageiros endinheirados, caiu em chamas durante o pouso em New Jersey, nos EUA, matando metade da tripulação.

Depois do acidente, o último de uma seqüência de tragédias provocadas pelo explosivo gás hidrogênio usado para erguer sua fuselagem, os Zeppelins que povoavam os céus desde 1900 acabaram perdendo o lugar para a nascente aviação comercial.

Mas, passados alguns anos, eles podem estar prestes a alçar vôo novamente. Duas empresas, a britânica ATG e a alemã CargoLifter, apostam na ressurreição dos gigantes mais leves do que o ar como forma de abocanhar parcela importante do crescente mercado de transporte intercontinental de carga. Para tanto, projetaram naves maiores que os 245 metros do Hindenburg, já na sua época equivalentes ao comprimento do transatlântico Titanic, afundado em 1912.

O Hindenburg tinha o mesmo tamanho do Titanic

O SkyCat 1000, da ATG, mede na ponta do lápis 307 metros, mais que quatro Jumbos 747 alinhados. Foi pensado para carregar até mil toneladas de carga (ou 800 automóveis médios). Diferente dos dirigíveis tradicionais, seu envelope parece um pão achatado, com 136 metros de largura e 77 metros de altura, alto como um prédio de 30 andares.

Toda essa fuselagem descomunal irá encerrar 2 milhões m³ do inerte gás hélio (os projetistas aprenderam a lição e aposentaram de vez o hidrogênio). Suas seis turbinas de 15 mil hp o impulsionarão a máximos 110 nós (203 km/h) numa altitude de cruzeiro de 2.700 metros. Com carga total, o SkyCat 1000 terá autonomia de 10 mil km, podendo cruzar o Atlântico Norte duas vezes sem reabastecimento.

Durante as operação de atracação e descarga, ele não permanecerá atado ao solo com a ajuda de cabos de aço, como acontecia com o Hindenburg. Graças à engenhosidade de seus projetistas, o SkyCat 1000 irá pousar sobre um colchão de ar semelhante ao dos hovercrafts.

Ainda não existe previsão de quando esse mastodonte flutuante despregará do solo. Para angariar investidores ao projeto, a ATG tem que primeiro provar sua viabilidade técnica. Para isso, está construindo um protótipo em escala reduzida, o SkyCat 20, de 82 metros. Seu vôo inaugural está marcado para meados de 2001. Se for bem, será a vez de transportar os 185 metros do SkyCat 200 da prancheta para os ares, o que deve acontecer em 2003.

O CargoLifter 160 sairá do hangar em 2003

A concorrente desse mastodonte flutuante não deixa nada a dever. De autêntica linhagem germânica como os finados Zeppelin e Hindenburg, chama-se CargoLifter. Esta empresa acaba de inaugurar numa antiga base aérea alemã oriental localizada 60 km ao sul de Berlim um enorme hangar de 360 metros de comprimento por 210 de largura e 107 de altura.

De lá sairá em 2003 o primeiro CargoLifter 160, dirigível com 260 metros e capacidade para transportar 160 toneladas a 90 km/h. A empresa já construiu dois protótipos de 32 e de 60 metros, respectivamente, e também adquiriu um aeródromo na Carolina do Norte, nos EUA, onde construirá um segundo hangar.

A produção em série do CL 160 está prevista para ter início em 2004, ano em que o total de investimentos estará beirando os US$ 500 milhões. Ainda há muito chão para saber se chegaremos a ver comboios de dirigíveis desaparecendo na linha do horizonte. Isso só irá ocorrer se a ATG e a CargoLifter provarem que conseguem transportar grandes cargas a grandes distâncias de formas mais rápida, barata e segura do que as oferecidas pela marinha mercante. É o que vamos ver.

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