Capa do especial Flexpedition Portos Abertos
2008 | DEZEMBRO | EDIÇÃO 108 | ESPECIAL | CHEVROLET FLEXPEDITION PORTOS ABERTOS
Viagem histórica pelos portos marítimos brasileiros
Após a largada oficial em São Caetano do Sul nesta segunda-feira (26/05), expedicionários visitaram Porto de Santos, o mais importante porto marítimo brasileiro

             Cerca de 27% de toda riqueza que entra ou sai do Brasil (via exportação ou importação), passa pelo Porto de Santos, porta de entrada ou de saída do país. Em 1808, ano da abertura dos portos às nações amigas, o porto de Santos já era um porto importante, mas, característico dos tempos coloniais. Hoje, 200 anos depois do decreto de Dom João VI, rei de Portugal, o porto de Santos é um dos maiores do mundo. Segundo a Agência Nacional de Transportes Aquaviários – Antaq, Santos é o terceiro porto do país em volume movimentado e o primeiro em movimentação de carga em geral. É também o mais importante da América Latina e o 45º maior do mundo.

E, foi por esse porto que a Chevrolet Flexpedition Portos Abertos iniciou sua aventura pelos portos brasileiros. Depois da largada oficial, na fábrica da General Motors do Brasil, em São Caetano do Sul, dada pelo vice-presidente, José Carlos Pinheiro Neto, a caravana de seis veículos Chevrolet desceu a Serra do Mar em direção a Santos.

Porto ajudou a modernizar a cidade - A criação do porto de Santos data do dia 2 de fevereiro de 1892, com a atracação do vapor Nasmith, de bandeira inglesa, inaugurando os primeiros 260 metros de cais, em substituição aos trapiches e pontes que existiam no Valongo, representando o início do funcionamento das instalações do porto de Santos como porto organizado - segundo dados da Antaq.

A história do porto de Santos está diretamente relacionada com a história de São Vicente, uma das primeiras vilas fundadas no Brasil, e de extrema relevância no contexto colonial. Por volta de 1532, os portugueses começaram de fato a colonização dessa região. E embora, não exista documentação que ateste com propriedade a fundação exata da Vila do Porto de Santos, depois, somente Vila de Santos, convencionou-se o ano de 1546. A cidade de Santos chegou a comemorar seus 450 anos em 1996, mas, comemora também os anos que faz a partir da data da elevação da Vila de Santos a cidade, no dia 26 de janeiro de 1839, segundo consta no site oficial da Prefeitura de Santos.

Em 1550, instalou-se a alfândega no porto de Santos e apesar desse ancoradouro ter comercializado ali diversos produtos por séculos, o porto de Santos é por excelência o porto do café.

O café despontava no século XIX, como produto do novo ciclo econômico brasileiro, e vinha com produção e força total no planalto paulista, pressionando a ampliação e melhoria das instalações portuárias santistas. A ferrovia São Paulo Railway, que iniciou suas operações no final da década de 1860, potencializava a exportação do café, que geraria enorme desenvolvimento para o país, na cidade de São Paulo e em muitas outras, como a de Santos, a partir desse momento; “o efeito do café na vida nacional perdurou de forma quase hegemônica por décadas”.

Em poucas décadas, o porto de Santos se tornaria o segundo maior do país. Segundo José Araújo Filho, a construção do porto de Santos moldou as paisagens modernas da cidade: “somente depois que se construíram os primeiros cinco quilômetros de cais que a cidade de Santos pode despir-se das suas roupagens coloniais e transformar-se num organismo urbano pronto a poder acrescentar à função portuária várias outras que se foram criando, à medida que um planejamento sanitário e urbanístico (Plano Saturnino de Brito, 1908) fora-lhe dando condições”.

“É essa influência, exercida pelos portos na formação econômica e cultural de nosso povo, que a Chevrolet Flexpedition Portos Abertos pretende mostrar em sua expedição pelos principais portos brasileiros”, destacou José Carlos Pinheiro Neto, vice-presidente da General Motors do Brasil, ao visitar de escuna o canal do Porto de Santos. Também participaram dessa visita ao Porto, o vice-presidente da Bosch do Brasil, Besaliel Botelho, e Pedro Luiz Dias, diretor de Comunicação Social da GM do Brasil.


