| ESPECIAL
l JUNHO l 2005
Uma história de compromisso
com a preservação ambiental
Sintonizados
com os parâmetros de desenvolvimento sustentável
defendidos pelo Grupo Renault, os trabalhos na área
de meio ambiente implementados pela Renault do Brasil mostram
avanços contínuos a cada ano. Além
de novos projetos voltados para a preservação
da fauna e flora local, todo o processo produtivo desenvolvido
no Complexo Ayrton Senna atua cada vez mais no sentido da
não-agressão ambiental.

Mais do que agir localmente, a partir de agora, a Renault
do Brasil passa a ser referência para o Grupo em todo
o mundo com o início de um projeto de pesquisa com
fibras naturais. “Investimentos em pesquisas como
essa, aliados à modernização contínua
dos processos, ao desenvolvimento de novos produtos e novos
negócios, sempre de forma comprometida com a redução
dos impactos ambientais, são exemplos concretos de
ações implementadas pela empresa no sentido
de garantir o desenvolvimento sustentável”,
afirma Pierre Poupel, presidente da Renault do Brasil.
O
futuro através da fibra natural - O enorme
potencial brasileiro para a produção de fibras
naturais – entre elas a juta, o sisal e o coco –
tem levado todo o segmento industrial brasileiro a olhar
com atenção para as possibilidades de uso
do material.
Na indústria automobilística, a fibra vegetal
pode ser encontrada no preenchimento de bancos e apoio de
cabeça, laterais e medalhões de portas, painel
de instrumentos, canal de ar, revestimento do teto, caixa
de rodas, entre outros itens.
A Renault do Brasil, que já usa a fibra vegetal
derivada da juta na tampa do porta-malas do Clio, resolveu
levar a sério a discussão em torno das fibras
naturais e desenvolverá, sob a coordenação
do Laboratório de Materiais Mercosul, um estudo aprofundado
sobre as possibilidades de uso dessas fibras no maior número
possível de peças automotivas.
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O trabalho de pesquisa com fibras naturais envolverá
uma parceria entre a Renault França, a Renault
do Brasil e uma universidade brasileira que ainda
está em processo de definição.
A previsão é de que o desenvolvimento
do projeto consuma um período médio
de cinco anos.
Inicialmente, os trabalhos englobarão uma
aproximação com toda a rede de fornecedores
da Renault do Brasil. A equipe de pesquisa também
deverá fazer um amplo estudo sobre a produção
nacional de fibras naturais, o que inclui o levantamento
dos produtos que já utilizam o material por
aqui.
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“O trabalho é longo, complexo, e o passo final
será o desenvolvimento de peças que tenham
um caráter de inovação dentro do que
já existe hoje em produção no País”,
explica Ismael Peveri, supervisor do Laboratório
de Materiais Mercosul.
A substituição de insumos sintéticos
por insumos naturais, a possibilidade de reutilização
de resíduos agrícolas e a redução
de resíduos enviados para incineração
após o ciclo de vida do veículo estão
entre os principais pontos para a implementação
do projeto, que reafirma o posicionamento da Renault no
caminho do desenvolvimento sustentável.
“O uso da fibra natural, 100% reciclável,
significa mais um passo no sentido de eliminar o uso de
materiais como a fibra de vidro na produção
das peças”, afirma Peveri. Hoje, não
há uso de fibra natural na Europa e o projeto desenvolvido
no Brasil será encampado pelo Grupo Renault em todo
o mundo.
Veículos menos agressivos ao meio
ambiente
No
dia-a-dia do processo industrial no Complexo Ayrton Senna,
novas medidas ambientalmente corretas são adotadas
de forma contínua. Uma das resoluções
mais recentes trata da incorporação, na linha
de carroceria, de pinças de solda de baixo consumo
energético.
A solução será adotada no início
de 2006. As novas pinças consomem 60% menos energia
em relação aos níveis atuais. “O
sistema também prevê a troca para o eletrodo
a seco, que não gera efluentes e usa menos água
em todo o processo”, informa Enrique Depouilly, gerente
de Meio Ambiente da Renault Mercosul.
A embreagem dos veículos Renault também será
objeto de mudanças. Um projeto em desenvolvimento
prevê a substituição do revestimento
do material de fricção – hoje à
base do solvente tricloroetileno – para uma base de
água e livre da presença de chumbo. O novo
revestimento será implementado em todo o Grupo Renault
no segundo semestre de 2005.
A nova etapa do programa de controle de emissões
veiculares (Resolução 315 do Conama que entrou
em vigor em 2005) já teve início no Complexo
Ayrton Senna e significa um controle ainda mais severo nos
níveis de emissões. “No caso dos automóveis,
os novos limites de emissões devem evoluir progressivamente
até que todas as versões fabricadas atendam
os limites, o que deve ocorrer no início de 2007”,
explica Carlos Bonote, coordenador de Homologação
e Regulamentação para o Mercosul. Para os
veículos comerciais leves, os novos patamares devem
alcançar toda a produção até
2006.
