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ADEUS
Gianni Agnelli: uma lenda do automobilismo
Magnata,
playboy, exímio empresário, grande articulador
e pai de uma dinastia. É impossível separar
a vida de Gianni Agnelli da Fiat e da própria Itália.
Falecido no último dia 24 de janeiro, aos 81 anos,
Gianni deixou como herança um império automobilístico
e um povo desconsolado.
Durante os dias que seguiram sua morte era
comum ver pessoas ainda vestidas de luto. O primeiro-ministro
Silvio Berlusconi disse que Agnelli era um "mestre
do estilo" e até mesmo o Papa enviou suas condolências
para a família de quem chamou de "figura de
muita influência em momentos importantes da história
italiana".
De
fato, o destino de L'Avoccatto (o advogado), como era chamado,
está intrinsecamente ligado ao de seu país
natal. Nascido a 12 de março de 1921, em Villar Perosa,
região do Piemonte, era o segundo de sete filhos
e foi batizado de Giovanni (Gianni era seu apelido) em homenagem
ao avô. Seus pais, Edoardo Agnelli e Virginia Bourbondel
Monte, princesa de San Faustino, morreram cedo e, assim,
o pequeno Gianni foi criado pelo avô, um dos sócios-fundadores
da Fiat (Fabbrica Italiana di Automobili Torino), em 1899.
Durante sua juventude, Gianni meteu-se em aventuras de
toda sorte, inclusive participando do exército liderado
por Mussolini na II Guerra Mundial. Casou-se com Marella
Caracciolo di Castagneto, uma princesa napolitana. Aos 45
anos, assumiu os negócios da família. Pelas
quatro décadas seguintes foi responsável por
um crescimento extraordinário da Fiat, que de uma
pequena fábrica de carros transformou-se num conglomerado
industrial e financeiro sem precedentes na Itália
e um expoente mundial.
Mas
nem só de carros tratava Agnelli. Conhecido pela
mobilidade e influência que tinha entre as esferas
industrial, política e financeira (o que em muitos
países ditos "desenvolvidos" seria motivo
de escândalo), Gianni também era um efusivo
amante dos esportes. O Juventus, seu time de coração,
era uma propriedade da Fiat, assim como a campeã
de Fórmula 1, Ferrari, em 1997.
Uma das lendas correntes na "mitologia Agnelli",
aliás, diz que o magnata teria sido responsável
por convencer, pessoalmente, o imbatível Michael
Schumacher a fazer parte da equipe. Em tributo a Gianni,
a Ferrari colocou suas iniciais no mais novo carro da marca,
o F2003GA, lançado na semana passada. "Queríamos
dedicar essa Ferrari a uma pessoa de quem sentimos muita
falta", disse o presidente da escuderia italiana, Luca
di Montezemolo.

O futuro da Fiat agora é incerto. Umberto Agnelli,
irmão mais novo de Gianni, foi nomeado chairman da
companhia que enfrenta pesadas dívidas. Há
rumores que a família - detentora de 30% das ações
- acabe vendendo sua parte para a gigante americana GM em
breve.

Gianni certamente fará falta.
Por: Gabriela Sampaio - Web site Taste Estilo
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