Expedicionários visitam o Porto de Santos (SP) pelo estuário, com destaque para uma das
atividades locais, o transporte de material em contâiner

Porto de Santos, primeira parada da aventura Portos Abertos
Importância do Porto de Santos se espraia além do estuário para a cidade e região metropolitana da baixada santista

                     O primeiro porto brasileiro em movimentação de carga em geral e o primeiro a ser visitado pela Chevrolet Flexpedition Portos Abertos, nesta segunda-feira (26/5), foi o Porto de Santos que, em 2007, movimentou 81 milhões de toneladas em cargas diversas e embarcou ou desembarcou 600 mil turistas da temporada de novembro de 2007 a abril de 2008.

Além da importância econômica para a região e para o País, o Porto de Santos tem influência direta nos 418 mil habitantes da cidade e 1,7 milhão de pessoas da região metropolitana da baixada santista. A influência e abrangência desse porto é tão grande, que já poderia ser chamado de Porto de Santos, Guarujá e Cubatão.

Depois de sair da fábrica da General Motors do Brasil, em São Caetano do Sul (SP), os jornalistas da expedição - em companhia do vice-presidente da GM, José Carlos Pinheiro Neto, do vice-presidente da Bosch do Brasil, Besaliel Botelho e do diretor de comunicação da GM, Pedro Luiz Dias – visitaram as instalações da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), pelo estuário do porto, a bordo de uma escuna.

Influência presente - No porto, a equipe da Chevrolet Flexpedition Portos Abertos foi recebida pelo diretor presidente da Codesp, engenheiro José Di Bella Filho e sua equipe. Desde 1980, Santos deixou de ser um porto privado e passou para a administração por parte da Secretaria Especial de Portos do governo federal.

Wagner Gonçalves, gerente da área comercial da Codesp, considerou uma honra os expedicionários terem escolhido o Porto de Santos como primeiro local a ser visitado pela Chevrolet Flexpedition.

José Carlos Pinheiro Neto, vice-presidente da GM, fez votos de que “a expedição Portos Abertos seja mais um marco da saga da Chevrolet de mostrar o Brasil e nossos portos, que são verdadeiras portas de entrada de nosso País”.

Como parte de seu plano de modernização, o Porto de Santos e a Prefeitura local planejam revitalizar os antigos armazéns do centro da cidade, região conhecida como Valongo, e criar centros de convivência e cultura, nos moldes do Porto Madero, da Argentina.

Mas, a influência do porto de Santos, porta de entrada e saída de 27% das riquezas do País e pela movimentação de 5741 navios em 2008 (média de 61 por dia), não começou agora: quando Braz Cubas – que fundou a cidade de Santos em 1531 – escolheu o local para atracação dos navios da época, procurou um estuário que pudesse ser protegido dos ataques de piratas.

E, mais tarde, a partir de 1836, com a chegada dos imigrantes alemães e o aumento repentino da população, Santos enfrentou 21 pestes de febre amarela, que mataram quase metade da população. Como não havia saneamento, a dragagem e a construção do porto ajudaram no combate e erradicação da doença. Os engenheiros e funcionários do porto, que foi privatizado em 1890, para a Companhia Docas de Santos (essa concessão terminou em 1980), além de contribuírem com obras destinadas a solucionar o problema de saneamento básico, construíram escolas e creches e asfaltaram ruas e avenidas.

Portos de Paraty e Angra (RJ), alvos de contrabandos históricos
Paraty foi oficializado para evitar contrabando, enquanto Angra dos Reis era usado para fugir dos impostos em Paraty

                    Para conter o contrabando e o desvio de metais preciosos, a coroa portuguesa estabelece no início do século XVIII que todas as mercadorias, inclusive o ouro, deveriam passar obrigatoriamente pelo Porto de Parati (RJ) para serem exportadas. Mas, aí, com a cobiça dos exploradores da época, criaram uma rota alternativa pelo porto de Angra dos Reis para, assim, fugir dos impostos cobrados pela Coroa Portuguesa.

Esses dois portos históricos, localizados na Baía da Ilha Grande, no Estado do Rio de Janeiro, foram visitados pela Chevrolet Flexpedition Portos Abertos, na última quarta-feira (28/05/2008). Nos dois locais, os jornalistas expedicionários puderam constatar que pouca coisa mudou, 200 anos depois da abertura oficial dos portos pelo rei D. João VI.

Paraty é famosa por suas belezas naturais, por seu patrimônio histórico e pela cultura da região que atrai nos dias de hoje, milhares de turistas brasileiros e estrangeiros, que movimentam a economia dessa cidade de aproximadamente 33 mil habitantes.