Mais
do que cumprir a regulamentação, os baixos
níveis de emissões veiculares facilitam a
entrada dos carros da marca em mercados externos exigentes
e reafirmam a vocação da Renault em trabalhar
de forma sustentável nos diferentes países
em que está presente. “No Brasil, a Renault
tem uma tecnologia aplicada de respeito ao meio ambiente
que pode ser considerada referência entre as indústrias
do setor automobilístico”, observa Bonote.
Os motores e catalisadores, por exemplo, são projetados
com a meta de emitir 50% do limite de poluentes estabelecido.
Hector Alejandro Wainberg, gerente de Engenharia de Projetos
Mecânica, observa que a própria evolução
tecnológica caminha na direção de motores
menos agressivos ao meio ambiente. “O motor Flex é
um exemplo de produto cuja utilização deve
crescer muito ainda no País.
Ele possibilita o uso do álcool, o que alia a menor
agressividade ao meio ambiente a aspectos sociais, como
a possibilidade de geração de empregos no
cultivo de cana-de-açúcar”, diz, ao
observar que para cada unidade de medida de obtenção
de gasolina são gerados 180 empregos no caso do álcool.
Trabalho em constante evolução
Em
novembro de 2003, a Renault do Brasil conquistou a certificação
NBR ISO 14001 de gestão ambiental em todo o Complexo
Ayrton Senna. A adequação à norma internacional
é o resultado de um intenso trabalho na empresa que,
desde então, vem experimentando avanços a
passos largos.
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Entre os projetos já em andamento, o processo
de eliminação do chumbo nos banhos de
cataforese foi completamente efetivado em abril deste
ano. O trabalho, iniciado em setembro de 2004, teve
investimentos da ordem de R$ 700 mil nas fábricas
de veículos de passeio e de utilitários.
Focado na meta de chegar a 2010 com 95% de peças
recuperáveis – conceito que inclui a
reciclagem e a utilização de uma peça
para a produção de outra – , o
“Programa de Gestão do Ciclo de Vida
do Carro” segue orientando as linhas das ações
cotidianas no Complexo Ayrton Senna.
Sob as coordenadas de prevenção da
poluição e conservação
dos recursos naturais, o programa busca eliminar os
metais pesados do processo de fabricação,
enquanto ganham espaço a utilização
do alumínio nos motores e do plástico
nos revestimentos dos veículos.
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Atualmente, os trabalhos estão centrados nas relações
entre fornecedores. “Estamos promovendo o contato
das empresas que tratam os resíduos do nosso complexo
industrial com os fornecedores de peças. O objetivo
desta ação é fazer com que a matéria-prima
resultante da reciclagem seja cada vez mais utilizada na
construção de novas peças”, explica
Enrique Depouilly, gerente de Meio Ambiente da Renault Mercosul.
Os absorvedores de impacto dos pára-choques, confeccionados
com material reciclado, são um exemplo de resultado
concreto dessa ação.
Monitoramento ambiental - Desde julho
de 2004, o monitoramento ambiental dentro do Complexo Ayrton
Senna começou a ser feito pela equipe do Laboratório
de Materiais Mercosul. “Comparando-se o trabalho desenvolvido
todo externamente até 2003 com o que fazemos agora,
a maior parte internamente, tivemos um aumento de 73% no
número de análises com redução
de 38% nos custos”, diz Ismael Peveri.
Ao todo, são 56
pontos de monitoramento, sendo 15 de avaliação
dos níveis de ruídos, oito de águas
pluviais, dois de águas fluviais, três
de efluentes líquidos tratados, 22 de efluentes
de emissões atmosféricas e seis de
lençóis freáticos.
Os trabalhos de monitoramento
envolvem a coleta diária de amostras de efluentes
industriais e uma análise completa do material
a cada 15 dias; envolvem também análises
de ruídos, assim como do lençol freático
na área do Complexo, das bacias de contenção
(águas pluviais) e do rio que passa na região.
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O Laboratório também coordena, em
conjunto com a Segurança e a Medicina do Trabalho,
a aprovação dos produtos químicos
usados na fábrica, no intuito de evitar a utilização
de metais pesados como o chumbo, cádmio, cromo
6 e mercúrio.
“O fornecedor envia uma ficha técnica
com a composição do produto, é
feita uma avaliação e, se constatada
alguma discordância (presença de substância
de uso restrito ou proibido), o fornecedor é
orientado a fazer a troca da substância”,
explica Daniela Omine, responsável pela área
de meio ambiente do Laboratório.
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Reaproveitamento de resíduos e baixos
índices de consumo
O gerenciamento adequado dos resíduos nas três
fábricas que compõem o Complexo Ayrton Senna
é feito através de parcerias com empresas
que reaproveitam e beneficiam os materiais, transformando-os
novamente em matéria-prima ou produtos que possam
ser comercializados.
Em
2004, a reciclagem atingiu 9.676 toneladas de resíduos,
equivalente a 90% do total de resíduos gerados nas
fábricas. São produtos que variam desde madeira,
papelão, plástico até papel toalha
e blocos de motor. Através da coleta seletiva, foram
recicladas outras 3.490 toneladas de madeira e 2.502 toneladas
de papel e papelão, evitando a derrubada de mais
de 50.000 árvores.
