| ESPECIAL
- ONZE ANOS SEM SENNA
Os rivais
de Senna na Fórmula 1
Sem eles não seria possível
conhecer de verdade o piloto Senna
Alain Prost, conhecido na Fórmula
1 como "o professor" foi sem dúvida o maior
rival de Ayrton Senna. Prost sentiu pela primeira vez que
Senna se tornaria uma pedra em seu sapato em Mônaco
1984. Sob um enorme temporal, um garoto de capacete amarelo,
ainda desconhecido mas muito competente na chuva, não
tomou conhecimento dos grandes mitos que estavam na pista
e, em uma corrida histórica, foi ultrapassando um
a um apesar de estar dirigindo apenas uma Tolleman.
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A poucas voltas do final, Senna sentiu pela primeira vez
o poder da FIA, quando Prost estava para ser ultrapassado,
a corrida foi encerrada. Mas a pior derrota para Prost,
aconteceu no GP do Japão em 1989. Senna, que precisava
vencer para ser bi-campeão fez uma corrida perfeita.
Contudo, em um ato desesperado, Prost fecha Senna para não
ser ultrapassado.
Os dois colidem, Prost sai do carro. Senna retorna à
pista com o bico do carro em pedaços, passa por trás
dos pneus, entra nos boxes e troca o bico. A partir dai
Senna faz uma incrível corrida de recuperação.
Ultrapassa Alessandro Nanini no mesmo ponto da batida com
Prost. Ganhou a corrida mas não levou. Um senhor
de nome Jean Marie Ballestre, conseguiu desclassificar Senna
e dar, como confessou em 96 "uma mãozinha para
Prost vencer o campeonato".
Nigel Mansell é uma figura carimbada
na Fórmula1, conhecido inicialmente por sua rivalidade
com Nelson Piquet. Mansel, piloto de estilo arrojado e,
algumas vezes, desleal, se defrontou diversas vezes com
Ayrton Senna. Alguns desses encontros se tornaram históricos,
como a corrida em Jerez, quando Senna e Mansel disputaram
a liderança da corrida até a última
volta, quando Ayrton venceu por menos de meio carro.
Uma cena que também se tornou célebre foi
a carona que Senna pegou na Williams de Mansell, após
uma "pane seca" em sua McLaren. Uma das mais famosas
corridas foi a de Mônaco, 1993, quando Nigel Mansel
com sua "Super Williams", ficou "preso"
atrás de Senna que, adotando um traçado defensivo,
impedia a ultrapassagem do Leão com seu "Red
Five".
Durante seis anos, Nelson Piquet praticamente
reinou nas pistas, pois era o único brasileiro. Mas
com a chegada de Senna na Formula 1, em 1984, Piquet não
aceitou em ter que perder o posto de melhor piloto brasileiro
e passou a criticar duramente Ayrton, chamando-o de motorista
de táxi entre outras coisas. Com os títulos
de Senna, Piquet acabou se transferindo para equipes menores,
com o tempo sua fama foi dando lugar a de Senna e se retirou
das pistas em 92.
Em
1994 Michael Schumacher tinha tudo para
ser o próximo grande rival de Senna, já no
começo da temporada no GP do Brasil, Senna e Schumacher
travaram uma grande batalha, com Senna largando na pole
e liderando a corrida até ser ultrapassado por Schumacher
nos boxes, no final da corrida Senna acabou rodando.
No dia 01 de maio de 1994, Michael Schumacher
foi o vencedor do GP de San Marino em Ímola.
No segundo GP em Aida, Senna largou na pole com Schummy
em segundo, na largada Senna foi ultrapassado por Schumacher
e acabou batendo na primeira curva. O GP de Imola tinha
tudo pra ser o palco de mais um grande duelo, mas Imola
acabou ficando marcada pela tragédia que levava nosso
grande campeão. Desde então Schumacher reina
só nas pistas do mundo.
"Ayrton Senna é inatingível"
Entrevista - Gerhard Berger
"Ayrton
Senna foi a pessoa mais especial que conheci na vida, o
seu carisma era extraordinário", disse o ex-piloto
Gerhard Berger ao lembrar os onze anos da morte do brasileiro.
Berger, nascido em 1959, no Tirol austríaco, conquistou
dez vitorias e 12 poles.. Segundo ele, o fim de semana da
morte de Senna foi um dos piores de sua vida, por ter estado
ao lado do amigo, no hospital, quando ele morreu. Em 1998,
Berger foi diretor esportivo da BMW. Agora, ele se dedica
mais à família.