Mas, houve época em que a importância desse lugar se dava quase que exclusivamente, pelo seu porto; ou cais, ou trapiche, pois, esse porto rudimentar não chegou a ter uma estrutura desenvolvida até hoje. Aliás, ele não consta da lista dos principais portos brasileiros, da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq).

Ele continua, ainda hoje, como apenas um ancoradouro de barcos de pesca, transporte de banana, cana para produção de pinga e cachaça – famosas na região – e traineiras e escunas turísticas.

A diferença entre a falta de emprego e oportunidades dos dias de hoje e da Paraty de anos atrás, segundo explica Gastão de Jesus (77anos), mais conhecido como Manoel Crispim, é que antes os barcos eram movidos a remo e hoje a motor.

“Na década de 30 a gente demorava um dia para vir remando da região onde nasci, chamada de Laranjeira, até o porto de Paraty, porque não tinha estrada. O comércio era pequeno, os barcos vinham buscar banana, mandioca e pinga. Hoje, a gente briga para transportar algum turista pelas praias e ilhas da região. Estou aposentado, tenho até filho advogado mas, nunca fui à escola e mal sei ler e assinar meu nome. Mesmo assim, preciso trabalhar com o barco para sobreviver. Só que hoje, tem mais barcos que turistas para transportar”, disse.

Além de muitas pousadas e barqueiros, Paraty tem muitos pescadores, como Benedito Virgílio de Barros, o Cantareli, que nas horas vagas se auto-intitula “cirandeiro”, ou cantador de músicas estilo ciranda. Seu peixe preferido? Baiacu Bandeira, porque é chique.

Como nem sempre existe trabalho para os barqueiros, Benedito José de Souza que só atende pelo apelido de Dendê. Com 68 anos de idade, ele vive de pequenos trabalhos, como tomar conta dos quadros pintados por um artista local na praça da igreja matriz, ou intermediar passageiros para os grandes barcos. Ele nasceu na Ponta da Cajaíba e demorava mais de quatro horas remando até chegar a Paraty, quando era jovem. O progresso, segundo ele, trouxe a estrada e os turistas, mas afugentou a pesca.

Desvio de ouro levou à construção de Angra - O Porto de Angra dos Reis foi inaugurado como porto organizado em 1932, para evitar a evasão de impostos de outros portos da região.

No período aurífero brasileiro, alguns afirmam que se o ouro oficial vindo de Minas Gerais passava por Paraty, o contrabandeado era escoado por Mambucaba, distrito de Angra dos Reis que obteve grande desenvolvimento urbano nessa época. Outros afirmam, porém, que a construção do “Caminho Novo”, estrada que fazia a ligação por terra do interior de São Paulo e Minas Gerais ao Rio de Janeiro, via essa que possuía ligação direta com Angra dos Reis e as cidades de Lídice e Rio Claro, impulsionou o desenvolvimento e enriquecimento da região.

Segundo o gerente do Porto de Angra dos Reis, Francisco José de Almeida Silva, esse escoadouro de produtos siderúrgicos, tubulações de ferro, bobinas de aço e futuramente trigo, cevada e malte, desembaraça mensalmente entre 30 e 40 mil toneladas de carga. Mas, já tem capacidade para 100 mil toneladas. O gargalo, segundo ele, são as estradas e as condições de tráfego dentro da pequena cidade, que já recebe de 150 a 200 caminhões por dia.

“Isso nos impede, por exemplo, de atender embarque de minério de ferro, que demanda grande equipamentos, ferrovia e circulação de enormes carretas que transtornariam a vida da cidade”, disse.

Mesmo assim, Almeida Silva informa que o porto é essencial para a cidade de aproximadamente 140 mil habitantes, pois emprega de 700 a 750 famílias diretamente e representa 30% da arrecadação do município. Além disso, afirma que o porto é pequeno mas eficiente e já tem projeto para aumentar o calado para 10 metros de profundidade e já está negociando com a iniciativa privada para investimento na construção de um terceiro berço para atracação de navios para atender a bacia petrolífera de Santos.

Itaguaí (RJ) quer ser primeiro Hub-Port do Atlântico
Porto visitado pela Chevrolet Flexpedition Portos Abertos receberá investimentos bilionários para ser um concentrador de cargas (hub-port)

                    Por meio de parcerias e investimentos bilionários para ampliação, obras de dragagem, aprofundamento do canal e uma usina termelétrica, o jovem porto de Itaguaí (antes chamado de Sepetiba) quer se transformar em um porto concentrador de cargas, ou seja, num hub-port, o primeiro do Atlântico Sul, como Roterdã, Cingapura e Hong Kong.

