ESPECIAL - 100 ANOS DA FORD - PÁGINA 02
O centenário mundial e os 84 anos de Brasil

O pioneirismo no Brasil
Ford foi a primeira empresa automobilística a se instalar no país

Apenas 16 anos depois de iniciar suas atividades nos Estados Unidos, a Ford chegou ao Brasil. No dia 24 de abril de 1919 foi definida a instalação de uma filial brasileira da empresa, no Estado de São Paulo, que exigiu investimentos de US$ 25 mil, transferidos da unidade já existente na Argentina.

Além de recursos, a Ford enviou ao país E. A. Evans e Benjamin Kopf, funcionários que trabalhavam em Buenos Aires, para iniciar as atividades na nova sede. Eram apenas 12 colaboradores, trabalhando em um depósito de dois andares, na Rua Florêncio de Abreu, no centro de São Paulo. As peças chegavam por trem, na Estação da Luz, que ficava próxima à sede da empresa.

Foi nesse espaço que a Ford iniciou a produção do modelo T e dos caminhões Ford TT e se tornou a primeira fabricante de automóveis do Brasil. Em 12 de maio de 1920, o governo de Epitássio Pessoa autorizou formalmente o ingresso da Ford no Brasil e a sede da empresa foi transferida para um rinque de patinação, na praça da República e, no ano seguinte, para uma sede própria, na rua Sólon, no bairro Bom Retiro, já com 124 empregados.

No primeiro ano de produção, a Ford vendeu 2.447 carros aos brasileiros e, em 1922, o número cresceu para 4 mil unidades. Em 1925, bateu o recorde de vendas do modelo T, chegando à marca de 24.250 unidades - uma evolução que não parou mais. Em 2002, a companhia comercializou 143.311 veículos, de acordo com a Anfavea (Anuário Estatístico da Indústria Automobilística Brasileira).

Linhas de montagem da Ford estão entre as mais modernas do mundo

Só no primeiro trimestre de 2003, as vendas alcançaram 34.895, 27,5% a mais do que no mesmo período de 2002. "O crescimento da Ford no Brasil se baseia num tripé: marca, renovação da linha de produtos e reestruturação da rede de distribuidores, e, a despeito das dificuldades enfrentadas pelo mercado e do acirramento da competição, a participação da empresa no mercado brasileiro aumentou para 10,5%", diz Antonio Maciel Neto, presidente da Ford Brasil. Além disso, no mesmo período, as exportações, que têm como carro chefe o Novo Fiesta, evoluíram mais de 100% em relação ao mesmo período do ano passado.

Fábricas
Do pequeno armazém, no centro da cidade de São Paulo, onde a Ford se instalou, só restam as memórias do marco da chegada da empresa ao país. A Ford conta, hoje, com um complexo fabril que soma mais de 7 milhões de metros quadrados, nos quais estão equipamentos de última geração para produzir cerca de 20 modelos de carros, utilitários e caminhões.

A mais nova unidade da Ford situa-se em Camaçari, na Bahia, inaugurada em outubro de 2001. É a primeira fábrica de automóveis do Nordeste e dela vão sair produtos do Projeto Amazon - que vai promover o surgimento de veículos que atendam as preferências do consumidor brasileiro.

São 4,7 milhões de metros quadrados de área total, 1,6 milhão de metros quadrados de área construída, 230 mil metros quadrados de edificações e 7 milhões de metros quadrados que compõem uma área de preservação ambiental e reflorestamento. Os investimentos feitos na sua construção somaram nada menos do que US$ 1,9 bilhão. Com sua construção, foram criados 5 mil empregos diretos, sendo que outros 50 mil indiretos devem surgir até 2005, quando a unidade vai operar com capacidade máxima.

São Paulo
O Estado de São Paulo, que abrigou a primeira sede da empresa, na capital, hoje reúne duas fábricas da Ford, além do Campo de Provas da companhia. A mais antiga das unidades em operação, que está em São Bernardo do Campo, no grande ABC, começou a funcionar em 1967, quando a companhia comprou a Willys Overland do Brasil, que produzia veículos como o Jeep Willys e o utilitário F-75.

Hoje são aproximadamente 4 mil funcionários nas linhas de produção, de onde saem os modelos Ka, Fiesta Street e Courrier, além de caminhões leves, médios e pesados das linhas F e cargo. A unidade possui capacidade para produzir 160 mil veículos por ano e outros 40 mil caminhões, em uma área total de 1,25 milhão de metros quadrados, com 415 mil deles construídos. São 230 mil metros quadrados de edificações.

Um pouco mais distante da capital está a unidade de Taubaté, pioneira e líder mundial na produção do motor Zetec RoCam. Na fábrica, inaugurada em 1974, podem ser produzidos, anualmente, 225 mil motores, além de outras peças, como transmissões e componentes de chassis. Ela possui tecnologia para a realização de processos de fundição. Os motores Zetec, as transmissões IB5 e componentes dos chassis, produzidos em Taubaté, abastecem as unidades nacionais e internacionais da Ford.

