ESPECIAL - 100 ANOS DA FORD
O centenário mundial e os 84 anos de Brasil

Empresa comemora com crescimento
seu centenário mundial e os 84 anos de atividades no Brasil

A constituição da Ford, em 16 de junho de 1903, no estado norte-americano de Michigan, é um divisor de águas na história da indústria automobilística. Movido pelo sonho de fazer do automóvel um produto acessível para as multidões, Henry Ford, com o apoio de outros 11 empreendedores, revolucionou a produção e as relações de trabalho, com a adoção de um modelo de produtividade até hoje exemplar para o setor, o Fordismo, que consiste na separação das funções em dois níveis - planejamento e execução - e na segmentação máxima do trabalho, para se alcançar maior produção em menor tempo.

O sucesso dessa fórmula está refletido atualmente, 100 anos após a fundação da Ford, em números. A companhia, segunda maior do mundo no setor automobilístico, atua em 25 países, abriga 106 fábricas e produziu, em 2001, 7 milhões de unidades, entre automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus. Detém ainda as marcas Jaguar, Mazda, Volvo, Land Rover, Aston Martin, Mercury e Lincoln.

Henry Ford no quadriciclo inventado por ele em 1896

No Brasil, onde foi a primeira do ramo a se instalar, em 1919, a performance da empresa não é diferente. Sob os pilares do fortalecimento da marca, da renovação da linha de produtos e da reestruturação da rede de distribuidores, a Ford registrou um crescimento de 27,5% no primeiro trimestre deste ano, em comparação com o mesmo período do ano passado.

As exportações, impulsionadas recentemente pelo Novo Fiesta, somaram US$ 143,4 milhões, o que representou um aumento de mais de 100%, também em relação ao primeiro trimestre de 2002. No mercado nacional, a participação da empresa no segmento de automóveis e comerciais leves saltou de 9,28%, em dezembro do ano passado, para 10,5%, em abril deste ano.

"O centenário mundial e os 84 anos de Brasil são motivos de orgulho para a companhia. Estamos começando a colher os resultados do lançamento de modelos e dos grandes investimentos que fizemos", afirma o presidente da Ford Motor Company Brasil, Antonio Maciel Neto.

Esses investimentos incluem a construção recente de uma fábrica em Camaçari (BA) - a ponta de lança, no Nordeste, de um novo pólo industrial de desenvolvimento internacional -, o lançamento do Novo Fiesta e do EcoSport e a modernização das fábricas de Taubaté e São Bernardo do Campo, em São Paulo, transformadas em centros exportadores de motores e veículos. Atualmente, a Ford Brasil exporta, para diversos países, o Novo Fiesta, o Ka, as pick-ups Courier e F-250 e os caminhões Cargo e Série F. Além deles, integram ainda a mais completa linha do mercado nacional o Fiesta Street Hatch e Sedan, o Focus, o Mondeo e a pick-up Ranger, além de caminhões de três a quatro toneladas.

A revolução de Henry Ford
Fundador da empresa criou a produção em série e marcou a indústria

Além de carros, Henry Ford fez escola e revolucionou a produção industrial no planeta. A visão empreendedora do norte-americano, nascido no estado de Michigang, em 1863, de fabricação em série, em larga escala e que assegurasse preços acessíveis aos consumidores, garantiu a ele lugar em capítulos de todos os livros de administração e o nome de um modelo produtivo: o Fordismo.

Na eleição realizada pela revista Time para a escolha das 100 maiores personalidades do século XX, Henry Ford ocupa uma das 20 posições destinadas à categoria Builders & Titans (Construtores & Titãs) e, em trecho da matéria dedicada a ele, escrita pelo ex-presidente da Ford, Lee Iacocca, descreve-se: "Produziu carros acessíveis, pagou altos salários e ajudou a criar a classe média. Nada mau para um autocrata".

Henry Ford: exemplo de administração eficiente

Sua fórmula baseou-se especialmente naquilo que Taylor, o pai da administração científica, preconizava: dividir as funções, numa fábrica, em dois níveis, o do planejamento e o da execução. Ford cercou-se dos melhores profissionais para planejar sua indústria e administrá-la e, nas fábricas, promoveu a segmentação máxima do trabalho.

Foi baseando-se nessa proposta que a Ford passou do status de uma pequena empresa, construída por Henry e outros 11 empreendedores, em 1903, com um capital inicial de US$ 28 mil, para a posição de segunda maior companhia de automóveis do planeta, detentora das marcas Jaguar, Mazda, Volvo, Land Rover, Aston Martin, Mercury e Lincoln, um século mais tarde.