Depois de iniciar essa nova expedição pelo porto de Santos e passar pelos portos de São Sebastião, Paraty e Angra dos Reis, a Chevrolet Flexpedition Portos Abertos visitou o Porto de Sepetiba, cuja denominação mudou, em 2005, para Porto de Itaguaí, localizado na baía de mesmo nome, no município de Itaguaí (RJ).

Em 2007, o porto ficou em terceiro lugar no ranking de movimentação de granel sólido, com 17,5% do total ou 77,3 milhões de toneladas, segundo o Panorama Aquaviário da Agência Nacional de Transportes Aquaviários - Antaq, publicado em janeiro de 2008. Movimentou 230 mil toneladas de TEUs (medida de contêiner) e 48 milhões de cargas em geral.

Esses volumes serão violentamente ampliados com os investimentos de US$ 2,2 bilhões que serão feitos pela CSN, até 2013, para construir o porto privativo Lago da Pedra cujos dois piers serão ligados a um centro de logística por uma ponte de três quilômetros de extensão. Só a movimentação de carga desses dois piers será de 2,3 milhões de TEUs, quando o projeto estiver implantado, de carga própria e de terceiros.

Segundo Marco Aurélio de Azevedo Braga, assessor da Diretoria da empresa Sepetiba Tecon (do grupo CSN), o projeto de construção desse porto privativo já conta com apoio da Antaq. Atualmente, a CSN já opera o terminal Tecar, em Itaguaí, para exportação de minério de ferro.

De acordo com Alexandre das Neves Pereira, superintendente do Porto de Itaguaí, o porto antes chamado de Sepetiba, foi inaugurado em 1982 para receber as cargas de minérios que o porto Rio de Janeiro não estava mais comportando e para atender à usina siderúrgica que a CSN pretendia construir no município. A usina até hoje não foi construída, mas está nos planos de expansão da CSN, junto com seu porto privativo.

O cais de uso público está dividido em trechos arrendados para a movimentação, exportação e importação, de produtos como carvão, minério de ferro, coque de hulha, alumina, enxofre, carga geral, veículos, produtos há pouco incluídos como a soja e o cimento, bem como o trigo e a cevada, além dos contêineres.

Impacto sócio-ambiental - Toda essa expansão da CSN, mais os planos de ampliação da própria Companhia Docas do Rio de Janeiro (que opera os portos de Itaguaí, além de Angra dos Reis e Niterói), vai provocar uma grande demanda de sistemas de transporte rodoviário e ferroviário.


Afastado da cidade, Porto de Itaguaí é considerado porto do futuro

O acesso ao porto é feito por rodovias, principalmente a BR-101 (Rio-Santos), e por ferrovias que ligam ao Vale do Paraíba ao estado de São Paulo e Minas Gerais. Está prevista uma obra considerada essencial para melhorar o acesso ao porto: a construção da rodovia BR-493, um arco viário que sairá do Rio de Janeiro, ligando o porto às rodovias Rio-Teresópolis, BR-040 (Rio-Juiz de Fora, MG) e BR-116 (Presidente Dutra), desafogando o trânsito da região metropolitana do Rio de Janeiro.

Mas, esses planos de ampliação, modernização e desenvolvimento do porto de Itaguaí e de seu entorno, transformando-o em um superporto, concentrador de carga ou hub-port, têm uma conseqüência direta e violenta no meio ambiente.

A área do porto de Itaguaí, juntamente com a restinga da Marambaia, possui um ecossistema riquíssimo, com uma variedade imensa de espécies. Pesquisadores, biólogos e ambientalistas estudam e zelam pela preservação dessa área conservada até meados do século XX, quando a região sobrevivia do turismo, da pesca e do cultivo de gêneros agrícolas.

As mudanças e desenvolvimento da área, hoje, pólo industrial, com um porto que pretende ser um hub-port, terão enorme impacto sobre a natureza e a sociedade. As mudanças também vão impactar a mão-de-obra. Calcula-se que deverão ser contratados mais cinco mil funcionários, recrutados entre os 120 mil habitantes da cidade.

Porto da cosmopolita Rio de Janeiro enfrenta problemas do crescimento urbano
Segundo maior porto do País vive drama do estrangulamento urbano, da falta de espaço para crescer e tombamento de áreas internas

                   O Rio de Janeiro tornou-se cosmopolita, segundo o historiador Carlos Guilherme Mota em 1808, com a chegada de dom João VI, da corte e da família real portuguesa, ao porto carioca, e com a abertura dos portos às nações amigas.