Os metais são destinados a usinas siderúrgicas
e os plásticos são transformados nos mais
diversos produtos, como pedais de bicicletas, cadeiras e
sacos de lixo. Os pneus são reaproveitados na produção
de xisto. Os resíduos alimentares são depositados
num aterro sanitário e os hospitalares seguem para
uma fossa séptica. Os resíduos especiais são
levados ao aterro industrial para incineração
e as cinzas acabam sendo reaproveitadas na massa que compõe
o cimento.
O despertar da conscientização para o uso
correto dos recursos naturais no Complexo Ayrton Senna vem
fazendo com que a Renault do Brasil obtenha índices
de consumo cada vez menores. Estes resultados são
fruto de campanhas internas e da criação de
um Comitê de Economia de Energia (CEE), composto por
representantes da manutenção, do controle
de gestão, da fabricação, além
dos pilotos de meio ambiente.
A atuação do CEE tem significado uma economia
média da ordem de 3% ao ano no consumo de energia
elétrica, gás e água. Para 2005, a
meta é chegar aos 4% de economia. Os trabalhos do
grupo envolvem a discussão de novas ações
para a redução de consumo e a avaliação
constante das ações em andamento. Muitas medidas
implementadas já estão incorporadas no dia-a-dia
dos funcionários da Renault, tais como: otimização
do tempo de funcionamento das estufas de pintura; redução
do tempo de abertura da planta Pintura; e a adequação
dos “set ups” dos sistemas de ventilação
e ar-condicionado das fábricas e áreas administrativas.
A palavra desperdício também não faz
parte do cotidiano da fábrica de motores, considerada
modelo pelo Grupo Renault em todo o mundo. Na unidade, não
há o descarte de efluentes, pois os fluidos são
filtrados e reutilizados na própria fábrica.
Os resíduos sólidos são separados
em contêineres para reciclagem. Do processo de filtragem,
extrai-se a borra de retífica, cavaco de ferro fundido
e diatomita. Tudo o que é utilizado nas linhas de
usinagem – fluido de corte e óleo integral
– é refiltrado na central de tratamento e reutilizado.
A água usada para a lavagem de peças, do piso
e das ruas do Complexo é reaproveitada através
de um sistema evaporador que faz a sua reciclagem.
Fauna e flora: protegendo a vida natural
De um total de 2,5 milhões de metros quadrados,
que constituem a área total do Complexo Ayrton Senna,
cerca de 60% são reservados à preservação
ambiental, onde se encontra grande diversidade de espécies
da flora e fauna, assim como nascentes, córregos
e rios.
São muitas as espécies preservadas pela Renault,
que vivem no espaço de mata fechada situada no Complexo.
Há tatus, gambás, macacos, ouriços,
jacus, carcarás, cervos, pacas, corujas, pica-paus,
esquilos, quero-queros, entre outros. Os mais conhecidos
são os macacos da família bugio ruivo, que
se transformaram num símbolo da empresa. Este simpático
animal, em extinção no País, vive em
grupos nas áreas cobertas pela floresta de araucária
que cerca a Renault.
Alinhada a um compromisso de sustentabilidade de toda a
área do Complexo, a Renault do Brasil iniciou neste
ano dois projetos voltados para a preservação
da fauna e da flora locais. O primeiro resulta de um convênio
com o Departamento de Zoologia da Universidade Federal do
Paraná (UFPR) e tem como meta catalogar toda a diversidade
de animais e aves que vivem na área.
O
resultado do trabalho, com prazo de um ano, será
uma publicação contendo as características
de todas as espécies encontradas, com a identificação
das que estão em processo de extinção.
“Nosso objetivo é fazer um estudo de vulnerabilidades
da área e implementar ações no sentido
da prevenção”, declara Enrique Depouilly.
Outro projeto – uma parceria com
a Embrapa Florestas de Colombo, no Paraná, em conjunto
com a Fundação de Apoio à Pesquisa
e ao Agronegócio (Fagro) – está ligado
à recuperação de uma área de
10 mil hectares que começava a passar por um processo
de erosão. Os trabalhos de tratamento do solo estão
concluídos e já foi feito o plantio de 25
quilos de sementes e 13.200 mudas de árvores chamadas
pioneiras, que vão auxiliar no processo de recuperação
do solo no local.
Já foram plantadas mudas de bracatingas, maricás,
juquiris, aroeiras, esporão-de-galo, entre outras
espécies. “Conhecidas como pioneiras, as leguminosas
recobrem rapidamente o solo e melhoram suas condições.
Elas são combinadas com outras árvores, classificadas
como secundárias, cujos frutos atraem animais que
auxiliam na dispersão de sementes”, explica
Antonio Carpanezzi, da Embrapa. Tatus, lebres, preás,
lagartos e outros animais já são vistos na
área recuperada.
Somadas às 12 mil árvores já plantadas
até o ano passado, a Renault contabiliza o plantio
de mais de 25 mil árvores em toda a área do
Complexo e nos locais que eram utilizados como pastagem
antes da instalação da empresa.
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