O que Henry Ford fez de revolucionário foi aplicar, em sua empresa, conceitos que a levaram a excelentes índices de eficiência. Essa estratégia tinha um objetivo, divulgado já nas primeiras propagandas: "Construir e comercializar um automóvel especialmente projetado para o uso e abuso de todos os dias - nos negócios, na área profissional, na família (...). Uma máquina que será admirada tanto pelos homens como pelas mulheres e pelas crianças, por ser compacta, simples, segura e por sua conveniência para tudo (...). E por seu preço excepcionalmente razoável, que a coloca ao alcance de milhares que não poderiam sequer pensar nos preços comparativamente fabulosos da maioria das máquinas".

Popular
Conta a lenda que foi em uma embaladora de carnes, vendo o produto passar por uma esteira rolante, que Ford teve a inspiração para adotar a fabricação em série. Os princípios dessa inovação eram a máxima produção dentro de um período determinado, a intensificação, o aumento da velocidade rotatória do capital circulante, visando à pouca imobilização dele e rápida recuperação do investimento, e a economia, que diz respeito a reduzir ao mínimo o total de matéria-prima em estoque.

Promover as mudanças não foi fácil. A transformação incluiu a introdução de uma cultura entre os trabalhadores, que passaram a exercer funções específicas e repetitivas nas linhas de montagem. Antes, vários funcionários trabalhavam conjuntamente para fabricar um veículo inteiro. Com o novo modelo, o processo passava a ser segmentado, com uma produção em massa, em série e em cadeia contínua.

Muitos abandonaram a Ford assim que as linhas de produção começaram a funcionar, em 1913, em razão da alta produtividade e repetição de tarefas. Para evitar a evasão da mão-de-obra, Henry Ford inovou mais uma vez: aumentou o salário dos trabalhadores para US$ 5 por hora, o dobro do que se pagava na época, e reduziu a jornada de trabalho, de nove horas diárias, para oito horas/dia.

A lógica de Ford era a seguinte: pouco importa se tinha de baixar o preço dos carros ou aumentar os salários dos funcionários, desde que a atividades continuassem dando lucros. Além disso, ao aumentar os salários, ele alcançava outros dois objetivos: a motivação de seus empregados e a criação de uma massa de consumidores, já que, para que ocorra o consumo é preciso que exista gente com dinheiro no bolso. Daí dizer-se que Ford teve participação na criação da classe média.

O modelo T - os antecessores tiveram como nome as letras de A a S -, lançado em 1908, chegou ao mercado a um preço de US$ 850. Foi o único fabricado pela empresa durante 19 anos e seria comercializado, anos depois, por apenas US$ 269 dólares. Em 1927, quando o Ford T deixou de ser produzido, 15 milhões de unidades tinham sido vendidas, nada menos do que 50% do total comercializado no mundo.

Salto
Em 1909, a Ford produziu 14 mil automóveis em um ano. Em 1914, o número saltou para 240 mil, uma conseqüência direta da implantação da linha em série. Já naquele ano, com a primeira esteira de montagem, produzia-se um automóvel a cada 84 minutos.

A partir daí, a linha de veículos foi se diversificando, até a empresa se transformar no grande conglomerado multinacional que é hoje. No mundo, o Fordismo expandiu-se no pós-guerra e foi o modelo que impulsionou a produção em diversos países. As linhas de montagem foram surgindo em vários segmentos, principalmente nos de bens duráveis, e criou-se o mercado consumidor. A partir do seu estilo de produzir, que massificou a utilização de automóveis, a Ford impulsionou outros segmentos, como o de rodovias, postos de gasolina e pneus.

Evolução
O modelo adotado por Ford passou por evoluções, resultantes do desenvolvimento tecnológico e das transformações nas relações econômicas e sociais, que alteraram também as demandas. A partir da década de 1970, iniciou-se uma revisão da doutrina de Ford, o chamado pós-fordismo. Como características, esse novo modelo adotou a flexibilização nas relações de trabalho e de consumo, passando-se à conquista de mercados externos, à expansão de atividades para outros continentes e o "just in time", que determina que as empresas devem produzir de forma rápida, eficiente, enxuta e somente para atender demandas, sem a menutenção de grandes estoques.

Ainda assim, grandes mudanças introduzidas por Ford permanecem nas fábricas, como a segmentação do trabalho. "Com sua filosofia de produção em massa, preços baixos, altos salários e organização eficiente do trabalho, Henry Ford apresentou ao mundo o maior exemplo de administração eficiente individual que a história conhece", definiu o professor Reinaldo O. da Silva, em seu livro Teorias da Administração. Ford, certa vez, revelou: "O segredo do meu sucesso está no fato de pagar como se fosse perdulário e comprar como se estivesse quebrando."

Página seguinte

http://www.mecanicaonline.com.br capa capa créditos imprimir adicione aos favoritos fale conosco fale conosco