E hoje, 200 anos depois, os portos brasileiros – principalmente os do sudeste do País, já visitados pela caravana da Chevrolet Flexpedition Portos Abertos, em sua primeira etapa, entre os dias 26 e 29 de maio de 2008 – continuam enfrentando problemas estruturais para se modernizar e contornar as dificuldades provocadas pelo crescimento urbano. A segunda etapa dessa expedição começa nesta sexta-feira (06/06/2008), em Porto Alegre, visitando os portos do Sul do País.

A declaração de Geraldo Gayoso Neves, diretor técnico do Píer Mauá, estação marítima de passageiros do Porto do Rio de Janeiro – que recebeu os expedicionários no dia 29 – exemplifica bem as dificuldades de acesso aos portos, principalmente os do sudeste brasileiro: “as cidades litorâneas começaram a existir em função dos portos; depois, o crescimento das cidades estrangulou os portos”.¬

O Porto do Rio, localizado na Baía de Guanabara e operado pela Companhia Docas do Rio de Janeiro (que também é responsável pela operação dos portos cariocas de Angra dos Reis, Itaguaí e Niterói) proporciona a terceira maior receita de ICMS ao Estado carioca (depois da Petrobrás e do Pólo Petroquímico de Duque de Caxias). É o segundo porto brasileiro em movimentação geral de carga (posto que disputa com Vitória) e também de transporte de passageiros, atrás apenas do Porto de Santos (SP), nas duas modalidades.

Além de estar sujeito ao estrangulamento urbano, o Porto do Rio de Janeiro também enfrenta problemas de expansão e reforma interna, pois parte de seus galpões são tombados pela Secretaria de Patrimônio e Cultura do Rio.

Com 15,5 metros de cais e 13,5 metros de profundidade, o porto luta – como os demais portos brasileiros – para aumentar seu calado para 17 metros de profundidade e modernizar suas instalações, principalmente a área de passageiros que tem crescido cerca de 30% ao ano. Na última temporada, de outubro de 2007 a abril de 2008, passaram pelos terminais cariocas 350 mil passageiros. O Porto de Santos movimentou em igual período, 600 mil turistas.

A grande vantagem do Porto do Rio de Janeiro, segundo Adácio C. P. Carvalho, superintendente da CDRJ, é que o tempo médio de espera dos navios para atracação é zero: “nosso projeto portuário é antigo, temos a desvantagem da retro área ser muito pequena, mas temos vários berços de atracação, fator que não deixa navio na bóia”, disse. O Rio de Janeiro recebe de 15 a 16 navios diariamente, que transportam nove milhões de toneladas de carga por ano. A média de Santos, para efeito de comparação, é de 61 por dia.

A história do Porto do Rio de Janeiro é bem anterior ao ano de 1808. A fundação de “São Sebastião do Rio de Janeiro” deu-se em 1565 por Estácio de Sá. Como outros núcleos litorâneos, teve seu desenvolvimento ligado aos ciclos econômicos, e cada vez mais ocupava lugar de destaque na colônia. Em 1763, a capital da colônia é transferida de Salvador para o Rio de Janeiro.

No decorrer do século XVIII, a descoberta de ouro e diamantes nas Gerais e a abertura do caminho novo ligando o Rio ao planalto central converteram a cidade no principal centro intermediário do tráfico de almas e mercadorias entre a costa africana, Lisboa e a região das minas. No final dos Setecentos o Rio de Janeiro já era o maior porto do Brasil, sobrepujando a Bahia e Pernambuco, inclusive na importação de escravos, e sua região tributária abarcava muitos povoados espalhados pelo interior de São Paulo, Minas, Mato Grosso e Goiás, bem como inúmeros portos do centro-sul.

Desde a inauguração do porto do Rio de Janeiro em 1910, o porto passou por diferentes administrações, até que o decreto nº 72.439, de 9 de julho de 1973, aprovou a criação da Companhia Docas da Guanabara, atualmente, Companhia Docas do Rio de Janeiro – CDRJ.

Fim da primeira etapa - Com a visita ao Porto do Rio de Janeiro, a Chevrolet Flexpedition Portos Abertos encerra a primeira etapa da viagem pela história dos portos brasileiros. No total serão cinco etapas. A segunda e próxima etapa começará dia seis de junho, no Porto de Rio Grande (RS), seguindo depois para Laguna, Imbituba, Itajaí e São Francisco do Sul (SC) e Paranaguá e Antonina (PR), voltando novamente para São Paulo, no dia 13 de junho.

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