Os veículos Ka, Fiesta e Courrier, fabricados em São Bernardo do Campo e distribuídos no mercado interno e no Mercosul, recebem os equipamentos da unidade de Taubaté. As peças também vão para a Argentina, para serem utilizadas nos modelos Escort e Focus. Venezuela e Colômbia recebem o material para produzirem o Fiesta. Já para o México, a Ford vende automóveis equipados com os produtos desenvolvidos em Taubaté, além de motores para os modelos Ikon e chassis para a pick-up F-250. Também consomem equipamentos fabricados na unidade a Índia, os Estados Unidos e a África do Sul. Segundo a empresa, o diferencial da unidade é o conceito de Lean Manufacturing (Manufatura extra), que permite trabalhar com pouco estoque e menor movimentação de peças durante a montagem.

Testes
Em 1978, a empresa criou um Campo de Provas em Tatuí, no interior paulista. Numa área de 4 milhões de metros quadrados, 200 funcionários aplicam testes em duas pistas, para garantir qualidade e segurança ao consumidor. O Campo é o mais completo laboratório desse tipo, da Ford, na América do Sul. Nas pistas são avaliados a estrutura, a transmissão, a suspensão, os freios e o comportamento do veículo em diferentes condições de ruas e estradas, graças a superfícies especiais que simulam essas situações. Numa estrada off road são testados os equipamentos com tração, avaliados em ondulações, pedras soltas, poços de lama e áreas com areia e água. Em Tatuí também há tecnologia para realização de crash tests (teste de batida), com bonecos que simulam a ação dos passageiros no caso de impacto.

Sucessos que marcaram época

Acelerar a 55 km por hora era luxo no início do século XX. E quem permitiu isso foi modelo T, lançado pela Ford em 1908. O carro não foi apenas o ponto de partida da conquista do mundo pela empresa, mas também o veículo que revolucionou a indústria, por ser o primeiro fabricado em série. Durante 19 anos, o total de unidades comercializadas foi 15 milhões. O preço foi uma das razões do sucesso: ele chegou a ser comercializado por US$ 269. Uma das características do modelo é que o consumidor o encontrava apenas numa cor: preta.

Além do T, outros modelos da Ford deixaram saudades. Confira, a seguir, os principais deles.

Galaxie - O veículo foi lançado em 1967 no Brasil e produzido até 1983. Foi o primeiro carro de luxo de grande porte e com a mais alta tecnologia existente na época. Uma das inovações dele foi a direção hidráulica. Além disso, o conforto e o espaço interno (acomoda até oito passageiros) eram inigualáveis. Em 1971 surgiu o Landau, que, a partir de 1979, foi o único tipo de Galaxie produzido. Sua fabricação foi encerrada em 1983, quando já haviam sido produzidos 77.850 Galaxie.

Corcel - Foi o primeiro veículo médio com tração dianteira fabricado no país, apresentado aos brasileiros em 1968, no VI Salão do Automóvel, um ano antes de seu lançamento oficial. O sucesso foi grande: já no seu primeiro mês de produção foram vendidas 4,5 mil unidades. O carro, em pouco tempo, ganhou duas novas versões: o cupê e a Belina. Em 1977, o Corcel passou a ser mais reto e moderno e, três anos depois, podia ser encontrado na versão a álcool. Para completar a linha do Corcel, um veículo que seguia seus traços mas apresentava carroceria foi introduzido no mercado: a Pampa. A camioneta ganhou tração 4x4 em 1984. Em 21 de julho de 1986, o último Corcel foi produzido em São Bernardo do Campo. A Pampa continuou sendo produzida até 1996.

Escort - O veículo nasceu em 17 de janeiro de 1968, quando foi apresentado ao público, na Inglaterra. Já em sua segunda geração, em 1981, foi eleito o "carro do ano" na Europa. Dois anos mais tarde, chegou ao Brasil, tornando-se o primeiro automóvel de plataforma mundial da Ford a ser produzido no país. Em 1992, o modelo passou por uma grande reformulação de design, alcançando a segunda geração no Brasil e a quarta no mundo. Um ano mais tarde, foi criada a categoria de carro popular e a Ford lançou o Escort Hobby. A partir de 1996, a fabricação deixou de ser feita no país, que recebia os carros da Argentina.

Fiesta - Chegou ao mercado brasileiro em 1996, mas já roda por outras partes do mundo dede 1976. Hoje, com seu novo modelo, é o carro-chefe das vendas da companhia no Brasil.

Em 1996, quando completou duas décadas no mercado, o modelo era líder de vendas na Europa, há quatro anos na Espanha, há 12 na Alemanha e há 19 na Inglaterra, tendo sido comercializadas pelo menos 8,5 milhões de unidades.

O Fiesta começou a ser fabricado no Brasil há cinco anos e só entre janeiro e abril deste ano, cerca de 24 mil unidades foram vendidas.

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