|
BRASIL l SALÃO INTERNACIONAL
DO AUTOMÓVEL 2004
Quatro veículos conceito
da FEI em exposiçãoI
Um deles é o Aton, um trator para o pequeno agricultor.
O Aton atende às necessidades do pequeno produtor
rural, o qual representa uma importante parcela entre aqueles
que garantem a produção de alimentos básicos.
Além do design, a inovação do projeto
ficou por conta do sistema de transmissão. O Aton
é equipado com uma transmissão hidrostática:
motor a combustão interna do ciclo Diesel, estacionário,
que aciona uma bomba hidráulica. Esta, por sua vez,
aciona dois motores hidráulicos acoplados diretamente
nos cubos das rodas traseiras.
O sistema oferece infinitas relações de transmissão
e com grande sensibilidade, de modo a se obter total controle
dos parâmetros do solo agrícola. A solução
encontrada pelos idealizadores do projeto permitiu também
a eliminação da embreagem, caixa de mudança
de velocidades, árvore de transmissão, diferencial
e freios. Com isso, obteve-se redução de peso
e das dimensões e, consequentemente, uma menor relação
peso/potência e menor compactação do
solo, facilitando sua pesagem em locais de difícil
acesso.
O sistema oferece facilidades na operação
do trator, pois com o uso de uma só alavanca é
possível ir à frente, dar ré e parar.
Além disso, garante uma aceleração
suave, sem trancos nas mudanças de velocidades.
Devido às características do sistema hidráulico
utilizado, permite-se uma desaceleração do
equipamento sem desgaste e com segurança. Também
possibilitou uma tomada de potência (TDP) hidráulica,
eliminando-se a árvore de transmissão de implemento
ou equipamentos que necessitam de força motriz, fator
de grande importância já que esta é
grande causadora de acidentes e demanda excessiva manutenção.
A ligação da TDP é feita através
de mangueiras flexíveis e engates rápidos.
A TDP e o engate de três pontos estão localizados
na parte frontal e traseira do motor.
“O Aton foi projetado para oferecer bom desempenho
no campo utilizando os implementos existentes no mercado
e nossa intenção foi contribuir com o desenvolvimento
da mecanização agrícola brasileira”,
explicam Marcelo Luciano de Almeida Machado, Luis Vicente
Braile, Curti Sidnei D’Iorio, Fernando Victor Uehara
Alves e Alexandre Navogin, autores do projeto apresentado
na 7a Expo Mec Aut da FEI.
A recuperação do projeto para apresentação
no Salão Internacional do Automóvel 2004 foi
feita pelos alunos Anderson Mendes Rigita, Fábio
Alzuir Rosin e Flavio Henrique Porfida Vegini.
Minibaja campeão mundial é uma das
atrações - O Armadillo é um
veículo off-road, monoposto, com motor de 10 HP monocilíndrico
e transmissão do tipo CVT, tradicionalmente utilizado
em quadriciclos e snow-mobiles. A suspensão é
independente nas quatro rodas, tipo Duplo “A”,
comum em carros de competição por ter muitas
opções de regulagens e que apresenta características
desejadas no projeto da equipe.
O sistema de freios assistido hidraulicamente possui duas
pinças na dianteira e uma na traseira. A estrutura
do veículo é construída em tubos de
aço, desenvolvida e construída totalmente
dentro da faculdade, onde também são feitas
as dobras, soldas e montagem da gaiola.
Com vocação para enfrentar os obstáculos
fora-de-estrada e participar de competições
em pistas de cross e provas de enduro, o sucesso chegou
rápido. Em junho deste ano, o minibaja Armadillo
foi o campeão da SAE MidWest Mini Baja, competição
internacional, realizada em Milwaukee, Wisconsin, EUA.
O Armadillo disputou com mais 135 carros, projetados e
construídos por estudantes de Engenharia de países
como Argentina, Canadá, África do Sul, Coréia
do Sul e Estados Unidos. A FEI totalizou 872, 87 pontos
e foi seguida pela norte-americana University of Akron.
A equipe responsável, a FEIBaja, é formada
por 10 alunos, do curso de Engenharia Mecânica Automobilística.
