2008
| NOVEMBRO | EDIÇÃO 106 | ESPECIAL
FEI
apresenta X-20, o primeiro roadster brasileiro capaz de guiar-se
sozinho
Quatro décadas depois de fazer sua primeira
aparição no Salão do Automóvel
de São Paulo, o Centro Universitário da FEI
(agora Fundação Educacional Inaciana) traz para
a 25ª edição do principal evento automobilístico
do País, que acontece de 30 de outubro a 9 de novembro,
o seu 20º projeto experimental, o FEI X-20. Ousado e
inovador, o veículo une a beleza e a potência
de um roadster às mais avançadas tecnologias
e ferramentas de engenharia
Trata-se
do primeiro carro brasileiro equipado com sistema autônomo
de direção, pelo qual o veículo é
capaz de reconhecer o piso e guiar-se sozinho, sem a intervenção
do motorista. Com a mesma vocação de 1968,
a FEI adianta o futuro do setor automotivo, desta vez na
área de segurança veicular. "É
nosso primeiro passo em um estudo para a construção
de veículos com alto grau de autonomia, utilizando,
entre diversas ferramentas, a Inteligência Artificial",
afirma o professor doutor Marcio Rillo, reitor do Centro
Universitário da FEI.

Estande da FEI: destaque para o X-20
O FEI X-20 também se diferencia pelo moderno processo
de construção. A carroceria foi gerada diretamente
do desenho do computador, por meio de um dos mais avançados
sistemas de simulação matemática, eliminando
a necessidade de modelagem de protótipos.
Além disso, o carro tem chassi totalmente feito
em alumínio, material que ajuda a dar mais leveza
e resistência ao veículo e está também
presente em outros componentes, como aro das rodas, partes
da transmissão e bloco do motor, um potente V8 utilizado
no superesportivo norte-americano Corvette Z06.

X-20
Mais que um projeto inovador, o X-20 é uma plataforma
de desenvolvimento, que integra diversas áreas da
engenharia. O carro é fruto da dedicação
de um grupo de alunos, professores e pesquisadores dos cursos
de Engenharia Mecânica Automobilística, Engenharia
Elétrica e Ciência da Computação,
além do IPEI, Instituto de Pesquisas e Estudos Industriais
da FEI.
Com a força de um motor V8, a suavidade das linhas
que contornam a carroceria e a inteligência de um
sistema autônomo de direção, o X-20
promete enaltecer a história da FEI no 25º Salão
Internacional do Automóvel de São Paulo, palco
das grandes máquinas automobilísticas.design
Concebido pelo professor Ricardo Bock
(foto abaixo), engenheiro, artista plástico e coordenador
do curso de Engenharia Mecânica Automobilística
da FEI, o desenho do FEI X-20 traz as características
de um moderno roadster. A carroceria de dois lugares, sem
capota, é envolvida por traços atraentes e
esportivos, enquanto os dois pára-brisas, intercalados
pelo alojamento da câmera de vídeo do sistema
de direção, ficam pouco acima da altura dos
olhos do motorista e passageiro.

Com desenho aerodinâmico, inspirado na fluidez das
linhas de um peixe, o FEI X-20 traz, na traseira, um dos
elementos de design mais famosos da história dos
projetos automobilísticos da FEI: a inovadora cauda
bifurcada do FEI X-12, que deixa à mostra os conjuntos
de motor e suspensão. As duas saídas de ar,
localizadas na parte central da traseira, indicam a agressividade
do roadster.
O FEI X-20 tem 'olhar' misterioso, caracterizado pela
grande entrada de ar frontal em contraste com os faróis
em LED. "Os faróis traduzem a identidade de
um carro, assim como o olhar de uma pessoa", explica
o professor Ricardo Bock. Projetado pelos pesquisadores
do curso de Engenharia Elétrica e IPEI, o conjunto
de faróis e lanternas é formados por tubos
de acrílico transparentes, que, quando vistos de
frente, formam um anel iluminado branco.
O requinte do design é ressaltado pela pintura externa
cromada, que faz combinação com os detalhes
azuis, e se estende para as laterais do X-20. As rodas,
de 18 polegadas, possuem aros em alumínio e centro
em policarbonato, que permitem a visualização
dos sistemas de freio e suspensão, seguindo a idéia
da cauda bifurcada. As portas deslizam para cima em um movimento
circular, dando ainda mais sofisticação ao
conjunto.