Pergunta - Como foi o ultimo dia de Ayrton Senna?
Gerhard Berger - O dia começou normal, como qualquer
outro dia. Nós fomos juntos ao briefing (reunião
dos pilotos). Conversamos sobre a previsão para a
corrida e sobre um encontro que deveria ocorrer nas semanas
seguintes. Mas não senti, e o Senna também
não mostrou nada extraordinário.
P - Soube logo da morte dele?
GB - Primeiramente, não. Depois, quando eu estive
com ele no hospital, soube que o seu estado era absolutamente
grave. Eu estive com ele no momento da sua morte.
P -Não foi desumano continuar o GP depois da morte
dele?
GB - Ele não morreu na pista, mas mais tarde no
hospital. Achei tudo muito trágico. Mas nesse esporte
todos nos contávamos com a possibilidade de que isso
podia acontecer com qualquer um de nos. Se a reflexão
fosse essa, a corrida não teria começado,
porque no dia anterior morreu no treino o austríaco
Roland Ratzemberger.
P - Como os pilotos sentiram uma tragédia após
a outra num fim de semana negro?
GB - Não tenho uma explicação. Foi
um fim de semana que nunca havia visto antes e nunca vi
depois. Não encontro explicação. Já
na sexta começou o drama, com o acidente de Rubens
Barrichello. Houve acidente no boxe, e os dois acidentes
fatais com Ayrton e com Ratzenberger. Foi um fim de semana
negro, mesmo.
P - Se voltasse atrás, teria optado pela carreira
de piloto?
GB - Sem dúvida. Trata-se da carreira mais apaixonante
para um homem jovem.
P - Senna demonstrou nos últimos dias de vida preocupação
sobre a pressão de Michael Schumacher, que deslanchou
em 1994?
GB - Ele nunca mencionou qualquer tipo de receio dos concorrentes
mas admitia que o carro não estava em situação
ideal e que não correspondia às expectativas.
Mas isso faz parte do esporte. Ele não estava preocupado
com a concorrência de Schumacher, mas apenas decidido
a ajustar melhor o carro.
P - Ele falava também sobre assuntos pessoais?
GB - Nós conversávamos sobre tudo, esporte,
vida privada. Ayrton era o meu melhor amigo. O que ele falava
de privado prefiro não contar.
P - Como era a pessoa dele?
GB - Quando ele conhecia bem as pessoas, era muito aberto,
divertido, sem complicações. Já com
as pessoas que não conhecia bem era mais fechado
e difícil.
P - É possível na F-1 uma amizade livre de
competição?
GB - Sim, naturalmente há concorrência entre
os pilotos. Mas na minha relação com o Senna
a amizade era mais forte do que a concorrência. Passamos
vários anos juntos, nas mesmas corridas, e sabiamos
o que podíamos alcançar.
P - Você se encontrava com ele fora das pistas?
GB - Passamos muitas vezes o nosso tempo livre juntos.
Eu tinha um navio, e ele viajava com freqüência
comigo para a Sardenha, Chipre, onde havia sol. A minha
mulher, Ana, é portuguesa e gostava muito de ter
um brasileiro conosco nas férias. Mas não
conversava com ele em português, mas em inglês.
P - Quando foram as ultimas ferias que passaram juntos?
GB - No verão brasileiro anterior. Eu o visitei
em Angra.
P - Quais as semelhanças entre Senna e Schumacher?
GB - Em comum, o mesmo talento sensacional para a corrida
e o sucesso em tudo. Nas personalidades, vejo uma diferenca
marcante. Schumacher é um piloto talentoso, mas como
pessoa é apenas normal. Já Ayrton Senna foi
a pessoa mais especial que conheci na vida, o seu carisma
era extraordinário. Uma pessoa especial com um carisma
enorme. Não só pelo fato de ele ter sido meu
amigo, digo hoje que Ayrton Senna é inatingível.
"Não sei dirigir de outra maneira que não
seja arriscada. Quando tiver que ultrapassar, vou ultrapassar
mesmo. Cada piloto tem um limite. O meu é um pouco
acima do dos outros." - Ayrton Senna
Textos: Tarcisio Dias
www.memoriesenna.kit.net
Página 1 | Uma
morte que chocou o mundo
Página 2 | Primeiro
de maio de 1994
Página 3 | Dirigindo
para ser o melhor
Página 4 | Os rivais
de Senna
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