2006 l JUNHO l ESPECIAL l MEIO AMBIENTE
Uma história de compromisso com a preservação ambiental

                  Sob a lógica de progressos contínuos e comprometida com a boa prática ambiental em suas atividades, a Renault do Brasil investiu, nos últimos três anos, R$ 3 milhões nas ações voltadas ao meio ambiente. Os trabalhos dentro do Complexo Ayrton Senna, onde estão instaladas as fábricas de veículos de passeio, utilitários e de motores, englobam desde pequenas ações cotidianas de economia de recursos energéticos e preservação da área verde no entorno da fábrica, como a busca de soluções cada vez menos agressivas ao ambiente nos processos produtivos.

“Sustentabilidade. Esta é a palavra-chave por trás de todos os procedimentos adotados na empresa e que está em sintonia com as premissas defendidas pelo Grupo Renault de comprometimento com a redução dos impactos ambientais em todas as suas ações”, afirma Jérôme Stoll, Presidente da Renault do Brasil.

No último ano, além dos avanços obtidos nos trabalhos em andamento, a área de meio ambiente da Renault do Brasil introduziu novos focos voltados para a formação, tanto do público interno quanto do público externo à empresa. Além disso, estabeleceu uma nova parceria com a Universidade Federal do Paraná (UFPR) para o desenvolvimento de tecnologia para o aproveitamento da borra que sai da estação de efluentes na confecção de cerâmicas e tijolos.

Formação e informação com transparência - Recentemente, novas frentes de trabalho passaram a ser desenvolvidas pela área ambiental da Renault do Brasil para a formação de seus colaboradores e também da comunidade. O trabalho de formação de operadores voltado ao meio ambiente teve início em janeiro de 2006, através de uma metodologia chamada Dojo, palavra de origem japonesa que significa espaço de formação. O primeiro Dojo foi implementado na fábrica de motores e se caracteriza por um formato de grande painel móvel onde os operadores executam diferentes tarefas da maneira mais adequada.

Durante os treinamentos, os funcionários aprendem, em forma de jogo, a manusear produtos químicos, a fazer coleta seletiva de resíduos, a diminuir o consumo de energia, além de absorverem dicas gerais sobre proteção do solo e para diminuição do consumo de água. “Trata-se de uma forma prática, didática e interativa de levar os conceitos ambientais para dentro do sistema produtivo”, explica Grazielle Coutinho, responsável pela área de meio ambiente na fábrica de motores.

Para a ação de formação do público externo, a Renault optou pela escola de ensino fundamental “Árvore dos Sapatos”, localizada nas proximidades de seu complexo industrial, num projeto que envolve várias etapas.

Inicialmente, representantes da diretoria e professores foram convidados a conhecer as ações de meio ambiente desenvolvidas pela Renault do Brasil. O segundo estágio envolveu a realização de palestras sobre coleta seletiva e reciclagem para os pais e para os alunos da escola. O lado prático da ação veio em seguida, com a implantação da coleta seletiva na escola, instalação das lixeiras etiquetadas para a separação do lixo e construção de uma área para armazenamento adequado dos resíduos recicláveis para posterior venda, em processo intermediado pela própria Renault.

“Incluímos todas as fases nesse trabalho para que as crianças entendessem e se sentissem envolvidas na totalidade do processo”, observa Carla Ribeiro, responsável pela implantação do projeto na escola.

Aliada ao caráter de formação, a informação ganha cada vez mais transparência na Renault do Brasil. Recentemente foi lançada uma publicação denominada Declaração Ambiental, documento que serve para comunicar aos diferentes públicos como a Renault está cuidando do meio ambiente. “O documento contém todas as informações a respeito dos impactos ambientais das atividades feitas dentro do complexo, tanto no que diz respeito a questões técnicas, como de formação”, explica Enrique Depouilly, Gerente de Meio Ambiente e Prevenção de Riscos Mercosul.

A Declaração está incluída no site do Grupo Renault que trata das ações relativas a desenvolvimento sustentável (www.developpement-durable.renault.fr). Segundo Enrique Depouilly, a publicação é “o registro de um amplo trabalho, que organiza e sistematiza tudo, estabelecendo um diálogo com nossos clientes, parceiros, órgãos governamentais e não governamentais.”

Parceria com universidade e novas frentes de atuação

                 Um novo projeto de pesquisa está unindo a Renault do Brasil, a Universidade Federal do Paraná (UFPR) e a empresa fornecedora GRI (Gerenciamento de Resíduos Industriais) e vai significar um passo a mais na direção de reutilizar os resíduos gerados durante o processo produtivo. O projeto envolve o Departamento de Engenharia Química, em conjunto com o Laboratório de Tecnologia Ambiental da Universidade, e será financiado pela Renault.

O objetivo do estudo é buscar soluções para que a borra resultante do trabalho feito pela estação de tratamento de efluentes seja aproveitada na confecção de cerâmicas e tijolos. “A UFPR vai desenvolver a tecnologia para transformação da borra em matéria-prima e caberá à GRI buscar no mercado um fornecedor que cumpra com todas as normas de respeito ao meio ambiente para aplicação da tecnologia diretamente na fabricação de cerâmicas e tijolos”, informa Enrique Depouilly, Gerente de Meio Ambiente e Prevenção de Riscos Mercosul.