Internamente, o carro traz bancos esportivos, em couro,
com ângulos e cavidades projetadas para envolverem
completamente o corpo de motorista e passageiro e cinto
de segurança de seis pontos, como nos carros de competição.
O painel traz as chaves de acionamento dos faróis,
sistema autônomo de direção e partida
do motor, além de uma gaveta para armazenar o computador
que controla o sistema autônomo. O desenho do habitáculo
foi criado por Fernando Hideyuki Fukunaga, 23, aluno do
8º ciclo do curso de Engenharia Mecânica Automobilística.
Além de Fukunaga, outros sete estudantes do curso
se dedicaram, durante seis meses, à construção
do FEI X-20: Daniel Dainezi Júnior, Eduardo Mobili,
Emerson Banzatto, Fábio Greco, João Gabriel
Gomes Perez, Marcelo Guimarães Araújo Miranda
e Rodrigo de Souza Aquino.
Materiais leves na construção -
Um projeto inovador como o X-20 não poderia
deixar de utilizar materiais nobres. É por isso que
o veículo tem chassi totalmente feito em alumínio
– material também presente no aro das rodas,
transmissão e bloco do motor. O chassi do X-20 é
tubular, espacial, soldado, revestido com chapas de alumínio
coladas e com elementos de fixação da suspensão
em alumínio usinado.
A carroceria, feita em fibra de carbono e fibra de vidro,
foi gerada a partir de um avançado processo de simulação
computacional na EDAG, em São Bernardo do Campo,
empresa de origem alemã e uma das mais importantes
fornecedoras de soluções tecnológicas
para a indústria automotiva. Fernando Fukunaga e
João Gabriel Perez passaram dois meses na sede da
empresa desenvolvendo o modelo matemático do X-20
para a geração da carroceria, com orientação
de técnicos e engenheiros da EDAG.
Motor de 550 cavalos - O FEI X-20 é
equipado com motor entreeixos traseiro, o mesmo V8 7.0 l,
de 32 válvulas, utilizado no Corvette Z06, um dos
mais cobiçados superesportivos do mundo. O propulsor
foi doado pela General Motors norte-americana, com intermediação
da GM do Brasil. Além da esportividade, a escolha
do motor também foi motivada pelo bloco de alumínio,
que faz combinação com o chassi e ajuda a
dar leveza ao veículo.
Capaz de entregar 500 cavalos de potência ao Z06,
o V8 está ainda mais apimentado no X-20. O motor
recebeu novo mapeamento eletrônico antes de chegar
ao Brasil, processo que lhe deu a capacidade de gerar 50
cavalos a mais que o Corvette. Desta forma, o X-20 pode
desenvolver até 550 cavalos de potência a uma
rotação de 6.300 giros e torque de 70 kgfm
a 4.800 rpm.

