| ESPECIAL
- FORD GT 40
Ford GT 40 faz 40 anos e prepara
seu retorno
O
Ford GT 40, superesportivo que dominou as pistas nos anos
60, completou 40 anos e se prepara para voltar em grande
estilo, com o lançamento do Ford GT 2005 nos Estados
Unidos.
Ao contrário do carro original, projetado só
para as pistas, o novo modelo foi feito para andar nas ruas,
impulsionado por um motor V8 SuperCharger DOHC de 5.4 litros
e 550 cv, com câmbio manual de seis marchas. Mas,
curiosamente, como ocorreu há quatro décadas,
seu objetivo é novamente desbancar o domínio
da Ferrari.
O Ford GT 40 nasceu como resposta ao insucesso de Henry
Ford II, então presidente da Ford, na tentativa de
comprar a marca italiana no início dos anos 60. Impressionado
com o desempenho das Ferrari, na época imbatíveis
nas pistas, ele já havia acertado o negócio
por US$ 18 milhões. Mas o comendador Enzo Ferrari
desistiu de se desfazer da empresa na última hora.
Henry Ford II, então, reuniu o seu melhor time
de engenheiros e lhes deu uma missão: construir um
carro que passasse das 200 milhas por hora (cerca de 321
km/h) para derrotar as Ferrari. O primeiro grupo de engenheiros
veio da Inglaterra, incluindo Eric Broadley, projetista
dos carros de corrida da Lola, Carrol Shelby, criador do
Cobra, e John Wyer, que já havia trabalhado na Aston
Martin. Dessa reunião de profissionais de ponta nasceu
a chamada FAV – Ford Advanced Vehicles.
O nome do carro veio da combinação da sigla
GT (Gran Turismo, categoria do automobilismo europeu) com
o número 40, que correspondia à altura da
carroceria em polegadas, responsável pelo seu visual
agressivo. A primeira versão, o GT 40 Mark I, teve
vários motores centrais, incluindo o V8 4.7 de 390
cv e transmissão de cinco marchas, que levavam o
carro perto dos 320 km/h. Ele estreou em 1964, nos Mil Quilômetros
de Nurburgring, na Alemanha, e chegou a ocupar o segundo
lugar. Mas problemas mecânicos o tiraram da prova,
o que voltou a se repetir ao longo do campeonato.
Vitórias históricas - Na
temporada seguinte, sob o comando de Carrol Shelby, modificações
importantes foram feitas no carro, incluindo a troca do
câmbio, que não suportava a elevada potência
do motor por muito tempo. Ele venceu a corrida de estréia
de 1965, em Daytona, EUA. Logo depois, foi sucedido pelo
Mark II, com motor V8 de 7 litros, de 485 cv, também
construído na Inglaterra, que levava o GT 40 a 329
km/h. Mais uma vez, porém, o câmbio não
resistiu.
Em 1966, o Ford GT 40 ganhou um novo projeto e iniciou
o seu reinado nas pistas. Conquistou os três primeiros
lugares em Le Mans e voltou a vencer a corrida em 1967 (com
o Mark IV, de 500 cv), 1968 e 1969. Em 1968, quando o regulamento
passou a limitar o tamanho dos motores a 5 litros, a Ford
decidiu se retirar das pistas. Mas equipes independentes
continuaram a correr com o carro, utilizando o modelo Mark
I com motor de 4.7 litros.
Paixão pelas pistas - O Ford GT
é um exemplo da paixão da Ford pelas pistas.
Antes mesmo de fundar a companhia, em 1903, Henry Ford venceu
sua primeira corrida, o “campeonato mundial”
no circuito de Grosse Point, pilotando seu Sweepstakes 1901
com motor 8.8 L de dois cilindros, a 70 km/h. Em 1904, Ford
bateu o recorde mundial de velocidade em terra, atingindo
147 km/h com o modelo Arrow sobre um lago gelado do Michigan.
Ele sabia a importância desses feitos para conquistar
a confiança do público, e principalmente dos
investidores, para o seu produto.
Sessenta anos depois, Henry Ford II viu os europeus dominarem
os circuitos mundiais. A Ford havia aderido em 1957 ao acordo
da associação dos fabricantes de automóveis
(AMA) que proibia o envolvimento direto em competições
e logo sentiu seus efeitos negativos sobre a imagem e o
desenvolvimento da engenharia da empresa. Em 1962, Henry
Ford II decidiu abandonar de vez o pacto já insolvente
e pôs em ação o programa Performance
Total Ford, cujo objetivo principal era vencer em Le Mans.
O Ford GT 40 cumpriu a promessa e entrou definitivamente
para a galeria dos superesportivos. O Ford GT 2005, criado
pelo designer Camilo Pardo, mantém a identidade de
estilo e o mesmo espírito vencedor do veterano, com
o uso extensivo de tecnologias de ponta e soluções
inovadoras de engenharia.











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