Internamente, a Renault tem avançado na adoção de medidas que diminuem cada vez mais os impactos ambientais. O trabalho de diminuição no uso de Compostos Orgânicos Voláteis (COV, conhecidos como solventes), usados em diferentes etapas do processo de pintura, tem sido constante. Entre as ações nesse sentido estão as mudanças promovidas no tratamento dos efluentes do processo de pintura; diminuição na porcentagem de solventes utilizados na limpeza dos circuitos de pintura; e a instalação de incineradores de COV nos processos de pintura, que eliminam em torno de 80% do COV na saída das chaminés.

Segundo Depouilly, a Renault do Brasil tem um nível de uso de COV num patamar 60% inferior ao que estabelece a legislação do Estado do Paraná (SEMA 041), que está baseada na legislação européia. “Nosso objetivo é continuar trabalhando para diminuir o máximo possível a quantidade de COV utilizada.”

A menor agressividade ao meio ambiente possibilitada pelo uso do álcool nos motores bicombustíveis também tem sido vista com atenção pelo Grupo Renault. Durante a divulgação do plano Renault Contrato 2009, que estabelece as diretrizes para o Grupo nos próximos três anos, o Presidente Carlos Ghosn observou que a experiência de desenvolvimento de motores bicombustíveis no Brasil será base para a introdução desse tipo de tecnologia na Europa.

A Renault do Brasil conta com motores flexíveis desde 2004. O primeiro propulsor lançado foi o 1.6 16V Hi-Flex, que hoje equipa os modelos Clio, Clio Sedan e Scénic, além do Novo Renault Mégane lançado em março. A gama de motores bicombustíveis também é composta pelo propulsor 1.0 16V Hi-Flex, que equipa o Clio. “Está havendo uma troca crescente de informações entre as equipes de projetos do Brasil e da França com relação à experiência brasileira no desenvolvimento de motores bicombustíveis”, diz Hector Alejandro Wainberg, Gerente de Engenharia de Projetos Mecânica.

Programa de Gestão do Ciclo de Vida do Carro

                     Sob as coordenadas de prevenção da poluição e conservação dos recursos naturais, o “Programa de Gestão do Ciclo de Vida do Carro”, que teve início em 2004, busca eliminar os metais pesados do processo de fabricação, enquanto ganham espaço a utilização do alumínio nos motores e do plástico nos revestimentos dos veículos. A meta do programa é chegar a 2010 com 95% de peças recuperáveis – conceito que inclui a reciclagem e a utilização de uma peça para a produção de outra.

Dentro dessa meta, o Laboratório de Materiais Mercosul realiza um trabalho de validação de peças de fornecedores segundo a norma de substâncias restritas da Renault. “Iniciamos o trabalho em 2004 com a fábrica de motores e agora será estendido também para a fábrica de veículos de passeio”, conta Daniela Omine, responsável pela área de meio ambiente do Laboratório.

Se na composição da peça vinda do fornecedor for detectada a existência de substâncias de uso restrito ou proibido, como os metais pesados chumbo, cádmio, cromo 6 ou mercúrio, o fornecedor tem que apresentar um cronograma de substituição desses metais. Aí, o segundo passo no Laboratório é o de testar e validar se a nova composição das peças atende os pré-requisitos estabelecidos pelo Grupo Renault. “Trabalhamos para atender ao que determina a legislação européia – mais rigorosa que a brasileira nesse tema – , o que é importante no sentido de preservar os negócios externos da Renault”, observa Daniela Omine.

O Laboratório de Materiais Mercosul também atua na validação de produtos químicos (segundo a mesma norma de substâncias restritas), trabalho que tem uma sintonia grande com o serviço de toxicologia do Grupo Renault, centralizado na França. As documentações (ficha de segurança e declaração de composição) dos produtos químicos validados são enviadas à França e incluídas num banco de dados chamado Chim Risk. “Nesse banco eu consigo visualizar os produtos já validados e fazer consultas sobre substâncias restritas”, diz Daniela.

Os avanços contínuos da empresa – que asseguram o respeito a toda conformidade legal no que diz respeito ao meio ambiente –, e especialmente o trabalho feito junto aos fornecedores para que se comprometam a trabalhar dentro dos preceitos ambientais do Grupo Renault, foram dois fatores fundamentais para que a empresa conquistasse, em novembro de 2005, a nova versão da certificação ISO 14001/2004. Em setembro do ano passado, a Renault também passou com sucesso pela auditoria compulsória estabelecida pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP).

Baixos índices de consumo e menor impacto ambiental

                    A Renault do Brasil conta com nove bacias para contenção de águas pluviais dentro do Complexo Ayrton Senna. Até hoje essa água vinha sendo liberada no rio após o trabalho de análise de qualidade. Um novo projeto, no entanto, vai recuperar parte dessa água e utilizá-la nos processos de fabricação. “Dessa maneira, vamos diminuir o impacto sobre o meio ambiente porque atualmente a água consumida no Complexo tem origem no Rio Pequeno, de onde é captada a água que abastece toda a região”, explica Enrique Depouilly, Gerente de Meio Ambiente e Prevenção de Riscos Mercosul.