A transmissão que acompanha o V8 é de um
Porsche, modelo G64/51, que equipava o cupê Porsche
993 Turbo, um dos variantes da linha 911 da marca alemã.
A transmissão é manual, de seis marchas, além
da ré. Antes de chegar ao Brasil, o câmbio
passou por modificações nos Estados Unidos
para ser adaptado à aplicação junto
ao motor V8.
Com peso de aproximadamente 980 quilos, graças ao
uso de materiais leves e ao desenho aerodinâmico da
carroceria, o FEI X-20 oferece uma relação
peso/potência de aproximadamente 1,8 kg/cv, valor
acima apenas dos carros de Fórmula 1, que normalmente
atingem uma média de 1,3 kg/cv. Segundo previsões
da FEI, o X-20 poderá alcançar velocidade
máxima de 250 km/h. Por questões de segurança,
esta velocidade é restringida a 20 km/h quando o
sistema autônomo de direção está
ligado.
Conjunto mecânico - A suspensão
do FEI X-20 se assemelha aos conceitos utilizados nos carros
de Fórmula 1. O veículo tem suspensão
independente duplo A com molas e amortecedores in board,
tanto na dianteira quanto na traseira, com o objetivo de
diminuir a massa não suspensa, ou seja, fazer com
que as rodas exerçam pressão contra o solo
durante mais tempo. Os amortecedores são JRZ, produzidos
na Holanda, enquanto as molas são da marca alemã
Eibach.
O conjunto é complementado por pneus PZero Rosso,
conhecidos em todo o mundo por equiparem, originalmente,
carros de alta performance de marcas como Ferrari, Porsche,
BMW e Mercedes-Benz. Os pneus são de aro 18'' e têm
dimensões de 225/40 na dianteira e 275/45 na traseira.
Os freios são a disco nas quatro rodas, utilizados
em carros de corrida, com pinças de alumínio
que suportam seis pistões na dianteira e quatro na
traseira. Importado da Argentina, o conjunto de freios foi
retrabalhado no Brasil para se adequar às dimensões
dos discos e também ao design do carro. No X-20,
as pinças de freio, que ficam à mostra por
meio das rodas transparentes, foram anodizadas de azul,
para entrar em combinação com as cores do
carro.
Sistema autônomo de direção
- Desenvolvido por estudantes, professores e pesquisadores
dos cursos de Engenharia Elétrica e Ciência
da Computação, com apoio do IPEI, o sistema
autônomo de direção, em sua primeira
fase de pesquisa, permite ao FEI X-20 guiar-se sozinho somente
em uma pista de testes criada no campus São Bernardo,
caracterizada pelo asfalto escuro delimitado por faixas
brancas, que simulam os limites laterais de uma rua ou estrada.
Para iniciar o sistema, o condutor deve dar partida no
motor, acionar o botão no painel, engatar a primeira
marcha e começar a dirigir o carro. Em poucos segundos,
o sistema torna o X-20 capaz de guiar-se sozinho pela pista,
a uma velocidade controlada de 20 km/h. Os acionamentos
de freio e acelerador ficam por conta do motorista.
O funcionamento é simples. Equipado com uma câmera
de vídeo, localizada entre os dois pára-brisas
e interligada ao software instalado no laptop, o carro identifica
a imagem das duas linhas brancas paralelas que envolvem
a pista e, a partir de então, o software traça
uma linha 'imaginária' central do trecho. Ao receber
a orientação, uma placa eletrônica,
interligada ao motor elétrico que controla o sistema
de direção, orienta o veículo a seguir
a linha central para que, assim, não saia da pista.

Em caso de pane do sistema, o condutor conta com três
mecanismos de segurança que, quando acionados, são
capazes de desligar automaticamente o sistema autônomo
e lhe passar o controle de direção. O primeiro
deles é um botão de emergência no painel,
o segundo é ativado quando o motorista exerce pressão
elevada sobre o pedal do freio, já o terceiro mecanismo
passa a funcionar quando o volante é movimentado
para um dos lados.
Como os processos de desenvolvimento da tecnologia e de
construção do FEI X-20 aconteceram ao mesmo
tempo, o sistema autônomo de direção
foi testado em um veículo Celta, nas dependências
do campus São Bernardo, e posteriormente adaptado
ao X-20.
Mas as pesquisas estão só começando.
"Sistemas extremamente críticos, como instalações
nucleares, aviões e outros meios de transporte já
são controlados eletronicamente. Chegou a vez do
automóvel", afirma Renato Giacomini, coordenador
do curso de Engenharia Elétrica da FEI.
Com o desenvolvimento do X-20, nascem muitos desafios para
a evolução das pesquisas em automação
veicular. O próximo passo dos pesquisadores é,
até 2010, tornar o sistema capaz de controlar os
pedais freios e aceleração do veículo,
além de dar ao carro a possibilidade de movimentar-se
mais rápido que a velocidade média atual (20
km/h), interpretar as imagens de qualquer tipo de pista
e visualizar curvas com antecedência, graças
aos futuros aprimoramentos no software de reconhecimento
de imagens e dos equipamentos de controle eletrônico.