O Armadillo foi construído especialmente para disputar
a 10ª Competição SAE BRASIL-Petrobras
de Mini Baja, realizada em abril, em Piracicaba, São
Paulo, onde foi campeão no enduro e vice na soma
geral das provas. Como prêmio, a equipe representou
o Brasil este ano nos Estados Unidos, onde foi campeã.
Mas as vitórias não vêm apenas deste
ano. Na mesma SAE MidWest Mini Baja, a FEI já conquistou
o terceiro e quinto lugares em 2002. Com a experiência
adquirida lá fora, os estudantes da FEI desenvolveram
um carro capaz de superar os obstáculos em uma pista
de motocross tipicamente americana.
Foram desenvolvidos novos projetos de suspensão
dos carros, direcionados para enfrentar o enduro, principal
prova da competição. Os novos sistemas permitiram
o carro atravessar buracos, poças de lama e vencer
aclives sem precisar reduzir a velocidade, já que
garantem melhor estabilidade e controle dos veículos.
“Ele está com grande capacidade de vencer obstáculos
e não precisa mais reduzir a velocidade porque agüenta
o tranco”, afirma Rafael Donadio, piloto do Armadillo,
vice-campeão do enduro na competição
nacional em 2003.
A FEI participa da Competição SAE BRASIL
de Mini Baja desde o surgimento, em 1995, e já conquistou
também os títulos de bicampeã nacional,
em 2001 e 2002. Este desempenho já permitiu a FEI
disputar a competição norte-americana em 1996,
2000, 2001, 2002 e 2003.
A FEI não prevê, mas ajuda a fazer o futuro
– é com esta filosofia que o Centro Universitário
da FEI (Fundação Educacional Inaciana) marca
pela quinta vez presença no Salão Internacional
do Automóvel, em São Paulo. Mas, como naturalmente
o futuro é a evolução do passado e
presente, no estande de 105 m² o visitante terá
a oportunidade de conhecer uma coletânea de imagens
– painel fotográfico medindo 4,5 x 14 metros
- de projetos que resume mais de 40 anos de trabalho de
engenheiros, professores e alunos, em especial do pioneiro
curso de Engenharia Mecânica Automobilística.
Passado, presente e futuro - A FEI é
uma das poucas representantes da Engenharia do Brasil presentes
no mais importante evento do segmento automotivo brasileiro.
Para participar da 23ª edição do Salão
do Automóvel, de 21 a 31 de outubro, no Pavilhão
de Exposições do Anhembi, a FEI expõe
4 projetos:
FEI X-3/LAVÍNIA - um arrojado protótipo tipicamente
esportivo feito para voar sobre rodas, com perfil aerodinâmico
associado a uma grande potência. O projeto FEI X-3,
desenvolvido no final dos anos 60, representa um capítulo
à parte porque foi a partir dele que o Governo Federal
passou a conhecer melhor o que se fazia na FEI.
FEI X-14 – um veículo do tipo streamline (superaerodinâmico)
para tentar quebrar o recorde brasileiro de velocidade.
Equipado com motor de apenas 1.0 litro, o objetivo é
fazer com que o modelo atinja 300 km/h. O veículo
é resultado de uma parceria com a Dana.
ATON – protótipo funcional de um trator para
pequenas lavouras. São destaques deste projeto o
baixo custo do veículo e o interessante sistema de
tração hidráulica que incorpora. Possui
bitola de tamanhos variáveis, que permite trafegar
em qualquer espaço da plantação.
MINIBAJA – veículo projetado e construído
pelos alunos para competições no fora-de-estrada,
inclusive provas de enduro, portanto em pistas que apresentam
uma série de obstáculos. A FEI participa e
já coleciona títulos desde 1995, quando surgiu
a competição brasileira, inspirada na SAE
MidWest Mini Baja Competition, dos EUA, onde foi campeã
este ano competindo contra 136 equipes de seis países.
“A FEI consegue pensar o projeto automobilístico
de forma macro e o Salão é a oportunidade
de mostrar toda a capacidade inventiva de nossos alunos
e professores”, destaca professor doutor Marcio Rillo,
reitor do Centro Universitário.
|