Segundo Depouilly, o projeto está em sintonia com a Resolução do Governo do Paraná que transformou a área do distrito industrial onde se localiza a Renault em zona de proteção do baixo Pequeno. “Além de diminuir ainda mais o impacto ambiental na área, nós estamos aproveitando a água que foi armazenada com a chuva.”

O Comitê de Economia de Energia (CEE), que desde 2001 vem implementando ações de base para redução do consumo dentro do Complexo, agora passou por uma reestruturação e ganhou sub-comitês espalhados pelas três fábricas e áreas de suporte. “Com o passar do tempo, o grande desafio passou a ser encontrar novos focos de ação e oportunidades de melhoria, trabalho que será facilitado com a criação desses grupos”, diz José Gaspar, Supervisor da Central de Utilidades/Fluidos e piloto do CEE no Complexo Ayrton Senna.

O regime de funcionamento dos equipamentos quando as fábricas não estão produzindo é o foco atual de atenção da empresa. “Um exemplo é a água quente, que é utilizada numa temperatura de 85°C durante o horário de produção e cai para 65°C nos períodos de fábrica parada. A idéia geral é sempre buscar o equilíbrio nessa conta ao criar sistemáticas de funcionamento com consumo reduzido e conseqüente economia”, explica Gaspar.

Outro trabalho de fundamental importância para economia no dia-a-dia do processo produtivo é o realizado na Central de Utilidades/Fluidos, responsável pela geração e distribuição de todas as energias e fluidos no Complexo – energia elétrica, gás natural, gases especiais de solda, água industrial, água de resfriamento, entre outros. “Fornecemos informações detalhadas de consumo aos diferentes departamentos. Dessa forma, cada um tem condições de avaliar o próprio comportamento em relação ao consumo e concentrar esforços em estudos e ações que dêem maiores resultados”, detalha Gaspar.

Gerenciar adequadamente os resíduos nas três fábricas é outra frente de trabalho levada a sério na Renault. Esse trabalho é feito através de parcerias com empresas que reaproveitam e beneficiam os materiais, transformando-os novamente em matéria-prima ou produtos que possam ser comercializados.

Em 2005, a reciclagem atingiu 13.000 toneladas de resíduos, equivalente a 90% do total de resíduos gerados nas fábricas. São produtos que variam desde madeira, papelão, plástico até papel toalha e blocos de motor. Através da coleta seletiva, foram recicladas outras 3.150 toneladas de madeira e 2.220 toneladas de papel e papelão, evitando a derrubada de mais de 50.000 árvores.

Proteção à área do Complexo Ayrton Senna

              O monitoramento ambiental feito dentro do Complexo Ayrton Senna, sob a responsabilidade da equipe do Laboratório de Materiais Mercosul, ganhou dois novos pontos de monitoramento de águas fluviais em 2006, agora no Rio Itaqui, que se somam aos dois pontos já existentes no Rio Pequeno.

Ao todo, são 58 pontos de monitoramento, sendo 15 de avaliação dos níveis de ruídos, oito de águas pluviais, quatro de águas fluviais, três de efluentes líquidos tratados, 21 de emissões atmosféricas e sete de lençóis freáticos. Os trabalhos de monitoramento envolvem a coleta diária de amostras de efluentes industriais e uma análise completa do material a cada 15 dias; análises de ruídos, assim como do lençol freático na área do Complexo, das bacias de contenção (águas pluviais) e dos rios que passam na região.

Os animais e aves que vivem na área também estão sendo objeto de estudo através de um projeto de catalogação iniciado em 2005, uma parceria com o Departamento de Zoologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Até agora já foram registradas 94 espécies de aves e 26 espécies de mamíferos, entre eles a jaguatirica (Leopardus Pardalis) e o veado-catingueiro (Mazama sp.), ambos considerados ameaçados de extinção no Estado do Paraná.

No relatório parcial elaborado já podem ser vistas fotos de aves como o sanhaçu-frade (Stephanophorus Diadematus) e o arapaçu-verde (Sittasomus Griseicapillus), de morcego (Stumira Lilium) e do bugio-ruivo (Alouatta Guariba). A publicação completa está prevista para sair em 2007.

Outro projeto – uma parceria com a Embrapa Florestas Colombo Paraná em conjunto com a Fundação de Apoio à Pesquisa e ao Agronegócio (Fagro) – também trouxe um novo cenário para uma área de 10 mil hectares que começava a passar por um processo de erosão.

No ano passado, foram plantadas no local mudas de bracatingas, maricas, juquiris, aroeiras, esporão-de-galo, entre outras espécies de leguminosas. Essas plantas são conhecidas como pioneiras porque recobrem rapidamente o solo e melhoram suas condições. Agora, o tempo se encarregará de transformar completamente a paisagem local.

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