Outros estudos também já se encontram em
desenvolvimento por alunos do curso de Mestrado em Inteligência
Artificial da FEI, como sistema de detecção
das placas de trânsito e integração
do navegador GPS com tela interativa do pára-brisa.
"O sistema de visão, aplicado no X-20, abre
um espectro de possibilidades de pesquisas, que vão
desde o simples posicionamento automático dos espelhos
retrovisores até a completa automação
do automóvel", explica Flavio Tonidandel, coordenador
do curso de Ciência da Computação da
FEI.
Ficha técnica X-20
Motor - V8, longitudinal, 2 válvulas por
cilindro, com bloco e cabeçote em alumínio
Volume deslocado - 7.008 cm3 (7.0 L)
Potência - 550 hp (410Kw) @ 6.300 rpm
Torque - 70 kgfm (686Nm) @ 4.800 rpm
Câmbio - manual de seis velocidades
Combustível – gasolina
Comprimento - 4755 mm
Largura - 2115 mm
Altura - 1090 mm
Entreeixos - 2800 mm
Peso - 980 kgf
Pneus - Dianteiros: Pirelli PZero Rosso 225/40 R18
Traseiros: Pirelli PZero Rosso 275/45 R18
Suspensão: Dianteira: duplo braço, tipo A;
push-rod, molas helicoidais, amortecedor 2 vias
Traseira: duplo braço, tipo A com braço de
convergência; push-rod, molas helicoidais, amortecedor
2 vias
Freios: dianteiro: disco ventilado, 6 pistões / traseiro:
disco ventilado, 4 pistões
2008 | OUTUBRO
| EDIÇÃO 106 | ESPECIAL
FEI
apresenta X-20, o primeiro roadster brasileiro capaz de
guiar-se sozinho
Ousado e inovador, o veículo une a beleza e a potência
de um roadster às mais avançadas tecnologias
e ferramentas de engenharia
Quatro décadas depois de fazer sua primeira aparição
no Salão do Automóvel de São Paulo,
o Centro Universitário da FEI (agora Fundação
Educacional Inaciana) traz para a 25ª edição
do principal evento automobilístico do País,
que acontece de 30 de outubro a 9 de novembro, o seu 20º
projeto experimental, o FEI X-20. Ousado e inovador, o veículo
une a beleza e a potência de um roadster às
mais avançadas tecnologias e ferramentas de engenharia.
Trata-se do primeiro carro brasileiro equipado com sistema
autônomo de direção, pelo qual o veículo
é capaz de reconhecer o piso e guiar-se sozinho,
sem a intervenção do motorista. Com a mesma
vocação de 1968, a FEI adianta o futuro do
setor automotivo, desta vez na área de segurança
veicular. "É nosso primeiro passo em um estudo
para a construção de veículos com alto
grau de autonomia, utilizando, entre diversas ferramentas,
a Inteligência Artificial", afirma o professor
doutor Marcio Rillo, reitor do Centro Universitário
da FEI.
O FEI X-20 também se diferencia pelo moderno processo
de construção. A carroceria foi gerada diretamente
do desenho do computador, por meio de um dos mais avançados
sistemas de simulação matemática, eliminando
a necessidade de modelagem de protótipos.
Além disso, o carro tem chassi totalmente feito
em alumínio, material que ajuda a dar mais leveza
e resistência ao veículo e está também
presente em outros componentes, como aro das rodas, partes
da transmissão e bloco do motor.
Mais que um projeto inovador, o X-20 é uma plataforma
de desenvolvimento, que integra diversas áreas da
engenharia. O carro é fruto da dedicação
de um grupo de alunos, professores e pesquisadores dos cursos
de Engenharia Mecânica Automobilística, Engenharia
Elétrica e Ciência da Computação,
além do IPEI, Instituto de Pesquisas e Estudos Industriais
da FEI. A coordenação é do professor
Ricardo Bock.
Com a força de um motor V8, utilizado no superesportivo
norte-americano Corvette Z06, a suavidade das linhas que
contornam a carroceria e a inteligência de um sistema
autônomo de direção, o X-20 promete
enaltecer a história da FEI no 25º Salão
Internacional do Automóvel de São Paulo, palco
das grandes máquinas automobilísticas.

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